‘Meu dia das mães está marcado para sempre’ diz puérpera que teve Covid-19

Por: Thays Martins

Publicado em: 09/05/2021 12:14 | Atualizado em: 09/05/2021 12:34

 Após receber notícias sobre as mortes de familiares contaminados com a Covid-19, Rita de Cássia, 36, foi acalentada pelo maior teste de vida, o positivo comprovando a gravidez. Tomada de felicidade, a telefonista do Real Hospital Português  contou a experiência única de estar grávida em plena pandemia da Covid-19. Mantendo distanciamento social e se isolando do convívio e festas culturalmente realizadas para gestantes, Rita, com 36 semanas de gravidez, começou a sentir alguns sintomas que ligaram um sinal de alerta. “Busquei atendimento onde trabalho, com muito cansaço físico e falta de ar, achei que eram sintomas do fim da gestação, mas lá constataram que eu estava com Covid-19  e era uma paciente com alto risco de trombose.” Foto: Arquivo pessoalPara além da sua filha, Rita ficou aflita pelos pais, que eram do grupo de risco, e o marido atuante na linha de frente no combate ao novo coronavírus. “Optei por permanecer sozinha e se não fosse o acolhimento que recebi na maternidade, com certeza, teria sido muito traumático. Tive um episódio de ansiedade e muito medo de ter uma piora no quadro, além da saudade da minha família, do meu lar, do meu esposo. Planejamos um fim de gestação tão tranquilo e fomos parar no olho do furacão.”Internada na reta final da gestação, os médicos que acompanhavam a gestante decidiram por realizar uma cesariana com 38 semanas de gestação, devido a perda de líquido amniótico. Com a cesariana bem sucedida, a bebê, que se chama Manuela, nasceu saudável no dia 7 de abril. Contudo, Rita passou por complicações após o parto e precisou de um cuidado mais intensivo, deixando-a ainda mais apreensiva e com medo de nunca mais ver a filha tão esperada. “Após a cirurgia, tive embolia pulmonar e continuei em observação, temendo uma piora e de ter que me separar da minha neném para ficar em uma UTI ou ainda pior: não vê-la mais. Hoje, sigo com o tratamento em casa por seis meses, e olho para trás com um sentimento de gratidão, fui cercada de orações e cuidados. Somos testemunhas vivas do poder de Deus e do cuidado profissional de quem está dando a vida por quem precisa”, desabafou. Foto: Arquivo pessoalPara este primeiro Dia das Mães, Rita revela que a comemoração será dobrada e cheia de significados particulares para sua família. “Meu Dia das Mães está marcado para sempre como um sinal de milagre. Somos sobreviventes da pandemia! Minha família está saudável e olhar para minha filha um mês depois, sabendo que recebemos uma nova chance, é muito forte, lindo, me comove sempre que lembro.”Gestantes e a Covid-19O médico Itamar Santana, 31, atua com atendimento ginecológico, pré-concepcional e de tentantes, atendimento obstétrico com foco em gestação de alto risco, parto normal humanizado/adequado, planejamento reprodutivo e  cirurgias ginecológicas. Ele evidencia que é uma vitória para todas as gestantes, puérperas e lactantes de serem incluídas no Plano Nacional de Vacinação e  poderem ser vacinadas contra a Covid-19 em todo o Brasil. “Essa vacinação tem uma importância imensa para estes grupos. Está sendo utilizada a vacina da Pfizer e, com isso, teremos um perfil de proteção muito maior para essas mulheres. Essas pacientes que serão vacinadas precisam continuar com todos os cuidados habituais de combate à Covid-19”. O ginecologista enfatiza que este grupo já foi vacinado nos EUA e que não houve registro de problema materno quanto fetal. Ele alerta também que, caso seja ofertada outra vacina como CoronaVac e AstraZeneca, não há problema para as gestantes, puérperas e lactantes. “Caso essas outras vacinas sejam ofertadas, por qualquer motivo que seja, também não há o porquê não tomar. As tecnologias nessas vacinas já são conhecidas por todos nós porque são utilizadas em vacinações durante o próprio período pré-natal com a vacina da gripe, tétano e da hepatite B. Então, o perfil de segurança é basicamente o mesmo”, explicou.Um ponto importante levantado pelo médico é que quando a gestante ou lactante recebe a vacina, além de estar se protegendo, estará passando essa proteção para o bebê. “Os anticorpos dessa vacina serão passados através da placenta para o bebê e também durante a amamentação. Então, como temos programação para a vacinação no calendário infantil para o coronavírus, essa passagem de anticorpos é extremamente importante para a proteção do bebê”. Com isso, no Dia das Mães de 2021, para as gestantes, puérperas e lactantes o maior presente será poder se imunizar e poder proteger seu bebê, dessa forma, tornando a vacinação um ato de amor de mãe para filho.  Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Fonte: www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2021/05/u201cmeu-dia-das-maes-esta-marcado-para-sempre-como-um-sinal-de-milag.html