As duas opções do governo Lula antes do “Tariflávio”

Donald Trump e Lula em encontro na Malásia. Foto: Ricardo Stuckert

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com dois cenários antes da decisão dos Estados Unidos sobre novas sanções a produtos brasileiros: a aplicação de um tarifaço de 25% sobre parte das importações ou o adiamento da punição econômica pela gestão Donald Trump.

O prazo para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, definir as sanções termina nesta quarta-feira. No Planalto, a hipótese considerada mais provável é a adoção da tarifa sobre uma fatia dos produtos brasileiros vendidos ao mercado dos EUA.

A segunda possibilidade avaliada por auxiliares de Lula envolve uma mudança de rumo influenciada pela ala ideológica do Departamento de Estado dos EUA. Nesse cenário, Washington adiaria a punição usando como argumento a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública da USTR na semana passada.

Na audiência, Flávio afirmou que o “momento” eleitoral é o “pior possível” para a implementação do tarifaço. O governo Lula não tratou a sessão como canal de negociação bilateral, mas como um espaço destinado a ouvir representantes da sociedade civil e do empresariado.

Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Planalto avalia efeito político de eventual adiamento

No Palácio do Planalto, a leitura é que um adiamento para beneficiar Flávio Bolsonaro afetaria a credibilidade do USTR e indicaria que a investigação comercial não seguiu critério técnico. Auxiliares também avaliam que a medida daria ao governo brasileiro uma narrativa para sustentar que o processo buscou interferir no ambiente eleitoral do Brasil.

Um recuo desse tipo também contrariaria a política industrial adotada por Trump, baseada na imposição de tarifas agressivas para encarecer produtos estrangeiros e pressionar pela reindustrialização dos Estados Unidos. Para o Planalto, o governo teria condições de reagir politicamente tanto ao tarifaço quanto a um adiamento visto como favorável ao senador bolsonarista.

A resposta brasileira só será calibrada depois da decisão dos EUA. Auxiliares de Lula ainda não discutem em detalhe uma eventual reciprocidade, porque consideram indispensável conhecer a lista de produtos atingidos, avaliar item por item e medir o impacto antes de planejar uma reação.

Lula pediu que as negociações sigam até o último dia. Desde a reunião com Trump na Casa Branca, em maio, quando o tarifaço entrou na pauta, o governo brasileiro se reuniu quatro vezes com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos.

Investigação dos EUA mira Pix e decisões judiciais

O tarifaço partiu de recomendação do USTR, órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos. A investigação classifica uma série de atos, políticas e práticas brasileiras como “irracionais” ou capazes de restringir o comércio dos EUA.

Trump determinou a abertura da investigação em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado em disputas comerciais contra a China. Entre os principais alvos do relatório está o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

O relatório afirma que o Banco Central do Brasil atuaria ao mesmo tempo como regulador e operador do Pix, criando vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. Os EUA também questionam decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais.

O documento sustenta que autoridades judiciais emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais, inclusive de residentes nos Estados Unidos.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governo-lula-preve-tarifaco-trump-adiamento-flavio-bolsonaro/