Cinco anos após acidente, morte de ministro Teori ainda segue nebulosa

 

O acidente aconteceu prestes ao ministro, então relator dos processos da Lava Jato no Supremo, homologar as 77 delações da Odebrecht

Completam-se, hoje, cinco anos em que o Brasil perdia, precocemente, um de seus mais respeitados e admirados magistrados, o ministro Teori Zavascki, aos 68 anos, morto durante a queda do avião em que viajava com mais quatro pessoas, entre São Paulo e Paratgy, no Rio de Janeiro. O avião caiu no mar e todos os ocupantes morreram. A morte do Minsitro Teori foi cercada de teorias das mais diversas, com suspeitas até de que a queda do avião teria sido criminosa, um atentado para tirar de cena um magistrado centrado e sereno, de posições firmes, que era exatamente o relator de todos os casos da então operação lava jato. Após dois anos de investigação, contudo, o Ministério Público Federal concluiu que não havia indícios de crime na queda da aeronave e o inquérito sobre o acidente foi arquivado.

O acidente aconteceu prestes ao ministro, então relator dos processos da Lava Jato no Supremo, homologar as 77 delações da Odebrecht –até ali, o maior acordo de colaboração da operação. Esse contexto levantou dúvidas sobre uma suposta sabotagem na aeronave. À época, a primeira pessoa mais próxima a Teori a levantar publicamente a questão foi seu filho mais novo, o advogado Francisco Zavascki, 37, em textos postados no Facebook. Em maio, em nova postagem e após a divulgação de informações sobre as delações do empresário Joesley Batista, dono da JBS, o advogado criticou uma suposta tentativa de o PMDB brecar a Lava Jato. Ele também defendeu o impeachment do presidente Michel Temer.

Embora o caso tenha sido arquivado pelo Ministério Público Federal, a morte do Ministro Teori Zavascki ainda segue pontuada de dúvidas e suspeitas, sobretudo pelo lado de sua família.

Os destroços do avião no qual viajava o ministro do STF.TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL 
Os destroços do avião no qual viajava o ministro do STF.TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL 
Os destroços do avião no qual viajava o ministro do STF.TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL 

Teori tomara posse em 29 de novembro de 2012 na Suprema Corte para assumir a vaga decorrente da aposentadoria do ministro Cezar Peluso. Antes, cumpriu uma trajetória brilhante no Superior Tribunal de Justiça, entre 2003 e 2012, e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Rio Grande do Sul, o qual presidiu no biênio de 2001 a 2003.

Sua carreira jurídica e acadêmica foi construída no Rio Grande do sul, embora fosse natural de Faxinal dos Guedes, Santa Catarina, nascido a 15 de agosto de 1948. Teori era viúvo, pai de três filhos e gremista apaixonado, clube no qual atuou como conselheiro.

No STF, foi o relator de um dos casos mais complexos e notórios do Tribunal, os processos da operação “lava jato”, mas não foram só eles. Segundo dados apresentados na memória jurisprudencial do ministro Teori Zavascki, entre 2013 e 2016 ele julgou como relator 2.203 casos no STF.

Mas surgiram ainda 60 casos de 2017 a 2019 que estavam sob sua relatoria, sobre os quais já havia proferido voto, que foram julgados após a sua morte. Com isso foi um total de 2.263 casos julgados no Supremo Tribunal Federal.

Toda a trajetória do ministro Teori Zavascki, desde os tempos em que começou como advogado, trabalhou e dedicou grande parte da vida ao magistério e à magistratura até sua precoce morte, em 19 de janeiro de 2017, está reunida no documentário Tempo e História, produzido pela TV Justiça, um ano após o acidente que o vitimou.

meionorte.com/memórias

    Fonte: portalvarada.com/artigos/cinco-anos-apos-acidente-morte-de-ministro-teori-ainda-segue-nebulosa