Governo Trump investiga cidadania de deputada muçulmana para deportá-la, diz WSJ

A deputada democrata Ilhan Omar, que vêm sido perseguida pelo governo Trump. Foto: Elizabeth Frantz/Reuters

O governo de Donald Trump investiga a deputada democrata Ilhan Omar com o objetivo de retirar sua cidadania estadunidense e, posteriormente, tentar deportá-la, segundo o Wall Street Journal. O gabinete da parlamentar, uma das principais críticas do presidente no Congresso, classificou a investigação como sem fundamento.

As autoridades examinam documentos migratórios da família e emitiram mais de uma dezena de intimações, inclusive para parentes, a fim de colher depoimentos perante um grande júri em Minnesota. Nascida na Somália, Omar chegou aos Estados Unidos em 1995, depois de viver em um campo de refugiados no Quênia, e se tornou cidadã em 2000.

A suspeita investigada é se Omar ou seu pai, morto em 2020, alteraram sua idade nos documentos para indicar que ela tinha 17 anos, e não 18, quando ele solicitou a cidadania. Segundo o jornal, os investigadores procuram determinar se isso teria permitido que ela fosse naturalizada por meio do pai, sem um processo individual. A deputada já negou fraude migratória.

A ofensiva ocorre depois da busca realizada por agentes federais na residência de Omar, em Washington, na segunda-feira (12). De acordo com pessoas ouvidas pelo WSJ, foram apreendidos passaporte, celular, computadores pessoais e cadernos. O Departamento de Segurança Interna afirmou que a operação integra uma investigação federal em andamento e foi autorizada judicialmente.

ICE HSI Ilhan Omar
Agentes de Investigações de Segurança Internas (HSI) em operação na casa de Ilhan Omar. Foto: Annabelle Gordon/Reuters

O jornal também informou que uma alegação semelhante foi examinada durante o governo de Joe Biden, mas não avançou por falta de evidências de fraude. A morte do pai da parlamentar dificulta esclarecer quem teria fornecido as informações contestadas e se houve uma declaração falsa de Omar.

A reportagem não informou a apresentação de uma ação judicial para retirar a cidadania da deputada. A investigação, por si só, não cancela sua naturalização nem autoriza sua deportação: essas medidas dependeriam de procedimentos judiciais.

Omar disputa seu quinto mandato pela região de Minnesota nas eleições legislativas de 3 de novembro. Depois da busca em sua casa, acusou o governo de intensificar a perseguição a adversários políticos. Trump, por sua vez, negou participação na operação e afirmou que o assunto cabia ao Departamento de Justiça.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governo-trump-investiga-cidadania-de-deputada-muculmana-para-deporta-la-diz-wsj/