Gilmar volta a detonar “vazamentos seletivos” de Mendonça em defesa a Gonet e chefe da PF

Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. Foto: Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao criticar decisões do ministro André Mendonça na investigação sobre o Banco Master. Gilmar afirmou que medidas tomadas durante o inquérito causaram danos à reputação de pessoas e às instituições.

Em publicação nas redes sociais, Gilmar disse que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal de não abrir investigação contra Gonet confirma que não há impedimento para o procurador-geral continuar nos processos ligados ao banco. Para o decano, tampouco existe elemento que pudesse “arranhar a reputação construída em décadas de serviço público”.

O ministro acusou Mendonça, relator do caso Master, de ter feito insinuações contra Gonet e de só reconhecer posteriormente a fragilidade delas. “Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas”, escreveu.

Gilmar avaliou que a revisão das suspeitas ocorreu tarde, porque o sigilo já havia caído e as informações já tinham circulado. Ele também associou o avanço da investigação ao calendário eleitoral e classificou o episódio como resultado de “vazamentos seletivos”.

Gilmar também contesta afastamento de Andrei Rodrigues

Na mesma manifestação, Gilmar voltou a defender Andrei Rodrigues, delegado de carreira e diretor-geral da Polícia Federal. Mendonça determinou o afastamento de Andrei do comando da corporação, mas a decisão acabou revertida pouco depois.

O decano classificou o afastamento como uma “medida desproporcional, de efeitos institucionais imprevisíveis”. Segundo ele, a ordem desarticulou temporariamente a direção do órgão responsável pela segurança das fronteiras e pela repressão a crimes graves de caráter transnacional.

Gilmar sustentou que os casos de Gonet e Andrei são distintos, mas apontam, em sua avaliação, para o mesmo problema: decisões individuais de grande alcance tomadas “de afogadilho” durante a investigação. Ele voltou a defender que a figura do juiz de garantias também tenha aplicação no STF.

Os dois ministros já protagonizaram um embate no julgamento realizado na semana anterior, quando Mendonça reconheceu a fragilidade das acusações envolvendo Gonet. Gilmar respondeu de imediato e chegou a chamar o colega de “sujeito”; o gabinete de Mendonça ainda não havia respondido às novas declarações.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/gilmar-mendes-critica-andre-mendonca-defende-gonet-master/