Desmatamento aumenta 40% no cerrado maranhense

O resultado do projeto Prodes Cerrado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgado recentemente apontou que o estado do Maranhão foi o que apresentou a maior área de desmatamento (1.836,14 km²), respondendo por 25% das perdas no bioma. Em seguida vem os estados do Tocantins (1.565,88 km2) e Bahia (919,17 km2).

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Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) os dados de desmatamento no bioma Cerrado para o ano de 2020 totalizou 7.340 km2 correspondente ao período de agosto de 2019 a julho de 2020. Esse valor representa um aumento de 13% em relação ao ano de 2019, último período divulgado.

Em comparação com 2019, a área de vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado aumentou 40,22%, passando de 1.309,50 km2 para 1.836,14 km2 no Maranhão. Essa variação do incremento de desmatamento acumulado no bioma Cerrado pode incidir diretamente sobre a ocorrência de impactos ambientais ao meio ambiente.

O cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, com área que se estende por pouco mais de dois milhões de quilômetros quadrados, ocupando 22% do território brasileiro e abrangendo os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo, além do Distrito Federal, além dos enclaves no Amapá, Roraima e Amazonas.

O Cerrado é responsável pela produção de 40% da água no Brasil e abriga as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul — Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata, o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.

Rico em frutos nativos como: araticum, buriti, pequi e cagaita, o cerrado também é lar de diversas comunidades que sobrevivem de seus recursos naturais, a exemplo de etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros, que fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Segundo Thereza Christina Pereira Castro, Vice Coordenadora Nacional do Fonasc-CBH (Fórum Nacional da Sociedade Civil na Gestão dos Comitês de Bacias Hidrográficas), o Cerrado “convive” com altíssimo índice de desmatamento potencializados no último ano pelo enfraquecimento da fiscalização do desmatamento e das políticas de mudança climática no Brasil, que catalisaram o aumento do desmatamento ilegal na Amazônia e alarmantes taxas de incêndio. “A destruição da floresta é uma ameaça não apenas ao bioma, ao Maranhão, mas à vida e ao futuro de todos nós. A Amazônia é fundamental para regular o sistema climático global e para espalhar chuva para outras regiões do país. Se não pressionarmos para barrar a destruição, essa conta, que já começou a chegar, vai ficar cada dia mais cara. Um artigo recentemente publicado na revista Land Use Policy mostra que a porção de Amazônia existente no estado do Maranhão já perdeu 76% das suas florestas originais e que um quarto da vegetação florestal remanescente está degradada por incêndios criminosos e pela atividade madeireira ilegal”, disse.

O estudo foi publicado por cientistas de diferentes centros e universidades, entre os quais estão o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as Universidades Estadual e Federal do Maranhão (UEMA e UFMA, respectivamente), o Conselho Consultivo da Reserva Biológica do Gurupi e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), e apresenta dados do alto grau de fragmentação das paisagens florestais e evidencia a inexistência de áreas contíguas de florestas nativas, com tamanho mínimo para o manejo florestal sustentável por empresas madeireiras. “Não podemos esquecer que inúmeros pesquisadores e várias entidades aferem que o aumento de 9,5% no desmatamento na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020 não é ‘surpresa’ diante do que classificam como ‘desmonte das políticas ambientais’ durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro”, ressaltou a especialista.

A destruição da floresta é uma ameaça não apenas ao bioma, ao Maranhão, mas à vida e ao futuro de todos nós. A Amazônia é fundamental para regular o sistema climático global e para espalhar chuva para outras regiões do país

Além dos impactos ambientais já citados, cabe ressaltar os impactos também nos recursos hídricos. Conforme Thereza Christina, o Cerrado brasileiro é conhecido popularmente como “caixa d’água do Brasil”. É berço de importantes rios do país, abastecendo um total de oito bacias hidrográficas. “Cabe aqui destacar as características do solo do Cerrado. Solos arenosos, com baixo teor de argila, favorecem a interação da água e da chuva, uma região que por estar muito próxima da floresta amazônica recebe muita água e uma boa parte dessa água é armazenada”, disse.

