Cientistas desmontam negacionismo de Bolsonaro e Queiroga

São Paulo – “Prioridades do ministro da Saúde em 2022: Promover eugenia no lugar de vacinação infantil (…) Dois anos depois, entre 11 e 21 milhões de vidas perdidas para covid no mundo e o Ministério da Saúde dando palco pra quem defende imunidade de rebanho”, afirma o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino. Ele repercutiu a persistência do negacionismo do governo Bolsonaro diante das vacinas contra a covid-19. Mesmo diante de fatos provados pela ciência ao longo da pandemia, o presidente e seu ministro Marcelo Queiroga dobram diariamente a aposta em rejeitar o óbvio.

Não olhe para a vacina

Hoje (4), o chefe da pasta tentou criticar o uso de vacinas em crianças. Para isso, . No mesmo dia, o ministério promoveu uma. Novamente, os apoiadores do governo voltaram a defender a “imunidade de rebanho” pelo contágio. Afirmaram que a variante ômicron seria um “presente de Deus”, já que teoricamente apresenta sintomas mais brandos, o que “ajudaria” a mais pessoas se infectarem, sem tomar vacinas, e assim, criariam uma resposta imune. Do outro lado, cientistas serios seguem abismados. Alertam sobre o óbvio e são ignorados pelo grupo bolsonarista, à semelhança do filme .

“Não creio que estão literalmente defendendo que as pessoas devem se infectar, chamando ômicron de ‘presente de Deus’. Como dão palco pra malucos assim?”, desabafou o cientista de dados do grupo InfoVid Marcelo Oliveira. Entre os defensores da tese durante a audiência, o deputado federal bolsonarista Osmar Terra. O parlamentar, desde o início da pandemia, promoveu desinformação sobre a doença. Disse que as mortes por covid-19 seriam inferiores à H1N1, que deixou pouco mais de 1.700 mortes em 2009. De acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (), os mortos por covid-19 são, ao menos, 619.384. Sem contar ampla subnotificação.

Imunidade de rebanho

Desde julho de 2020 Osmar Terra . Ele integrou o chamado “gabinete paralelo” do governo Bolsonaro. Diante da pandemia, o presidente reuniu um conjunto de negacionistas para atacar a ciência e dissminar mentiras sobre a covid-19. Mesmo com a realidade já registrada na história, eles não cansam. A covid-19 provocou a maior crise sanitária da história do país, que foi líder em mortes em todo o mundo em 2021.

Sequer a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do governo, aceitou participar da audiência. “A Anvisa e as sociedades médicas e científicas já deram a avaliação unânime: vacinas aprovadas. São seguras e eficazes. Essa audiência é circo, distração enquanto enrolam para não vacinar as crianças”, explica Atila.

A realidade

O biólogo rebateu um dos argumentos dos negacionistas, de que a ômicron seria mais “leve”, portanto todos deveriam pegar sem se vacinar. “Quem está escapando das complicações com a ômicron no Reino Unido? Vacinados. Adultos não vacinados estão dominado as internações. E crianças sem vacina estão sendo mais hospitalizadas do que nunca”, disse, ao apresentar dados do país. “O que torna a Omicron mais “leve”, matando menos infectados do que antes, pode ser tb sua preferência por ‘garganta’ ao invés de pulmão. Mas em grande parte é a proteção das vacinas. Nos países com baixa vacinação, ela tem causado mais mortes em relação ao número de casos”, completou.

A mesma coisa acontece com as crianças. Os adultos vacinados ficam doentes, mas não tão grave, continuam circulando e transmitindo o vírus. Com isso bem mais crianças são infectadas. E sem vacinas, as hospitalizações pediátricas batem recorde no Reino Unido.

— Atila Iamarino *ainda de licença paternidade (@oatila)

Na contramão

A neurocientista e coordenadora da Rede Análise Covid-19 Mellanie Fontes-Dutra também lamenta a posição do Ministério da Saúde. “Por que é um problema o Ministro da Saúde criticar vacinação em crianças? Porque já temos evidências, aprovação da e de várias outras agências reguladoras, recomendação por diversas Sociedades Brasileiras, mesmo do Conass, para a vacinação em crianças (…) Gerar hesitação vacinal agora é ir na contramão da nossa saída da pandemia. Abrir audiências públicas, consultas públicas após toda a aprovação e recomendação por agências e sociedades competentes não faz sentido, é para isso que temos autoridades competentes pra isso”, defende.

Da série: ver para entender! Gráficos de Nova York 🇺🇸 de taxas semanais para para casos (hospitalizações e óbitos nos próximos tuítes). 🟣não-vacinados (384,66 por 100.000)🟠vacinados (78,46 por 100.000)Quase 5x mais casos entre não vacinados, do que em vacinados🧶👇

— Mellanie Fontes-Dutra 💉😷 (@mellziland)

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2022/01/cientistas-desmontam-negacionismo-de-bolsonaro-e-queiroga