Setor educacional sofre maior intensidade de ataques cibernéticos por dispositivo

O setor educacional registrou a maior intensidade de ataques cibernéticos por dispositivo entre todos os segmentos monitorados pela SonicWall no primeiro semestre de 2026. Os dados constam do “Education Protect Brief 2026”, relatório divulgado nesta terça-feira (8) pela empresa de segurança cibernética.

O estudo é um complemento ao “SonicWall 2026 Cyber Protect Report” e foi elaborado especificamente para o setor de ensino. O levantamento aponta 81.879 detecções de prevenção de intrusão (IPS) por dispositivo no período, índice superior ao de qualquer outro setor analisado.

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Domínio das explorações de VoIP

A principal ameaça identificada no relatório é a exploração de sistemas de Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP). A ferramenta de ataque SIPVicious gerou 90 milhões de detecções combinadas no primeiro semestre de 2026 e respondeu por 50,5% de todos os eventos de IPS no setor educacional. Nenhum outro segmento monitorado registrou concentração semelhante.

Os sistemas de VoIP implantados em campi funcionam como ponto de entrada para redes que também abrigam registros de saúde de alunos, dados de auxílio financeiro e pesquisas proprietárias. Um Protocolo de Iniciação de Sessão (SIP) comprometido vai além do risco de fraude telefônica; o acesso se estende a toda a infraestrutura compartilhada.

“Metade de todos os ataques contra o setor educacional tem um único alvo, e não é aquele para o qual a maioria dos distritos está reservando verba para se defender”, diz Michael Crean, vice-presidente sênior de Serviços Gerenciados da SonicWall. “Firewalls são essenciais para a segurança do perímetro, mas não conseguem defender o que não estão configurados para inspecionar. Deixar terminais SIP legados desprotegidos dentro da rede anula o investimento no perímetro”.

Vulnerabilidades antigas sem correção

Além da exploração de VoIP, o relatório aponta que falhas conhecidas há anos seguem sem correção em redes educacionais. A vulnerabilidade de injeção de comando nas câmeras de protocolo de internet (IP) da Hikvision, divulgada em 2021, foi detectada em 605 dispositivos no conjunto de dados, abrangendo 28% de todas as redes educacionais monitoradas.

O Apache Log4j2 acumulou 6,7 milhões de detecções no mesmo período, indicando que sistemas de gestão de aprendizagem (LMS) e middleware administrativo ainda operavam com software vulnerável em 2026. O MongoBleed somou 2,5 milhões de ataques contra back-ends de pesquisa e sistemas de LMS, segundo o levantamento.

O setor também registrou 16.242 detecções de malware por dispositivo, quase 3,5 vezes a taxa observada no varejo. Quarenta e quatro instituições de ensino detectaram campanhas ativas de ransomware no primeiro semestre de 2026, incluindo a família Ryuk, de nível empresarial, atuando em conjunto com ameaças mais oportunistas. Do total de ataques de ransomware registrados, 75,7% foram invasões direcionadas a registros regulamentados de alunos e a pesquisas financiadas por bolsas.

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Estrutura de rede como fator de risco

O relatório aponta que a arquitetura de rede do setor educacional é estruturalmente mais exposta do que a de outros segmentos. Campi universitários e distritos escolares operam redes abertas por natureza; dispositivos de alunos, sistemas de pesquisa do corpo docente, portais públicos, plataformas de aprendizagem de terceiros e bancos de dados administrativos compartilham a mesma infraestrutura.

A política de “traga seu próprio dispositivo” (BYOD) é descrita no estudo não como uma escolha de segurança, mas como a base fundamental da arquitetura de rede do ensino superior.

“A educação tem a superfície de ataque mais exposta de todos os setores que acompanhamos, e os dados mostram que os invasores sabem disso”, afirma Crean. “Os terminais do setor educacional sofrem a maior pressão de ataques por dispositivo em todo o nosso conjunto de dados. Portas de rede destrancadas continuam sendo a realidade operacional, e os agentes de ameaças estão se aproveitando ativamente disso”.

O modelo Zero Trust como resposta

A SonicWall aponta o modelo Zero Trust como solução para o problema estrutural identificado. Nessa abordagem, a verificação de identidade e permissões é aplicada continuamente, e não apenas uma vez no perímetro da rede. Com isso, credenciais antigas não mantêm acesso sem controle, e um login comprometido fica restrito ao aplicativo para o qual foi emitido, sem alcançar bancos de dados de pesquisa ou interfaces de gerenciamento de câmeras.

“A maior intensidade de ataques por dispositivo entre todos os setores que monitoramos exige um modelo de segurança desenvolvido especificamente para a educação, e não uma versão remendada do que funcionava para uma rede menor e menos aberta”, diz Crean. “A educação não precisa fechar suas portas para ser segura. Ela precisa saber quem está passando por elas”.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/educacao-lidera-ataques-ciberneticos/