Hoje é o dia para Yamal bater seu mentor Messi na final da Copa e tomar seu lugar

Yamal e Messi em 2017

Há finais de Copa do Mundo que decidem apenas um campeão. E há finais que encerram uma época para iniciar outra.

A decisão deste domingo entre Argentina e Espanha pode ser uma dessas raras ocasiões em que a história parece preparada para passar o bastão diante dos olhos do mundo.

De um lado está Lionel Messi, aos 39 anos, o jogador que dominou o futebol por quase duas décadas e que chega àquela que pode ser sua última partida em Copas. Do outro, Lamine Yamal, de apenas 19 anos, o talento apontado há anos como o herdeiro natural do argentino.

A imagem que resume esse encontro foi registrada muito antes de ambos imaginarem que dividiriam uma final de Mundial. Em 2007, durante uma campanha beneficente da Unicef, um jovem Messi, então com 20 anos, deu banho em um bebê de seis meses chamado Lamine Yamal.

A fotografia ficou esquecida por anos até se transformar em uma das imagens mais simbólicas da história recente do futebol. Agora, quase duas décadas depois, o bebê encara o homem que o embalou.

Freud falava em “matar o pai” como a necessidade de o sujeito se libertar da dependência, da influência e das expectativas das figuras de autoridade para viver seus próprios desejos e escolhas. Yamal terá de matar Messi. Nada melhor que isso aconteça num palco como esse.

O futebol já produziu confrontos entre gigantes. Pelé e Beckenbauer jamais se enfrentaram em uma final de Copa. Cruyff e Beckenbauer decidiram o Mundial de 1974, mas ambos já eram consagrados.

Ronaldo enfrentou Zidane em 1998 quando os dois já pertenciam à elite do esporte. Até Messi e Mbappé, em 2022, representavam mais um duelo entre dois craques estabelecidos do que uma sucessão de gerações.

Nunca houve uma passagem de bastão tão explícita. Messi chega à decisão sem o brilho físico dos melhores anos, mas continua sendo o centro gravitacional da Argentina e um gênio absoluto. Tudo passa por ele. Contra a Inglaterra, nas semifinais, deu as duas assistências da vitória e mostrou que ainda decide jogos quando o cenário exige.

Yamal percorreu o caminho oposto. Sua Copa foi marcada por problemas musculares. A Espanha não dependeu exclusivamente dele porque o sistema coletivo de Luis de la Fuente funcionou quase à perfeição. Mas todos no elenco espanhol repetem a mesma frase desde os treinos: “É assim que você vai ganhar a final da Copa.”

Há uma expectativa silenciosa de que o melhor Yamal apareça justamente no momento mais importante. Seria o roteiro perfeito.

Para Messi, vencer significaria reforçar um legado que parecia impossível de ampliar depois do título conquistado em 2022. Uma segunda Copa do Mundo praticamente encerraria qualquer debate sobre sua posição entre os maiores da história.

Para Yamal, porém, o significado pode ser ainda maior. Ganhar uma Copa antes dos 20 anos, derrotando justamente Messi na final, seria a credencial definitiva para assumir o posto de principal jogador do planeta. O discípulo toma o lugar do mestre.

O passado diante do futuro. A fotografia de 2007 pode deixar de ser apenas uma coincidência extraordinária para se tornar o prólogo de uma nova era.

Se isso acontecer, este domingo será lembrado não apenas como o dia em que a Espanha conquistou uma Copa do Mundo, mas o dia em que Lamine Yamal deixou de ser o bebê da foto com Messi para se tornar o novo rei do futebol mundial.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/hoje-e-o-dia-para-yamal-bater-seu-mentor-messi-na-final-da-copa-e-tomar-seu-lugar/