Trump fará acusações falsas contra China sobre eleições dos EUA

Donald Trump e Xi Jinping, líder chinês. Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve usar um discurso em horário nobre nesta quinta-feira (16) para apresentar acusações sobre uma suposta interferência da China nas eleições americanas.

Segundo fontes ouvidas pela CBS News, o pronunciamento incluirá alegações de que Pequim obteve acesso a dados de eleitores dos EUA e de que a CIA teria conhecimento do caso, mas não informou Trump durante seu primeiro mandato.

A fala deve reunir integrantes do alto escalão do governo, incluindo chefes da CIA, do FBI, do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), do Departamento de Segurança Interna (DHS) e outras autoridades da administração. Alguns membros do gabinete não participarão por conflitos de agenda.

Questionada sobre o conteúdo do discurso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, evitou confirmar as informações.

“Como de costume, fontes anônimas estão especulando sobre o que o presidente Trump dirá em seu discurso na noite de quinta-feira. A verdade é que ninguém sabe ainda o que o presidente Trump dirá ao final, e é por isso que todos deveriam assistir”, afirmou.

Trump anunciou o pronunciamento no início da semana e deu poucas pistas sobre o conteúdo, limitando-se a sugerir que o foco será a integridade das eleições americanas. Desde que deixou a Casa Branca, o presidente mantém a alegação de que houve fraude generalizada na eleição de 2020, vencida por Joe Biden, embora essa tese tenha sido rejeitada por tribunais, autoridades eleitorais e sucessivas investigações.

O que dizem os relatórios da inteligência

A hipótese de envolvimento chinês nas eleições de 2020 já foi analisada pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Uma avaliação publicada em 2021 pelo Conselho Nacional de Inteligência concluiu, com “alto grau de confiança”, que a China não tentou influenciar o resultado da eleição presidencial. Segundo o documento, Pequim avaliou que nem uma vitória de Biden nem uma reeleição de Trump justificariam o risco de ser flagrada interferindo no processo.

O relatório também afirma que não houve tentativa chinesa de atacar a infraestrutura eleitoral, como sistemas de votação ou de apuração dos votos.

O documento, porém, registra uma posição minoritária de um alto funcionário da área de ciberinteligência, que avaliou, com confiança moderada, que a China tentou prejudicar a campanha de reeleição de Trump principalmente por meio de redes sociais e declarações oficiais. Ainda assim, essa análise também concluiu que não houve interferência direta no processo eleitoral.

Eleitor americano votando nas eleições de 2020. Reprodução

Dados de eleitores

Outro relatório, elaborado em abril de 2020 e tornado público em 2022 com diversas partes ainda censuradas, aponta que a inteligência chinesa analisou dados de registros eleitorais de vários estados americanos.

Segundo o documento, o objetivo seria realizar estudos sobre a opinião pública antes da eleição presidencial daquele ano.

O texto não explica como esses dados foram obtidos nem afirma que houve manipulação dos registros eleitorais. Em muitos estados americanos, parte das informações cadastrais dos eleitores é pública, enquanto outros dados permanecem protegidos por sigilo.

Rússia e Irã também aparecem em relatório

A mesma avaliação de inteligência divulgada em 2021 concluiu que a Rússia buscou prejudicar a campanha de Joe Biden, enquanto o Irã tentou enfraquecer Donald Trump.

Apesar dessas ações de influência, os serviços de inteligência afirmaram não ter encontrado evidências de que qualquer país tenha alterado registros de eleitores, votos, apuração ou qualquer aspecto técnico do processo eleitoral americano.

Segundo o relatório, uma operação estrangeira em larga escala para manipular a eleição dificilmente passaria despercebida pelos sistemas de monitoramento cibernético, pela inteligência americana e pelas auditorias realizadas após a votação.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-pronunciamento-acusacoes-falsas-interferencia-china-eleicoes/