MP do Peru pede prisão de Keiko Fujimori por violar liberdade condicional

São Paulo – O Ministério Público do Peru pediu nesta quinta-feira (10) ao Judiciário a prisão preventiva da direitista Keiko Fujimori, candidata derrotada nas eleições à presidência do país. A filha do ex-ditador Alberto Fujimori é acusada pela operação Lava Jato peruana de lavagem de dinheiro, caixa dois e suborno em suas campanhas eleitorais. Depois de mais de um ano presa, ela cumpria liberdade condicional desde novembro de 2019 e concorreu pela terceira vez ao cargo de presidenta do Peru. O promotor José Domingo Pérez, um dos responsáveis pela investigação, alega que a candidata do Força Popular tem violado as medidas restritivas. 

À Justiça, a promotoria afirmou ter evidências “públicas e notórias” de que Keiko burlou a proibição de se comunicar com testemunhas do processo. Segundo o MP, ela estaria mantendo contato com nomes vinculados às denúncias de contribuições ilegais a campanhas eleitorais entre 2011 e 2016 pela empreiteira Odebrecht. O promotor menciona encontro, realizado na quarta (9) e transmitido pela internet, da direitista com o ex-congressista Miguel Torres. Ele é acusado e uma das testemunhas do processo e se apresentou como “porta-voz e advogado” do partido de Keiko.

De acordo com a imprensa local, o juiz Víctor Zúñiga Urday deu início à etapa de fiscalização da ação penal contra a candidata. Outros 39 réus pelos mesmos crimes – de lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça – também são investigados.

Derrotada nas eleições

A direita disputava o segundo turno contra o professor e sindicalista Pedro Castillo, representante da esquerda pelo partido Peru Livre. Nas primeiras horas de apuração dos votos, após o segundo turno eleitoral no domingo (6), ela chegou a ficar à frente de seu opositor com uma margem de seis pontos percentuais. Mas já no início da tarde do dia seguinte, o candidato da esquerda abriu vantagem, ultrapassando-a. Com 99,99% das urnas apuradas, Castillo já é declarado o virtual presidente eleito com 50,20% dos votos ante 49,79% de Keiko. 

A direitista vem buscando na Justiça reverter a diferença, pedindo a anulação de cerca de 200 mil votos. Ela alega fraude, mas não apresenta nenhuma prova. As acusações são contrariadas por observadores internacionais que atestam a lisura do processo eleitoral peruano.

Em entrevista ao programa Bom para Todos, da TVT, o sociólogo e escritor Lejeune Mirhan avaliou que a disputa se tornou assim acirrada devido ao longo tempo entre o primeiro e o segundo turno, de oito semanas. Segundo ele, isso deu tempo da campanha direitista promover intenso ataque contra Castillho, com fake news e inflando sentimentos de anticomunismo.  

Onda progressista se confirma

“Foi uma campanha do tostão contra o milhão. Deu chance de acontecer o que aconteceu. Milhões de disparos de mensagens por aplicativos falsas, enxurradas de mentiras. A campanha que a Keiko fez foi milionária, construíram o marketing de uma Keiko que não existe, irreal. (…) Até outro dia ela estava presa. É neoliberal, fascista, teve o pai condenado por 30 anos e quase metade do eleitorado caiu no discurso dela”, avalia Mirhan. 

Assista:

Apesar da disputa apertada, o sociólogo acredita que a vitória de Castillo sobre a direita do Peru reforça a onda progressista no continente, que pode levar à derrota do presidente Jair Bolsonaro em 2022. “Dá ânimo de seguir adiante e construir no Brasil alguma coisa parecida”, afirma.

Principal nome contra Bolsonaro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou o novo presidente do Peru, também projetando os efeitos da conquista sob a região. “Quero parabenizar Pedro Castillo pela importante vitória no Peru e saudar o povo peruano pelas eleições livres e democráticas. O resultado das urnas peruanas é simbólico e representa mais um avanço na luta popular em nossa querida América Latina”, declarou.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/mundo/2021/06/mp-do-peru-pede-prisao-de-keiko-fujimori-por-violar-liberdade-condicional