Mais de 11 mil indenizações do seguro DPVAT foram pagas no Maranhão em 2020

Ações de educação no trânsito já estão acontecendo por todo o país através da campanha Maio Amarelo que este ano visa chamar a atenção para os números de vítimas de acidentes causados em sua maioria por imprudência de condutores de veículos, conscientizando sobre a responsabilidade no trânsito. Mas algo que chama atenção é que pouco se investe em melhorar a mobilidade para pedestres, o que se nota é que o investimento sempre é voltado para transportes motorizados.  Talvez esse seja o motivo para os casos de acidentes e mortes recorrentes.

Um levantamento feito pela Seguradora Líder, responsável pelo seguro DPVAT, apontou o Maranhão como o quarto estado do Nordeste com o maior número de casos de violência no trânsito em 2020.

Os dados apontam que 11.799 indenizações foram pagas a pessoas ou para famílias de vítimas da violência no trânsito no estado do Maranhão. Uma redução de 21,78% em relação ao ano de 2019, que registrou mais de 15 mil indenizações pagas.

Segundo a Seguradora Líder, o Maranhão registrou 1.425 mortes, 9.589 ficaram inválidas permanente e outras 785 tiveram custos médicos causados por acidentes. O levantamento ainda mostra que 76% dos casos ocorreram com homens e 24% foram mulheres. Já a faixa etária mais atingida foi a que compreende entre 25 e 34 anos, correspondendo a 26,8% (443).

Conforme a geógrafa Alanna Fontenele, formada pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a falta de investimento em mobilidade urbana é um dos fatores que contribui para violência no Trânsito. “Mesmo existindo uma diminuição no número de mortes no Maranhão, a estatística ainda é alta. É preciso entender que essas mortes não deveriam acontecer, pois, geralmente as vítimas são pessoas que saem de casa para trabalhar, para estudar e acabam não voltando. O poder público deve favorecer um trânsito com um sistema de mobilidade segura independentemente do modo de transporte que o indivíduo escolha usar, investir em infraestrutura de qualidade também para pedestres e ciclistas, um melhor transporte coletivo e gerenciamento de velocidade, só assim mortes serão evitadas,” disse ela.

Segundo a geógrafa, programas de fiscalização no trânsito, como as ações da Lei Seca, têm sua contribuição para mudanças para o comportamento de condutores no trânsito. “A Lei Seca tem sua importância para melhorar as estáticas que envolvem o trânsito, algo positivo já que historicamente, ruas e avenidas em diversos lugares do país são desenhadas para um tráfego em alta velocidade, e o espaço que sobra é destinado a pedestres e ciclistas,” destaca.

Para Alanna, no mês do Maio Amarelo, as ações de conscientização devem ser voltadas não somente para condutores e pedestres, mas também para o poder público, para os governantes responsáveis pela manutenção das vias de tráfego. “É preciso que o poder público também fique atento às condições das ruas e avenidas, estudar se elas atendem a todos, e perceber quais melhorias devem ser feitas para que exista um trânsito seguro”. Finaliza a geógrafa.

Sobre o Maio Amarelo

O movimento Maio Amarelo nasceu em 2014 e fomenta uma ação coordenada entre o poder público, iniciativa privada e sociedade civil para discutir o tema segurança viária com o objetivo de reduzir os acidentes e mortes no trânsito. Apesar da redução do número de mortes nos últimos anos, o trânsito brasileiro ainda mata milhares de pessoas todos os anos. Em 2019, quando foi divulgado o último levantamento pelo Ministério da Saúde, foram mais de 31.945 vidas perdidas.

Fonte: oimparcial.com.br/cidades/2021/05/mais-de-11-mil-indenizacoes-do-seguro-dpvat-foram-pagas-no-maranhao-em-2020