Lula cobra Trump sobre tarifaço: “Brasil não aceita desaforo”

Lula em evento no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (17) que aguardará uma manifestação de Donald Trump antes de comentar de forma mais ampla o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Durante agenda no Rio de Janeiro, Lula também declarou que o Brasil não aceitará desrespeito de outros países.

“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira.”, disse.

Ao final do compromisso, o presidente voltou a defender uma postura de respeito nas relações internacionais. “Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo”, afirmou.

Lula visitou as instalações da carreta da saúde da mulher na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. A unidade móvel disponibiliza exames preventivos de saúde.

O governo dos Estados Unidos confirmou na noite de quarta-feira (15) a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil. A medida deve entrar em vigor na próxima quarta-feira (22) e foi adotada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

A apuração comercial havia sido aberta em julho do ano passado. Após a conclusão do processo, integrantes do governo brasileiro buscaram negociar com representantes dos Estados Unidos, mas as conversas não resultaram na retirada das tarifas.

O governo brasileiro classificou a medida como desproporcional e inaceitável. O Planalto rejeita os argumentos apresentados pelo USTR e considera que não há justificativa comercial para as sanções. A avaliação do Executivo é que a decisão norte-americana tem motivação política.

O Pix estava entre os principais pontos analisados na investigação. O relatório dos Estados Unidos acusa o Banco Central de favorecer o sistema brasileiro de pagamentos de maneira injusta e discriminatória em relação a outras formas de pagamento.

Nesta sexta-feira, os perfis de Lula nas redes sociais publicaram uma imagem com a frase “ninguém vai mudar nosso Pix. É público, é de graça e vai continuar assim”. A legenda dizia: “Nossa soberania não se negocia”.

Os Estados Unidos utilizaram a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para justificar a decisão. A legislação permite a adoção de tarifas contra países que, na avaliação do governo norte-americano, descumpram acordos ou adotem práticas comerciais consideradas prejudiciais. O USTR informou que as taxas poderão ser aumentadas ou reduzidas conforme a resposta brasileira.

Segundo estimativa do governo federal, as tarifas atingirão aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, considerando os números de 2024. O valor corresponde a US$ 7,4 bilhões. Entre os produtos afetados estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e itens químicos.

Cerca de 2 mil produtos ficaram fora da decisão anunciada pelos Estados Unidos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), porém, calcula um impacto maior e estima que US$ 11 bilhões em exportações estejam sob risco, o equivalente a 26% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

O governo Lula anunciou na quinta-feira (16) o reforço do Plano Brasil Soberano, programa que oferece linhas de crédito às empresas atingidas pelas tarifas. A administração federal também avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade, mas auxiliares do presidente analisam formas de utilizar o mecanismo sem provocar efeitos negativos sobre a economia brasileira.

Em nota, a Presidência informou que iniciará os procedimentos necessários para responder à medida dos Estados Unidos. “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o texto.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-reage-a-tarifaco-de-trump-e-diz-que-brasil-nao-aceita-desaforo/