Em funcionamento desde meados de junho, a Casa Feminista é o mais novo espaço de participação política, convivência e debate da Vila Madalena, em São Paulo. Localizada na altura do número 903, da rua João Moura, a iniciativa, que tem como fundadoras três companheiras da velha-guarda da luta feminista – Rita Sipahi, Guida Amaral e Cuca Amaral –, tem por objetivo integrar a população idosa do bairro à agenda de candidatos progressistas às próximas eleições, agendadas para outubro.
A lei eleitoral define como facultativo o voto às pessoas com mais de 70 anos. É justamente esse grupo que a casa pretende mobilizar. “Nós ocupamos um espaço que parecia estar vago no mundo da política atual. E agora surgem pessoas de todos os lados querendo participar e nos apoiar”, declara Cuca Amaral.
Como forma de se aproximar da comunidade do bairro e promover o convívio entre pessoas idosas, a casa tem promovido encontros de bordado político e atividades de letramento sobre temas de utilidade pública, como foi o bate-papo sobre os efeitos do El Niño, ministrado pelo físico e diretor do InfoClima Délcio Rodrigues. “Como nós somos pessoas de idade, pensamos em aglutinar velhos do bairro”, conta Cuca.
“A partir do dia 15 de agosto, quando as campanhas forem lançadas, talvez a gente também saia às ruas para distribuir folhetos e promover ações mais diretamente envolvidas com políticos”, explica Guida.
A relação de igualdade – conta Rita – tem contribuído para que as atividades promovidas pela casa sejam bem recebidas pelos habitantes do bairro.
Em sua programação recente, a casa recebeu o historiador e professor de História e Cultura do Brasil na Brown University James Green para uma palestra sobre os riscos de interferência do governo Trump nas eleições brasileiras.
A casa, como outras iniciativas comunitárias, pretende se contrapor a esse tipo de ataque anti-democrático coletivamente, “mobilizando as pessoas e fazer-as pensar junto, pois não temos fórmulas prontas; escolhemos um lado que tem uma verdade que eles não têm. As fake news, as mentiras, as inverdades todas serão enfrentadas desta forma: fazendo as pessoas pensarem”, pontua Rita
Otimistas, elas afirmam que a casa tem data de validade: o dia seguinte às eleições, “no dia em que Lula, Haddad e Simone Tebet e Marina ganharem” – mas têm como sonho a organização contínua das mulheres impactadas pela casa para defender as políticas públicas pautadas por seus candidatos.
“Vamos apoiar Lula, Haddad, Simone Marina como majoritários, mas também todas as deputadas e deputados do campo democrático. Na casa, há pessoas muito diversas. Não é porque são feministas, que são todas iguais. Temos estilos de trabalho e de militância diferente. E isso dá uma riqueza para o que nós estamos fazendo”, diz Cuca.
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/casa-feminista-reune-mulheres-e-idosos-em-torno-da-participacao-politica/

