BC de Bolsonaro promete juros alucinantes e arrocho até o fim dos tempos – Hora do Povo

Paulo Guedes, Bolsonaro e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ata do Copom concluiu que taxa de 13,25% é muito pouco e vai arrochar ainda mais o país. E, tomem nota, por um longo tempo, a perder de vista

O Brasil está assistindo a um show de horrores na condução da política econômica do governo Bolsonaro. Por um lado, a política de dolarização geral dos produtos provoca a explosão de preços e a subida da inflação. Em resposta, o Banco Central eleva os juros, medida sabidamente ineficaz contra uma inflação, que não é de demanda, e acaba sufocando ainda mais a economia.

PERMANECER EM PATAMARES ALTOS

E o pior é que a ata do Copom (Conselho de Política Monetária do BC), divulgada nesta terça-feira (21), afirma que esta estupidez vai continuar indefinidamente. “A Selic vai precisar subir mais e permanecer em um patamar mais alto por mais tempo para combater a inflação”, diz a nota. Ou seja, o setor rentista da sociedade, que vive da especulação, vai seguir sendo beneficiado pelo governo em detrimento de quem produz e trabalha.

Qualquer aluno de economia sabe que quando a inflação não é provocada por excesso de demanda, o remédio não deve ser a elevação da taxa de juros para reprimir a demanda. A atual inflação brasileira não é de demanda. Até porque o desemprego está em alta e a renda dos consumidores está em queda. O que está provocando a inflação é, centralmente, a dolarização dos preços dos combustíveis por conta da Política de Paridade de Importação de derivados, mantida por Bolsonaro.

Não é só a insistência de Bolsonaro em manter essa política de preços desastrosa da Petrobrás, que cobra preços extorsivos da população pelos derivados em benefício exclusivo de seus acionistas, a maioria estrangeiros. Ele desestruturou a Eletrobrás, não investiu na ampliação das fontes de energia e acabou até vendendo a estatal. Com isso, o Planalto deixou os consumidores brasileiros serem assaltados com as tarifas de energia mais caras do mundo e que não pararam de subir.

GOVERNO CAUSOU INFLAÇÃO

Isso sem falar da destruição de todo o estoque regulador de alimentos. Paulo Guedes se gabava de ter vendido todos os armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que eram responsáveis pelos estoques reguladores. Os produtores foram estimulados a vender seus produtos no mercado internacional. A desvalorização do real fez com que este setor exportador ganhasse muito dinheiro lá fora e se recusasse a colocar seus produtos no mercado interno. Quando o faziam, obviamente queriam cobrar o mesmo preço pago lá fora em dólar.

Em suma, os preços administrados subiram, a dolarização da economia se generalizou, faltaram estoques e houve descontrole do mercado interno. Para piorar a situação, veio o desarranjo nas cadeias de suprimento que se seguiu à pandemia de covid-19. Isso agravou o choque de oferta que fez explodir a inflação. Não tem absolutamente nada a ver com excesso de demanda.

E para agravar esse cenário ja caótico, Bolsonaro ainda contribuiu para aumentar o desastre com suas ameaças às instituições e outras sandices, que fizeram disparar o dólar, e, com ele, a inflação.

A população sofre duas vezes com a insanidade do governo. Com a alta dos preços e a queda do poder de compra, por um lado, e pela alta dos juros que encarecem as prestações, os financiamentos e dificultam os empréstimos, por outro. As justificativas são as mais variadas. “Tanto a dinâmica inflacionária de curto prazo quanto as projeções mais longas se deterioraram, apesar de o ciclo de aperto monetário corrente ter sido bastante intenso e tempestivo”, diz a ata. Qualquer coisa que acontece no mundo é motivo para essa gente aumentar os juros. Afinal, eles são pagos para isso.

NADA A VER COM EXCESSO DE DEMANDA

Ou seja, o governo provoca a inflação com os mecanismos acima descritos, que não têm nada a ver com excesso de demanda, e o Banco Central, para “enfrentar” a alta, eleva as taxas de juros que, obviamente, não têm nenhum efeito nesse tipo de inflação. O resultado é claro: mais inflação.

O documento destaca que a forte alta dos juros “ainda não foi sentida completamente na economia”. Diz que “devido às defasagens de política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado bem como seu impacto sobre a inflação corrente”. Traduzindo: eles acham pouco e querem mais juros altos.

O que faz então o governo? Eleva ainda mais os juros numa espiral que leva a economia do país ao fundo do poço. Essa estupidez de Bolsonaro e do Banco Central só traz sofrimento ao povo brasileiro e ao setor produtivo e está provocando a estagflação, ou seja, inflação com estagnação econômica.

Eles até apelidaram esta ação desastrosa do BC de ‘hawkish’, ou seja, uma atuação típica de um falcão. Na verdade ficaria melhor se os diretores do BC fossem comparados com aves de rapina ou mesmo com abutres.

Como se não bastasse a ata do BC, os “analistas” do mercado recomendam outras atrocidades contra o país. “Sobre a política fiscal, a ata reforça a mensagem do comunicado pós-decisão, de que as incertezas sobre o futuro das contas públicas do país e as políticas de sustentação da demanda agregada podem trazer riscos altistas ao cenário inflacionário. E que as medidas fiscais em tramitação no Congresso aumentariam a expectativa de inflação para 2023”, sugere Caio Megale, economista-chefe da XP.

Fonte: horadopovo.com.br/banco-central-de-bolsonaro-promete-juros-alucinantes-e-arrocho-ate-o-fim-dos-tempos