Enfermeira se emociona ao vacinar a mãe e dois dos irmãos contra a Covid-19, em João Pessoa

A enfermeira Renata Maurício Araújo, de 33 anos, se emocionou após aplicar a vacina contra Covid-19 na mãe e em dois dos irmãos dela, em João Pessoa. Um dos irmãos da enfermeira recebeu a primeira dose da vacina na sexta-feira (16). Já a mãe dela foi vacinada em abril, ainda no grupo prioritário, por ser idosa.

De acordo com Renata, um dos motivos de tanta emoção é porque a mãe dela resistia à ideia de se vacinar, influenciada por notícias falsas que colocavam em dúvida a eficácia dos imunizantes. Foi um trabalho lento, paciente, de convencimento e esclarecimento.

“Minha mãe não acreditava na vacina. Mas, com muito carinho, com muita paciência, consegui mudar o pensamento dela”, comemora a enfermeira.

O desejo de cuidar das pessoas surgiu cedo para Renata. Ela tinha 13 anos quando perdeu o pai vítima de um câncer de estômago que o levou apenas seis meses depois do diagnóstico. Desses, três foram internado no Hospital Laureano Wanderley, referência no atendimento oncológico em João Pessoa.

Ao acompanhar o pai na luta contra o câncer, Renata ficou impressionada com o trabalho cuidadoso dos enfermeiros, decidindo ali que era isso o que queria fazer da vida, e foi o que aconteceu. O tempo passou, ela se formou, começou a trabalhar e, 20 anos depois, em meio a uma das maiores pandemias que o mundo já enfrentou, ela se doa todos os dias em prol da saúde de outras pessoas.

A enfermeira lembra também que lhe marcou profundamente um pedido feito pelo o pai ainda no leito de morte, para que ela sempre tivesse a preocupação de cuidar das pessoas, de proteger o próximo.

“Tudo o que eu vivi naquele hospital eu resgatei para a minha vida profissional”, destaca Renata.

Ela conta que não foi um processo fácil, nem rápido e que contou com muito apoio da mãe, Francisca dos Santos Araújo, de 69 anos, e da irmã mais velha, Rosângela Maurício dos Santos, de 46 anos. Ambas, em diferentes momentos da vida, foram responsáveis pela criação de Renata. Isso porque, depois da morte do pai, Renata diz que a mãe passou por uma profunda depressão, de forma que foi a irmã mais velha quem assumiu as responsabilidades da casa nesse período. E, em meio a tudo isso, Renata não esquece do que as duas fizeram por ela.

“Posso dizer que eu vacinei as minhas duas mães. Aquelas que me criaram e que lutaram para que eu estudasse, não desistisse, seguisse em frente até me formar”, afirma.

Na sequência, veio a irmã, a quem a paraibana considera uma segunda mãe. Renata comenta que Rosângela dedicou toda a vida para cuidar dos irmãos, e que isso não dá para ser esquecido. A enfermeira explica também que o sentimento de realização foi parecido, o amor igual ao que sentiu e sente pela mãe. “Foram atos que levaram muito amor ao meu coração”.

Finalmente, o irmão de Renata também conseguiu ser vacinado contra a Covid-19. Sérgio, que tem 35 anos, recebeu a primeira dose do imunizante na sexta-feira (16). Renata não estava na escala de vacinação neste dia, mas deu um jeito de chegar ao local por volta das 16h apenas para imunizar o irmão. “Eu fiz questão”, diz aos risos.

Segundo Renata, Sérgio é o mais chorão dos irmãos. Após receber a primeira dose da vacina, ele caiu no choro e foi aplaudido pelas pessoas que estavam no ginásio onde acontecia a vacinação. O momento foi de tanta alegria que o irmão quebrou até o protocolo, dando um abraço apertado na irmã enfermeira. “Foi a maior alegria. Ele se emocionou demais. Começou a chorar”, descreve Renata.

Uma mulher dedicada à comunidade

Renata Maurício trabalha na Unidade de Saúde da Família de Paratibe II, numa área periférica de João Pessoa, considerada uma das poucas áreas rurais da cidade. Uma região pobre, em que muitas pessoas não têm nem mesmo condições de se dirigir ao posto de saúde para procurar atendimento. “Eu trabalhava numa outra parte da cidade, mas pedi transferência”, destaca ela, que nos finais de semana entra na escala de vacinação contra a Covid-19 organizada pelo município.

Mesmo também formada em enfermagem, na USF Renata atua como técnica de enfermagem, fazendo o primeiro atendimento, realizando a triagem, acolhendo as pessoas, tirando dúvidas e ouvindo o que elas têm a dizer.

“Muitas vezes, o paciente só quer ser ouvido”, comenta Renata.

A enfermeira reafirma que esse amor por cuidar, por acolher, vem de criança, dos tempos de seu pai, e foi se fortalecendo com os anos. “Não fui eu quem escolhi a enfermagem, foi ela quem me escolheu”.

Renata destaca que gosta mesmo é de lidar com os mais necessitados, de estar nas comunidades, realizar as visitas domiciliares e atender aqueles enfermos que não têm condições de ir ao posto de saúde. “É um trabalho cansativo, mas que gera muito prazer profissional”.

A enfermeira reitera ser feliz com o trabalho. Ela explica que não se vê fazendo outra coisa e que ainda pretende vacinar, em breve, um irmão mais velho que já poderia ter se vacinado, mas segue resistente à ideia.

Sobre pessoas que estão receosas em tomar a vacina, Renata diz: “A vacina é para estar no braço das pessoas. Ela salva vidas e é eficaz independente de fabricante. Tem muita gente politizando a vacina, contra a vacina, mas com muita luta a gente vai vencer”, declara. “É uma luta incansável, mas a gente não vai desistir”, finaliza.

Fonte: Com G1/PB Enviar no WhatsApp

Fonte: paraibaempauta.com.br/noticia/22577/enfermeira-se-emociona-ao-vacinar-a-mae-e-dois-dos-irmaos-contra-a-covid-19-em-joao-pessoa.html