Preços ao produtor acumulam alta de 35,08% em 12 meses – Hora do Povo

Preços dos alimentos disparam nos supermercados. Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Índice de Preços ao Produtor acelera em julho puxado pelo grupo de alimentos

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 1,94% no mês de julho em relação a junho (1,29%), elevando o índice acumulado nos últimos doze meses para 35,08%. A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve uma variação no mesmo período de 8,99%. O IPP, portanto, aumentou 23,94 pontos percentuais acima do índice oficial de inflação.

O IPP mede a variação de preços dos produtos na saída das fábricas (sem impostos, tarifas e frete), e o IPCA mede o reajuste nos preços para as famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

O IPP também acumula taxas de inflação de 21,39% no ano, mais do que os 19,38% registrados em todo o ano de 2020, recorde em toda a série histórica, iniciada em dezembro de 2014. Os dados foram divulgados na sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Das 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação consideradas na pesquisa, 20 delas tiveram aumentos em julho. A maior influência no índice veio do grupo de alimentos (0,49 p.p.), da indústria refino de petróleo e produtos de álcool (0,32 p.p.), indústrias extrativas (0,27 p.p.) e de metalurgia (0,27 p.p.). Somadas, apenas essas quatro atividades representam 1,35% do aumento total do mês.

“Em linhas gerais o indicador de julho é muito influenciado pelas condições do comércio internacional devido às altas acumuladas e correntes das commodities minerais, agropecuárias e do petróleo, com impacto nos preços de venda e na estrutura de custos das atividades de maior influência no mês. Um inverno mais rigoroso em 2021 e a entressafra de insumos importantes à fabricação de alimentos também contribuíram para deteriorar as condições de oferta de matéria-prima, pressionando as margens do produtor industrial desse setor”, diz o analista do IPP Felipe Câmara do IBGE.

Câmara destaca como, no caso dos alimentos, a alta acumulada e corrente das commodities afeta os preços da carne bovina que disparou nos supermercados. “A carne bovina vem sendo afetada em sua estrutura de custos pela alta acumulada na cadeia da soja nos últimos meses, efeito que em julho, em particular é reforçado pela entressafra do abate. Ao mesmo tempo, pelo lado da demanda, os preços do produto são pressionados por uma procura internacional aquecida. E, um resultado colateral importante da alta no preço da carne é o efeito substituição na demanda doméstica por proteína animal, com aumento da procura e dos preços da carne de frango, que também é destaque de influência no mês. Uma dinâmica similar afeta os preços do açúcar, que reflete os efeitos da entressafra da cana ao mesmo tempo que tem os preços internacionais em alta”, diz Câmara.

Das quatro atividades que tiveram influência decisiva na alta dos preços de julho, três são derivadas diretas das políticas do governo ou da ausência delas.

Quando Bolsonaro disse que não ia intervir no mercado e realmente não fixou preços mínimos, nem fez a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) fazer estoques reguladores deixando o abastecimento interno à deriva, como sinalizou o pesquisador do IPP, as altas acumuladas das commodities agropecuárias jogaram para o alto, muito alto, os preços internos da soja e do milho, por exemplo, essenciais na alimentação de frangos e suínos.

No refino do petróleo a política de paridade ao preço ao mercado internacional mantida pela direção da Petrobrás deixa evidente outra política de Bolsonaro/Guedes trazendo a alta de preços no estrangeiro para nosso mercado interno. Não há desculpas, nem inocentes, depois de jogarem a nação nesse “buraco negro” econômico da brutal dependência ao mercado de fora.

A pesquisa investiga mais de 2.100 empresas. Coletam-se cerca de 6 mil preços mensalmente.

J.AMARO

Fonte: horadopovo.com.br/precos-ao-produtor-acumulam-alta-de-3508-em-12-meses