Pesquisa em saúde aprimora o cuidado e a assistência ao paciente – Governo do Estado do Ceará

Pesquisa em saúde aprimora o cuidado e a assistência ao paciente

Jackson de Moura – Ascom ESPJéssica Fortes/Ascom HM e Felipe Martins/Ascom HGF – Fotos

Ciência, pesquisa e inovação: capacete Elmo foi produzido por cearenses em tempo recorde durante a pandemia e salva vidas em todo o Brasil

Produzir conhecimento alinhado aos interesses da saúde pública do Ceará. Este é o papel do pesquisador da área da saúde desde a identificação de lacunas de conhecimento até o desenvolvimento de projetos de pesquisa que atendam às necessidades da sociedade. Neste dia 8 de julho, Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), por meio da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), presta homenagem aos pesquisadores atentos e incansáveis em descobrir e implementar soluções a partir da construção de conhecimento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O supervisor do Centro de Investigação Científica da ESP, Jadson Franco, explica que o pesquisador pode inovar as práticas de saúde a partir da atuação em diversas esferas – desde a avaliação de serviço, diagnóstico, pesquisas observacional e clínica, desenvolvimento e aplicabilidade de medicamentos, à formação de evidências na busca de garantir a tomada de decisões qualificada.

“Este pesquisador está valorizando saberes e fazendo com que o SUS seja pautado pela ciência, pela produção de conhecimento. A pesquisa pode ser produzida de diversas formas, mas a figura do pesquisador vai trazer a avaliação e até a inclusão de novas práticas de cuidado. Ele vai fundamentar as ações, a partir dos resultados dos estudos, os projetos e as políticas de saúde“, ressalta. É assim que a pesquisa para a saúde pública é conduzida na Rede Sesa para o desenvolvimento de estratégias, tratamentos ou práticas sobre problemas e cuidados à saúde.

A pesquisa no dia a dia da população A valorização e incentivo à pesquisa aprimora o resultado dos serviços de saúde ao cidadão. É a partir dela e da produção técnico-científica que o paciente pode ser melhor assistido e ter acesso a tecnologias de ponta no sistema público de saúde.

“O pesquisador é, acima de tudo, um interessado em produzir conhecimento que possa dar respostas para os problemas de saúde da população. Dessa forma, sua contribuição é inestimável para subsidiar a adoção de tecnologias e práticas profissionais baseada nas melhores evidências científicas”, destaca Alice Pequeno, coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da ESP/CE.

Exemplo disso é o estudo internacional liderado no Brasil pelo Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade da Sesa, sobre uma terapia que diminui em 50% a chance de sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). O procedimento de trombectomia mecânica por cateterismo, apresentado na pesquisa, é minimamente invasivo e aplicado em região específica do cérebro – que, normalmente, possui gravidade muito superior a outros casos da doença e pode resultar em até 90% de óbitos, se não tratado adequadamente.

Estudo internacional liderado no Brasil pelo HGF apresenta terapia que diminui em 50% a chance de sequelas de AVC

Graças ao trabalho científico integrado pelo HGF, o procedimento já foi reconhecido nacionalmente como parte da linha de cuidado ao AVC em publicação do Diário Oficial da União e publicado no The New England Journal of Medicine, uma das revistas médicas científicas mais antigas e importantes do mundo e o segundo periódico indexado mais citado no planeta. No momento, o tratamento é oferecido em ambiente de estudo e pesquisa no HGF, mas a ideia é incorporá-lo na prática assistencial.

Outro exemplo local e que tem sido útil ao SUS em todo o País graças à união entre pesquisa, ciência e tecnologia é o capacete Elmo. Idealizado e implementado durante a pandemia de Covid-19, o dispositivo já foi utilizado por mais de três mil pacientes em hospitais públicos do Governo do Ceará. A iniciativa, fruto de força-tarefa público-privada, pode reduzir em 60% a necessidade de intubação de pacientes e internação em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“É fundamental à sociedade compreender o que significa o investimento estatal e privado em pesquisa e inovação. Esse processo gera benefícios que atingem todos os setores sociais. Não beneficia apenas uma área específica ou classe social. É para todos. Por exemplo, a questão das vacinas: elas beneficiam toda a sociedade, não são privilégio nem podem ser nunca. A vacina será coletiva ou então não vai funcionar”, afirma Marcelo Alcantara, superintendente da Escola de Saúde Pública e um dos idealizadores do Elmo.

Os hospitais da Rede Sesa contam com o Centro de Estudos que, dentre outras atribuições, incentiva a realização de trabalhos, teses e pesquisas científicas, além de manter intercâmbio com os centros de estudos de instituições congêneres e entidades especializadas.

Outra forma de incentivar os profissionais de saúde no âmbito da pesquisa é fomentar a sua atuação. Em 2021, o Governo do Ceará, por meio da Sesa, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), realizou a sétima edição do Programa Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em saúde (PPSUS).

Este ano, o PPSUS vai apoiar a execução de 31 projetos de pesquisa e inovação que promovam a formação e a melhoria da qualidade de atenção do sistema público de saúde. Um dos projetos aprovados vai investigar a ocorrência de diabetes e hipertensão em indígenas Tapeba, em Caucaia, distante 16,5 km de Fortaleza.

Atualmente, a produção científica local é, em parte, compilada pela Cadernos ESP, mediante submissão de autores e co-autores. Com nova política editorial em 2021, a revista científica atende aos parâmetros internacionais de publicação científica e possibilita maior transparência no fluxo editorial.

“A revista traz a interface entre a Saúde, pública e coletiva, com Educação, Ciência e Tecnologia. Uma equipe editorial, junto aos pareceristas, traz a análise de manuscritos produzidos pela comunidade científica e acadêmica, tendo respaldo e relevância dos produtos tanto tecnológico, quanto de inovação, bem como pesquisas sociais que possuam relevância para a sociedade”, destaca Leidy Dayane Paiva, editora científica do periódico.

Desde novembro de 2020, uma portaria concedeu à ESP/CE o papel de governança sobre as pesquisas desenvolvidas em unidades de saúde ambulatoriais, hospitalares e administrativas da Rede Sesa. A Escola passou a autorizar todos os estudos que vão ser desenvolvidos.

“Isso é uma responsabilidade muito grande, ao tempo que nos coloca num papel importante no Ceará, de acompanhamento, monitoramento e autorização dos projetos de pesquisa na rede estadual”, pontua Jadson Franco. O parecer técnico depende da submissão de projeto e documentação regulatória. Se o estudo for internacional ou financiado, o Programa Cientista Chefe da Saúde também fará a análise de viabilidade e interesse institucional do projeto de pesquisa.

Além disso, está em fase de implantação a Rede Estadual de Pesquisa Clínica (Repclin), que vai apoiar os estudos clínicos realizados nas unidades de saúde da Sesa. O projeto pretende ainda consolidar uma infraestrutura adequada para o desenvolvimento desses estudos nos centros de pesquisa e inovação em saúde.

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Fonte: www.ceara.gov.br/2021/07/08/pesquisa-em-saude-aprimora-o-cuidado-e-a-assistencia-ao-paciente