Bolsonaro insinua que não o voto, mas 'só Deus' pode tirá-lo da cadeira de presidente – Hora do Povo

Jair Bolsonaro em Curitiba (reprodução)

Pegou carona na ’28ª Marcha para Jesus’ para dizer que não quer largar o osso de jeito nenhum. Ele sabe que quem vai tirá-lo do governo é o povo brasileiro, com o seu voto. E com a benção de Deus, é claro

Jair Bolsonaro se deslocou até Curitiba nesta sábado (21), não para anunciar medidas administrativas em resposta aos problemas da inflação descontrolada, do preço da gasolina, do diesel ou do gás de cozinha que não param de subir, ou do desemprego de 12 milhões de pessoas, ou mesmo para anunciar investimentos públicos. Nada disso.

Ele foi lá pegar carona na celebração da 28ª Marcha para Jesus. É isso mesmo. Bolsonaro não governa. Só passeia e faz discursos sem apresentar solução para nada. Enquanto isso o país fica à deriva e a economia se afunda numa de suas piores crises.

Mas, o que mais chamou a atenção dos observadores em Curitiba foi o que ele disse no discurso que fez de cima de um trio elétrico montado por seus correligionários na Praça Santos Andrade. “Só Deus me tira daquela cadeira de presidente”, disse ele.

Bolsonaro está errado. Quem vai tirá-lo do Planalto em outubro não é Deus, nem nenhum outro ser divino, mas sim o povo brasileiro. Vai tirá-lo de lá com a graça de Deus, é verdade, mas é o eleitor que vai fazer isso. Vai sair pelo voto eletrônico de milhões de eleitores. Bolsonaro pode fingir que não sabe mas monarquia e o “poder divino” acabaram já fazem 133 anos.

Defensor da distribuição de armas, apoiador de milicianos – discursou em apoio ao pistoleiro Adriano da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras, e assassino profissional – Bolsonaro voltou a dizer que seu governo “acredita em Deus”. Ele precisa repetir isso a toda hora porque Cristo não pregava a violência como ele e seus milicianos fazem. Diz que respeita os seus militares, mas foi obrigado a se afastar das FFAA após julgamento de seus pares por indisciplina e atos terroristas.

Com a família envolvida em crimes de rachadinha, desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro, Bolsonaro repetiu também que defende a família brasileira e deve lealdade ao seu povo. “O nosso exército é o povo brasileiro. Vocês nos dão o norte. Vocês participam hoje de um movimento que é tradição em várias capitais do Brasil. Louvando a Ele, o responsável por ter nos colocado aqui”, afirmou Bolsonaro, manipulando a religiosidade do povo.

O mandatário ainda voltou a dizer que estar à frente do Executivo federal é uma “missão” e que é seu dever fazer com que todos atuem dentro das “quatro linhas da Constituição”. “É um dever meu fazer com que todo aquele que esteja fora das quatro linhas da Constituição venha para dentro da mesma”, declarou.

Mais uma mentira. Não é ele o responsável pela defesa da Constiuição. Ou das quatro linhas, como ele diz. O presidente tem que respeitar a Constituição, assim como qualquer brasileiro. E quem tem a obrigação de zelar por este respeito de todos à Constituição é o Supremo Tribunal Federal (STF) que age em defesa da Carta Magna sempre que é provocado.

É por isso que Bolsonaro ataca os ministros do STF. Ele não quer aceitar que o Judiciário cumpra o seu papel de defensor maior da Constituição. Faz isso porque quer rasgá-la. Tentou várias e foi barrado pelos ministros do STF.

Ele viajou para fazer campanha eleitoral na capital paranaense já na noite de sexta-feira (20). No final da semana passada estava passeando de jet ski no Lago Paranoá, em Brasília, e depois saiu em motociata pela cidade. Agora, neste sábado, logo no início da manhã, ele se encontrou com seguidores no Teatro Guairinha, no centro da cidade. Em seguida, caminhou até a praça Santos Andrade e subiu no trio elétrico de campanha onde discursou.

Fonte: horadopovo.com.br/bolsonaro-insinua-que-nao-o-voto-mas-so-deus-pode-tira-lo-da-cadeira-de-presidente