Com aval do governo, preços de energia e combustível pressionam inflação – Hora do Povo

Foto: Roberto Parizzotti / CUT

IPCA sobe 0,53% em junho e acumula alta de 8,35% em 12 meses, a maior dos últimos 5 anos. Em um ano, energia elétrica residencial subiu 14,02% e os combustíveis tiveram alta de 43,92%

A inflação oficial do país voltou a subir em junho, alcançando a descontrolada variação de 8,35% em 12 meses, informou nesta quinta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas em junho, a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador do IBGE responsável pelo calculo da inflação oficial do país, foi de 0,53% – logo após bater a taxa de 0,83% em maio. “Esse é o maior resultado para o mês desde junho de 2018 (1,26%). Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses”, resumiu o IBGE. Este é o maior resultado acumulado desde 2016. A inflação se tornou um grave problema no país nos meses de pandemia, pressionando as rendas das famílias e encarecendo a produção. Os vilões da carestia, contudo, são os preços e produtos administrados, ou seja, que poderiam ser regulados pelo governo. Em junho, a grande pressão veio da alta dos custos de energia elétrica. Esse item impactou na variação do item “Habitação”, cuja variação de preços foi de 1,10% de um mês para o outro. No momento em que o governo prepara o terreno para venda da estatal Eletrobrás, a tarifa da energia elétrica passou a vigorar na chamada bandeira vermelha fase 2, com aumento da inflação da energia de 1,95%. Antecipando um período escasso de chuvas, o governo, ao invés de investir na infraestrutura, aumenta o custo da energia impondo racionamento para as famílias brasileiras.

No acumulado em 12 meses, a alta da energia elétrica residencial é de 14,20%.

“A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho e acrescenta R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em maio, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, cujo acréscimo é menor (R$ 4,169)”, destacou o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida. Vale lembrar que em julho, a cobrança extra da tarifa vermelha foi reajustada para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos, o que fará com que a energia elétrica continue pressionando a inflação este ano.

No grupo dos transportes, os combustíveis subiram 0,87% e acumulam alta de 43,92% nos últimos 12 meses.

A gasolina subiu 0,69% em junho, depois de um aumento de 2,87% em maio. Os preços do etanol (2,14%) e do óleo diesel (1,10%) e do gás veicular (0,16%) também tiveram alta.

O preço dos alimentos continua sendo o grande problema do cotidiano dos brasileiros, agravado pelo desemprego e pela renda achatada.

No grupo Alimentação e bebidas, a alta em junho foi de 0,43%, após avanço 0,44% em maio. Com o aumento dos preços das carnes pelo quinto mês consecutivo, a refeição básica está quase impraticável. Em 12 meses, os preços variaram 38,17%. 

Fonte: horadopovo.com.br/com-aval-do-governo-precos-de-energia-e-combustivel-pressionam-inflacao