Parcial de votos no exterior: Lula avança 2,76 pontos percentuais em relação a 2022 enquanto Flávio recua

A parcial de votos no exterior mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliando sua participação nos votos válidos em relação ao primeiro turno de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece abaixo do percentual obtido pelo pai nos mesmos locais há quatro anos.

Levantamento da Fórum com 23 recortes já encerrados e diretamente comparáveis aponta que Lula passou de 23,96% em 2022 para 26,72% dos votos válidos em 2026, até o momento. O avanço é de 2,76 pontos percentuais.

Jair Bolsonaro havia obtido 61,22% dos votos válidos nesses mesmos recortes em 2022. Flávio registra agora 60,56%, queda de 0,66 ponto percentual na comparação.

A diferença também aparece quando se observa o crescimento do eleitorado que efetivamente votou nesses locais. Os 23 recortes somavam 43.377 votos válidos em 2022. Neste domingo (4), chegam a 48.033, alta de 10,73%.

Os votos de Lula, porém, aumentaram em ritmo superior: passaram de 10.393 para 12.834, crescimento de 23,49%. Jair Bolsonaro havia recebido 26.555 votos no mesmo conjunto; Flávio soma 29.090, alta de 9,55%.

O cruzamento utiliza os resultados do primeiro turno de 2022 disponíveis na base de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os boletins de urna já publicados no exterior em 2026. Só entram na conta locais com votação encerrada, total de votos válidos conhecido nas duas eleições e recorte territorial compatível.

PARCIAL NO EXTERIOR
23 recortes completos comparados com 2022
Lula: 23,96% → 26,72% (+2,76 pp)
Jair em 2022 / Flávio em 2026: 61,22% → 60,56% (-0,66 pp)
Votos válidos: 43.377 → 48.033 (+10,73%)

Parcial de votos no exterior: Lula melhora percentual em 15 de 23 recortes

A alta no agregado é acompanhada por avanço de Lula em 15 dos 23 recortes comparados. Em oito, o percentual do presidente fica abaixo do registrado no primeiro turno de 2022.

As maiores variações ocorrem em alguns dos menores colégios eleitorais, razão pela qual elas têm impacto limitado sobre a soma geral. Ainda assim, mostram mudanças expressivas de comportamento entre uma eleição e outra.

No Kuwait, Lula salta de 20,93% para 73,97% dos válidos. Na Jordânia, passa de 61,23% para 86,21%. Na Arábia Saudita, vai de 48,15% para 62,65%.

A China continental também aparece entre os principais avanços. Na soma de Pequim, Xangai e Cantão, Lula tinha 48,54% em 2022 e chega agora a 65,70%. Flávio marca 24%, ante os 35,38% obtidos por Jair Bolsonaro quatro anos atrás.

No Egito, Lula passa de 60% para 71,88%; no Quênia, de 49,02% para 56,52%; e na Finlândia, de 62,40% para 68,54%.

A direção não é uniforme. Em Israel, ocorre a maior queda do presidente entre os recortes comparados: de 39,37% para 13,07%. Flávio, por sua vez, registra 74,29%, contra 45,98% de Jair Bolsonaro em 2022.

Lula também recua em Chipre, Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia, Estônia, Taiwan e Nova Zelândia.

Austrália e Japão pesam mais no resultado agregado

As mudanças percentuais precisam ser lidas junto com o tamanho de cada colégio. Um avanço de dezenas de pontos em uma seção com poucos eleitores tem efeito muito menor no resultado agregado do que uma oscilação pequena em países onde milhares de brasileiros votam.

É o caso da Austrália. Lula recebeu 4.562 votos, equivalentes a 56,11% dos válidos, contra 2.579 de Flávio, ou 31,72%. Há quatro anos, Lula tinha 54,86% e Jair Bolsonaro, 28,75%.

No Japão, maior concentração de votos deste bloco, Flávio mantém larga vantagem. Na soma dos 119 boletins utilizados pelo levantamento, o candidato do PL registra 24.601 votos, ou 71,70% dos válidos. Lula tem 5.234, ou 15,30%.

Em 2022, Jair Bolsonaro havia recebido 72,21% dos válidos no Japão e Lula, 13,49%. Assim, apesar da vantagem de Flávio permanecer ampla no país, o percentual do candidato do PL fica ligeiramente abaixo do resultado do pai, enquanto Lula cresce 1,81 ponto.

Flávio fica abaixo de Jair em 12 dos 23 recortes

Na comparação país a país, Flávio Bolsonaro registra percentual inferior ao obtido por Jair Bolsonaro em 12 dos 23 recortes. Em outros 11, aparece acima.

Entre as quedas estão China continental, Malásia, Hong Kong, Filipinas, Egito, Quênia, Arábia Saudita, Catar, Grécia, Jordânia, Kuwait e Japão.

Na Malásia, Jair tinha 42,11% em 2022 e Flávio registra 32,93%. No Egito, a participação cai de 30% para 18,75%. Na Jordânia, de 19,38% para 7,54%.

Há também altas importantes. Além de Israel, Flávio supera a marca do pai na Tailândia, Coreia do Sul, Chipre, Taiwan, Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, Finlândia, Estônia e Singapura.

Índia e Turquia ainda estão fora da comparação

O levantamento tem resultados de outros países que ainda não entram nos 23 recortes usados para calcular a variação agregada.

Na Índia, uma das duas seções ainda estava pendente na última checagem. O resultado disponível de Nova Délhi registra 24 votos para Lula e 26 para Flávio, mas não pode ser confrontado com o resultado completo do país em 2022.

Na Turquia, também havia apenas uma de duas seções disponíveis. A parcial apontava 70,9% para Lula e 23,6% para Flávio.

Os Emirados Árabes Unidos já tinham todas as seções encerradas, com 512 votos para Lula e 659 para Flávio, mas o total exato de votos válidos de 2026 ainda não estava explicitado na fonte utilizada para fechar o agregado.

A Síria também fica fora porque não há votação presidencial equivalente em 2022 para permitir uma comparação direta. Os boletins deste ano registram 97 votos para Lula e sete para Flávio.

Totalização oficial começa às 17h

Os números desta reportagem são obtidos a partir de boletins de urna divulgados após o encerramento da votação em cada seção no exterior. Eles não correspondem ainda à totalização oficial da eleição presidencial.

O TSE explica que cada urna faz sua própria apuração e emite um Boletim de Urna ao fim da votação. A totalização é a etapa posterior, quando esses resultados são recebidos e somados pela Justiça Eleitoral.

A divulgação oficial dos resultados para presidente começa às 17h, no horário de Brasília, inclusive para os votos do exterior. :chatgpt-content-reference{index=”0″}

A Fórum acompanha a evolução do voto no exterior desde as primeiras urnas encerradas na Ásia e na Oceania e seguirá atualizando o levantamento conforme novos países possam ser incorporados à comparação com 2022.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/parcial-de-votos-no-exterior-26/