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O caso da mãe que agrediu a filha de 16 anos e teve a violência gravada e vazada nas redes sociais evidencia os impactos da violência doméstica sobre crianças e adolescentes e reforça a necessidade de ampliar o acesso à saúde mental. A avaliação é da psicóloga Débora Sampaio, que afirmou que impor limites faz parte da educação, mas que agressões físicas “não são ferramenta educativa”.
Segundo a psicóloga, crianças e adolescentes devem encontrar nos pais sua principal referência de proteção, e não de violência. Ela afirmou que episódios como esse podem contribuir para a naturalização das agressões e influenciar a forma como essas vítimas se relacionarão ao longo da vida. “Limite é necessário, mas existem várias maneiras de educar e violência não é ferramenta educativa.”
Débora lembrou que o Brasil possui legislação que proíbe castigos físicos contra crianças e adolescentes e destacou que a violência praticada dentro de casa rompe a relação de confiança entre pais e filhos.
“O respeito tem a ver com vínculo, afeto e apoio. Quando os pais recorrem à violência, constroem uma relação baseada no medo. A agressão pode interromper um comportamento naquele momento, mas não ensina por que aquela atitude está errada. Isso não educa, traumatiza”, afirmou.
Para a psicóloga, um dos aspectos mais graves do caso foi a divulgação das imagens da agressão. Segundo ela, além da violência física, a adolescente foi submetida à exposição pública, o que prolonga os efeitos do trauma. “Na hora que a gente compartilha, a gente está revitimizando essa menina. O trauma não termina ali. A internet eterniza o que aconteceu.”
Ela explicou que esse processo é conhecido na psicologia como vitimização secundária, quando a vítima continua sendo exposta e revivendo a violência após o episódio. Débora também orientou que as pessoas deixem de compartilhar as imagens da adolescente.
“Agora ela vai voltar para a escola, vai ingressar no mercado de trabalho e a internet deixa marcas. Cada vez que alguém comenta ou compartilha esse vídeo, a violência se repete”, disse. A psicóloga ressaltou que o caso já está sendo acompanhado pelos órgãos competentes, incluindo Ministério Público, Vara da Infância e Juventude e Polícia.
Débora afirmou que o episódio também evidencia a necessidade de fortalecer a assistência em saúde mental oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tanto para crianças e adolescentes quanto para seus responsáveis.
Segundo ela, indicadores recentes mostram crescimento dos transtornos mentais no país. “Hoje a maior preocupação dos brasileiros é a saúde mental. Nunca tivemos tantos casos de crianças e adolescentes buscando tratamento para ansiedade nem tantos afastamentos do trabalho por questões de saúde mental.”
A psicóloga destacou que dificuldades financeiras, perdas familiares e outras situações de sofrimento podem agravar o desequilíbrio emocional, mas ressaltou que esse contexto não justifica a violência. “Nada justifica esse tipo de agressão. Muitas vezes os pais acabam descarregando nos filhos toda a carga emocional acumulada, e isso representa um grande risco.”
Após a divulgação de relatos de que outro filho da mulher também teria sofrido agressões anteriormente, Débora afirmou que toda a família precisa ser acompanhada. Segundo ela, os três filhos e a mãe necessitam de avaliação psicológica e de suporte especializado.
Ao comentar formas de disciplinar crianças e adolescentes, a psicóloga defendeu que a construção de regras deve ocorrer desde a infância e ser baseada no diálogo, na coerência e no exemplo dos pais. Ela afirmou que medidas como restringir temporariamente o uso do celular ou retirar privilégios podem ser utilizadas, desde que estejam relacionadas ao comportamento da criança ou do adolescente.
“Violência faz dor. Educação promove aprendizagem. O foco deve ser ensinar por que determinada atitude está errada, e não provocar sofrimento.” Débora concluiu afirmando que autoridade não se confunde com autoritarismo e que o exemplo dado pelos pais é um dos principais fatores na formação dos filhos. “A firmeza protege. A violência quebra o vínculo. A gente precisa focar na educação e na aprendizagem.”
Mulher que agrediu a filha diz que se arrependeu
A mulher de 44 anos presa em flagrante em Natal por agredir a filha de 16 anos e cortar o cabelo da adolescente afirmou, após obter liberdade provisória em audiência de custódia, que está arrependida e atribuiu o episódio a um momento de fragilidade emocional. Ela relatou enfrentar problemas psicológicos, dificuldades financeiras e perdas recentes na família.
O caso, que ganhou repercussão após a divulgação de vídeos das agressões, é investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA/Natal) e tramita em segredo de Justiça. A mulher foi autuada por tortura-castigo, mas teve a prisão substituída por medidas cautelares, incluindo a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial. A adolescente recebeu atendimento especializado.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/violencia-contra-filhos-nao-e-educativa/

