Ministro da Justiça diz que não precisa cobrar vacinação de estrangeiros

São Paulo – Em mais um episódio negacionista envolvendo autoridades do governo de Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (25) foi a vez do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, dar sua colaboração à tentativa de contra a covid-19 e minimizar a importância da imunização no combate à pandemia. Ele afirmou ser contra cobrar o certificado de vacinação para autorizar a entrada de estrangeiros no Brasil. “Não precisa. Ela não impede a transmissão da doença”, opinou o ministro. Desse modo, mostrou desprezo pelo fato de que não vacinados têm sintomas mais graves, mais exposição ao risco de sequelas e de morte. E, ainda, sobrecarregam o sistema de saúde.

A opinião imprudente contraria a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porque a agência recomenda cobrar vacinação contra a covid para entrada de viajantes estrangeiros no país. Hoje as fronteiras terrestres, com algumas exceções, estão fechadas. A agência também defende tornar mais rígidas as regras para voos internacionais.

“Em que pese ainda serem escassos os ensaios clínicos e os estudos observacionais sobre a transmissão do Sars-CoV-2 por pessoas vacinadas, os estudos disponíveis indicam claramente que a vacinação continua sendo a estratégia chave para o controle da pandemia (…), inclusive da propagação de variantes, como a Delta”, diz a agência na nota técnica n° 112, de 12 de novembro.

Conass apoia Anvisa

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) apoiam, em , as notas técnicas da Anvisa números 112 e 113. “No sentido de exigir o certificado de vacinação contra Covid-19 para a entrada de viajantes no Brasil.”

“O recrudescimento da pandemia em países europeus e o aumento de casos nos EUA, e Canadá, bem como em países da América do Sul, tais como Bolívia, Equador e Paraguai, conforme informação divulgada hoje pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), exigem que o Brasil adote medidas sanitárias adicionais, de modo a proteger sua população”, diz a nota conjunta.

Além disso, ambos os conselhos afirmam esperar “que o governo federal seja sensível às orientações técnicas da agência reguladora e estabeleça as medidas necessárias no mais breve espaço de tempo”.

Os números referentes a novos casos, internações e mortes na pandemia estão, hoje, muito menores do que há poucos meses. Entretanto, a nota técnica 112 da Anvisa alerta que a velocidade da disseminação do vírus causador da covid-19 depende de decisões rápidas e da capacidade de escolha governamental sobre as medidas mais adequadas de controle. “E isso, sobretudo, em áreas de grande fluxo de pessoas, como são as fronteiras”.

O governo Bolsonaro pressiona a Anvisa pela revogação da , do governo, editada por orientação da agência, que fecha as fronteiras terrestres. A Anvisa reitera a recomendação para mantê-las fechadas, no mínimo.

Leia as notas técnicas da Anvisa

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Fonte: www.redebrasilatual.com.br/politica/2021/11/ministro-justica-diz-nao-precisa-cobrar-vacinacao-estrangeiros