MP cria força-tarefa pra investigar suposto crime de homicídio

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou, por meio de nota divulgada nesta quinta-feira (23), que criou uma força-tarefa para investigar o escândalo da Prevent Senior que vem sendo denunciado pela CPI do Genocídio.

As denúncias dão conta de estudo clandestino que a operadora de saúde teria feito com pacientes com Covid no início do ano passado utilizando medicamentos sem eficácia contra a doença, alterando prontuários médicos e ocultando mortes.

O MP já tinha uma investigação aberta sobre denúncias de médicos da Prevent Senior que teriam sido coagidos por superiores para receitar aos pacientes medicamentos do chamado “kit Covid” incentivado pelo governo federal que, não só não possuem eficácia contra a doença do coronavírus, como podem oferecer riscos a quem os consome.

4 promotores vão compor a força-tarefa do MP: Everton Zanella, Fernando Pereira, Nelson dos Santos Pereira Júnior e Neudival Mascarenhas Filho. Eles se unirão a Rodolfo Bruno Palazzi, responsável pela investigação que já tramitava contra a operadora de saúde.

A procuradoria, ao anunciar a criação do grupo, chegou a falar em suposto crime de homicídio por parte da Prevent Senior.

“A Procuradoria-Geral de Justiça designou, por meio da Portaria 9869/2021, quatro promotores do Tribunal do Júri para compor a força-tarefa para o caso Prevent Sênior. Os promotores Everton Zanella, Fernando Pereira, Nelson dos Santos Pereira Júnior e Neudival Mascarenhas Filho acompanharão, em conjunto com o promotor natural, Rodolfo Bruno Palazzi, o inquérito policial que tramita no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para apurar se a aplicação de remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19 em pacientes da Prevent Sênior que vieram a óbito configura crime de homicídio”, diz a nota do MP.

Na quarta-feira (23), após o depoimento Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, à CPI do Genocídio, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) enviou o dossiê sobre o escândalo da operadora de saúde ao MP.

“Com esse material, a instituição, que já tem um inquérito civil instaurado pela Promotoria da Saúde da Capital contra a Prevent Senior para apurar se houve danos morais coletivos de responsabilidade da operadora  por pressionar seus médicos conveniados a entregarem o denominado “kit covid” de forma irregular aos pacientes, poderá abrir investigação no âmbito criminal”, afirmou a procuradoria após receber os documentos.

Denúncias

Dossiê feito pela CPI do Genocídio com base em denúncias feitos por médicos que trabalhavam junto à operadora de Saúde dá conta de que a Prevent Senior teria ocultado mortes de pacientes com e sem o diagnóstico de Covid-19 que participaram de estudos sem base científica feitos para apontar uma suposta eficácia dos remédios do “kit covid”, como a hidroxicloroquina e a azitromicina.

O experimento, que tem sido comparado a práticas nazistas, foi realizado no início da pandemia do coronavírus, no ano passado, e não obteve autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

As informações levantadas pelos senadores da CPI são aterradoras: a empresa teria ocultado 7 das 9 mortes de pacientes que foram submetidos ao experimento e há relatos de familiares de algumas dessas pessoas de que o plano de saúde não as informou sobre o procedimento que estava sendo adotado.

Além disso, um dos pacientes submetidos ao estudo que morreu, segundo a família, tinha problemas cardíacos e era hipertenso, fatores que impediriam a administração da cloroquina por conta de seus efeitos colaterais.

E não para por aí. Para comprovar a “eficácia” do protocolo com remédios inúteis para tratar a Covid, a Prevent Senior teria alterado prontuários médicos, como foi o caso da mãe do empresário Luciano Hang, que morreu de Covid após ter sido submetida a tratamento com o “kit Covid”. Além disso, médicos denunciam que eram obrigados por superiores a prescreverem esses medicamentos.

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