Em 'Vírus', Laura Finocchiaro canta a indignação contra quem nem deveria ter vindo

São Paulo – Chega às plataformas nesta sexta (30) o single Vírus, rock que ratifica o ímpeto transgressor da cantora, compositora, produtora e guitarrista Laura Finocchiaro. O vírus pode ser o da pandemia, mas as referências mais explícitas são a um governante. É um grito, diz a intérprete que, movida pela indignação, compôs a melodia ainda em 2020 e encomendou a letra ao jornalista João Luiz Vieira (confira ao final do texto).

Em Vírus, Laura gravou todos os instrumentos. E a faixa vai integrar o álbum Oxigênio, que sai neste segundo semestre, com obras compostas durante a pandemia. A exceção é Hino à diversidade, que ganhou regravação no mês passado, quando se celebrou o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Assim, a artista nascida em Porto Alegre começa a celebrar seus 40 anos de carreira, que serão formalmente completados em 2022, quando ela também chega aos 60.

Depois da estreia na cena porto-alegrense, Laura chegou a São Paulo em 1983, na efervescência de casas vanguardistas da época, como Lira Paulistana, em Pinheiros, e Madame Satã, no “Bixiga”. Permaneceu décadas em São Paulo, até aportar no Rio de Janeiro.

Artista independente, ela tem 13 álbuns lançados por seu selo, a Sorte Produções. Dessa forma, as parcerias musicais também mostram diversidade (Tom Zé, Vitor Martins e Cassandra Rios, por exemplo), assim como a lista de intérpretes de suas composições: Cazuza, Chico Chico (filho de Cássia Eller), Edson Cordeiro, Ney Matogrosso, Vange Leonel.

O rock ‘Vírus’, que está chegando às plataformas, vai integrar álbum de canções compostas durante a pandemia (Foto: Marian Starosta)

Segundo Laura, a ideia de Vírus surgiu da observação do triste cotidiano brasileiro, agora com mais de 550 mil mortes pela covid-19. Vacinação em ritmo lento, variantes, CPI no Senado, propagação de fake news e comportamento inadequado de muita gente, como as aglomerações e festas clandestinas demonstram.

E o objetivo, completa, é tentar tirar as pessoas do torpor. Enquanto o vírus-pandemia e o vírus-governo são letais, o da cantora – que na semana passada recebeu a primeira dose de imunizante – defende a solidariedade e o conhecimento. “Minha vacina é meu desprezo”, canta.

VÍRUS

(Laura Finocchiaro e João Luiz Vieira)

Você chegou, a gente sabe, eu sei

Fazendo barulho, pra nos perturbar

Deveria nem ter vindo, até pensei

Entrou, não teve jeito, só fez matar

Só fez matar

Entrou, não teve jeito, só fez matar

Quero te mandar pra lá

Quero que você se mova

Quero te mandar calar

Quero que você se exploda

Só fez matar

Entrou, não teve jeito, só fez matar

Não sabe se comportar, é grosseiro

Não tem compaixão, é covarde

Não cria sintonia, é grileiro

Não desinflama, veneno que arde

Só fez matar

Entrou, não teve jeito, só fez matar

Quero te mandar pra lá

Quero que você se mova

Quero te mandar calar

Quero que você se exploda

Infame, mesquinho, miserável

Nojento, odioso, patético

Como vírus, penetrou em mim

Minha vacina é meu desprezo

Você vai se implodir antes do fim

Das cordas do meu peito, o meu desejo

Asqueroso, canalha, desumano

Lock lock lock lockdown

Lock lock lock lockdown

Escroto, indigno, indecoroso

Quero te mandar pra lá,,, Patife!

Quero que você se mova… Sem vergonha!

Quero te mandar calar… Vil!

Quero que você se exploda…  Vírus do Brasil!

Saiba mais sobre Laura Finocchiaro no site da artista

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/cultura/2021/07/virus-laura-finocchiaro-canta-indignacao