Três principais aquíferos do cenário hídrico nacional e internacional estão sob o Cerrado; o Aquífero Guarani, o Aquífero Bambuí e o Aquífero Urucuia – esse último considerado o maior aquífero 100% brasileiro. O Guarani é internacional, está em vários países da América do Sul. Já o Urucuia ocupa a região Sudoeste. Ocupa o estado de Minas Gerais, a região Brasil-Central que faz parte de Goiás, também está no Nordeste porque está nos estados da Bahia e Maranhão. E também na região Norte, já que o estado de Tocantins também faz parte desse aquífero. “No entanto, o maior potencial hídrico do Cerrado não está nas águas da superfície, mas nos lençóis freáticos que estão nas camadas mais profundas do solo. Porém, a exploração deste potencial hídrico por meio de usinas hidroelétricas tem causado sérios impactos socioambientais. Dentre estes, podemos destacar: perda de biodiversidade, assoreamento, modificação da paisagem, com alagamento de antigas áreas agrícolas e desmatamento. Milhares de famílias estão desabrigadas e lutam por indenização, e por outro lado, o grande contingente de trabalhadores atraídos pelas obras, sem que haja uma infraestrutura social, gera o inchaço das cidades e todas as suas consequências, como aumento da desigualdade social e a exploração sexual”, completou a vice coordenadora do Fonasc-CBH.

No entanto, o maior potencial hídrico do Cerrado não está nas águas da superfície, mas nos lençóis freáticos que estão nas camadas mais profundas do solo. Porém, a exploração deste potencial hídrico por meio de usinas hidroelétricas tem causado sérios impactos socioambientais

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) estão sendo realizadas ações estratégicas voltadas para combate e controle ao desmatamento no estado do Maranhão. Entre as ações realizadas, o monitoramento de áreas com indícios de desmatamento, bem como de áreas autorizadas para a realização de projetos agrossilvipastoris.

“Através do monitoramento de áreas autorizadas para uso alternativo do solo é verificado se os limites para execução de projetos foram respeitados, assim como se áreas de reserva legal e áreas de preservação permanente não passaram por alterações em sua cobertura vegetal oriundas de corte raso ou degradação. Considerando os impactos ambientais oriundos do desmatamento, também serão intensificadas ações no intuito de sensibilizar e conscientizar a população, empreendedores, técnicos ambientais, entre outros”, disse a Secretaria.

Após a verificação de indícios de desmatamento, a SEMA informou que realiza a fiscalização para que os infratores possam ser notificados e multados. “Vale salientar que a fiscalização de áreas com denúncias de desmatamento também é realizada”.

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O desmatamento possui uma série de consequências, dentre elas perda de biodiversidade, perda de serviços ambientais, contribuição para o aquecimento global, contribuição para a intensificação do efeito estufa, exposição do solo à erosão e desertificação. “Considerando que a principal causa do desmatamento é a atividade humana e que é realizado predominantemente de forma ilegal, para que taxas de incremento de desmatamento possam ser reduzidas, é necessário que ações estratégicas possam ser realizadas no intuito de combater e controlar o desmatamento, assim como deve haver intensificação de ações voltadas para educação ambiental sobre essa temática, tendo em vista que a sensibilização e conscientização de todos os entes envolvidos são essenciais para que mudanças de pensamentos e comportamentos possam ocorrer’, disse a SEMA.

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Considerando que a principal causa do desmatamento é a atividade humana e que é realizado predominantemente de forma ilegal, para que taxas de incremento de desmatamento possam ser reduzidas, é necessário que ações estratégicas possam ser realizadas no intuito de combater e controlar o desmatamento

Fonte: oimparcial.com.br/cidades/2021/01/desmatamento-aumenta-40-no-cerrado-maranhense