As duas notícias ruins que o indiciamento da PF traz para Bolsonaro

O indiciamento de Jair Bolsonaro no caso das joias já era esperado pelo Brasil inteiro, até porque foi anunciado nacionalmente pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no mês passado.

Isso, portanto, não é uma grande novidade.

Novidade são os crimes pelos quais ele foi enquadrado pela PF: organização criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bem público.

A outra questão que chama atenção no indiciamento relacionado ao suposto esquema é o número de pessoas envolvidas, tal como o pai de Mauro Cid, general da reserva, e o advogado Frederick Wassef.

É gravíssimo o caso das joias, mas ele é apenas uma peça no tabuleiro jurídico em que Jair Bolsonaro se aproxima de receber um xeque-mate.

Existe o caso da vacina, que teve um desdobramento da Polícia Federal importante nesta quinta, 4. A coluna apurou que a operação de hoje não atrasará o indiciamento dos envolvidos. Além dessas, existe a mais grave de todos: a da tentativa de golpe de estado com a ajuda das Forças Armadas.

O líder da extrema-direita, nelegível, pode sofrer uma sequência enorme de revezes que o colocarão cada vez mais no corner ou em vários bancos dos réus.

O Brasil está agindo na hora certa. E por quê?

Porque o país está aprendendo com os Estados Unidos como não fazer. Apesar da maneira clara, evidente, na luz do dia, com que Donald Trump incentivou as pessoas a invadirem o Capitólio, ele está escapando ileso e avançando no seu projeto de voltar à presidência e perdoar a si mesmo.

Com isso, a democracia norte-americana fica muito exposta. Presidentes têm de responder pelos seus crimes. No Brasil, um desses é o desvio de jóias recebidas por Bolsonaro como chefe de estado – patrimônio da União que, as investigações indicam, tentou embolsar.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/matheus-leitao/as-duas-noticias-ruins-que-o-indiciamento-da-pf-traz-para-bolsonaro/