O projeto do A.C.Camargo Cancer Center para ampliar o diagnóstico digital de câncer pelo SUS reduziu o tempo médio nacional de liberação de laudos de 30 para oito dias em 2026. Os números foram apresentados nesta quinta-feira (5), durante o Dell Technologies Forum 2026, em São Paulo, pela coordenadora médica de Inovação e Tecnologia do hospital, Adriana Passos Bueno, ao detalhar os desafios tecnológicos para escalar a iniciativa.
A expansão da patologia digital no Brasil pode gerar até 5 terabytes de imagens médicas por dia em laboratórios de grande porte. Na patologia digital, pequenas amostras de tecidos retiradas dos pacientes, geralmente por meio de biópsias, são colocadas em lâminas de vidro e escaneadas. As imagens de alta resolução permitem que médicos analisem o material pelo computador, mesmo a distância.
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Segundo Adriana, cada lâmina digitalizada pode ocupar aproximadamente 1 gigabyte. Em um laboratório que processe entre quatro mil e cinco mil lâminas diariamente, isso representa de 4 TB a 5 TB de dados. O cálculo ilustra a demanda potencial de infraestrutura, não o volume atualmente processado pelo hospital.
“Não basta adquirir um scanner para digitalizar as lâminas. É necessário desenvolver todo um ecossistema e uma infraestrutura capaz de sustentar esse processo. A tecnologia, isoladamente, não é suficiente”, afirmou Adriana.
A discussão está relacionada ao Super Centro Brasil para Diagnóstico do Câncer, projeto desenvolvido pelo A.C.Camargo em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do PROADI-SUS. A iniciativa conecta laboratórios regionais a especialistas, permitindo que exames sejam analisados remotamente.
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Infraestrutura e qualidade
O processamento das imagens exige capacidade de armazenamento, transmissão de dados e sistemas que garantam a integridade das informações. Como os arquivos são utilizados para identificar características dos tumores e orientar tratamentos, a qualidade precisa ser preservada desde a preparação das amostras até a análise médica.
Para isso, o A.C.Camargo também informatizou etapas de preparação e pré-análise dos materiais, incorporando mecanismos de rastreabilidade e controle de qualidade.
“Lâmina ruim é dado ruim. Se a lâmina não chega com qualidade no scanner, eu não consigo entregar esse dado com qualidade na mão do médico. O projeto não vai se sustentar”, afirmou Adriana.
A infraestrutura permite que imagens produzidas em laboratórios regionais sejam compartilhadas com patologistas de outras localidades. O modelo busca reduzir a dependência do transporte físico das amostras e ampliar o acesso a especialistas, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Em algumas localidades, os materiais precisam percorrer de 400 a 500 quilômetros até chegar a um laboratório especializado.
Diagnósticos mais rápidos
O Super Centro Brasil realizou 56,5 mil procedimentos em 2026 até setembro, alcançando 25 unidades da Federação, segundo o Ministério da Saúde. A rede conta com três centros regionais de patologia digital, em Manaus (AM), Teresina (PI) e Diamantina (MG). Outros cinco estavam em obras, conforme atualização do governo federal em outubro.
Durante o evento, Adriana relatou que, em determinadas localidades, exames que antes levavam de 30 a 60 dias passaram a ser concluídos em cinco a dez dias.
A expansão da rede busca aproveitar a infraestrutura dos centros regionais para atender municípios vizinhos, sem exigir a instalação de equipamentos completos em cada unidade de saúde. A estratégia também envolve a reorganização dos fluxos de trabalho e o compartilhamento da capacidade diagnóstica entre diferentes localidades.
“A expansão da rede não depende necessariamente da instalação de mais equipamentos, mas da capacidade de integrar as tecnologias existentes e compartilhar recursos entre diferentes localidades”, afirmou Adriana.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/a-c-camargo-enfrenta-desafio-5-tb-diarios/

