Itamaraty toma decisão sobre crise no Paraguai após queda de Peña

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), provocou preocupação entre integrantes do governo Lula, mas o Ministério das Relações Exteriores não pretende se manifestar sobre a crise política no país vizinho. A avaliação do Itamaraty é que o episódio, desencadeado pela quebra do banco digital Ueno, deve ser resolvido pelas próprias instituições paraguaias, sem interferência externa.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, diplomatas brasileiros consideram a renúncia um assunto interno do Paraguai e defendem que os desdobramentos ocorram dentro das regras constitucionais do país.

A posição contrasta com a preocupação manifestada nos bastidores do Palácio do Planalto. Integrantes da área política temem que a instabilidade em Assunção provoque novos desgastes nas relações entre governos latino-americanos.

O avanço de forças de direita na região já vinha dificultando a construção e a manutenção de canais de diálogo, segundo aliados de Lula. A crise paraguaia acrescenta um novo fator de incerteza a esse cenário.

Crise bancária e impeachment

Peña anunciou sua renúncia após perder sustentação política em meio às denúncias de irregularidades envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de liquidação nesta semana.

O fechamento do banco, que tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, provocou protestos e deixou correntistas temporariamente sem acesso aos recursos depositados.

O presidente paraguaio foi acionista de uma empresa vinculada ao grupo controlador da instituição até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses e de responsabilidade por supostas irregularidades na gestão do banco.

Mesmo após o anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou, por 78 votos a zero, a abertura do processo de impeachment contra Peña.

A oposição defende a destituição para impedir que o presidente tenha acesso às prerrogativas reservadas a ex-mandatários, incluindo uma cadeira vitalícia no Senado.

A decisão sobre a renúncia e o andamento do impeachment ainda depende das instâncias competentes do Congresso paraguaio.

Enquanto isso, a diplomacia brasileira mantém a orientação de acompanhar os acontecimentos sem emitir um posicionamento oficial sobre o futuro político de Peña.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/itamaraty-crise-paraguai/