Na Suíça, referendo aprova proibição de véus que cubram o rosto em público • A Referência

A Suíça deve proibir o uso de coberturas faciais em locais públicos, decidiu 51% dos eleitores suíços em um referendo neste domingo (7). Com a decisão, que não inclui máscaras para proteção contra a Covid-19, o país impede a total cobertura do rosto em ruas, lojas e restaurantes.

Sem fazer menção direta ao Islã, a medida vem de um grupo de extrema direita permite o uso de véus faciais completos em locais de oração e “costumes nativos”, como o carnaval, disse o “The Guardian”.

Já os véus muçulmanos que cobrem parte do rosto, como os niqabs, ou as burqas, que cobrem todo o corpo, ficam proibidos.

Ligeira maioria da Suíça concorda em proibir burca em locais públicos
Ligeira maioria da Suíça concorda em proibir burca em locais públicos
Mulheres usam burqas em Kunduz, Afeganistão, em julho de 2006 (Foto: Divulgação/J McDowell)

Em 2009, o mesmo grupo pleiteou a proibição de novos minaretes no país – torres das mesquitas onde se anunciam as cinco chamadas diárias à oração na religião muçulmana.

“Na Suíça, nossa tradição é mostrar a cara”, disse o presidente do comitê do referendo, Walter Wobmann, à Reuters. “[A cobertura facial] é um símbolo do ‘Islã político extremo‘ que se torna cada vez mais proeminente na Europa e não tem lugar na Suíça”.

Pelo menos 48,8% dos eleitores rejeitaram a medida, confirmou a agência estatal Swiss Info. O Parlamento suíço e o conselho executivo que constitui o governo federal também se opuseram à proposta.

Berna chegou a pedir que os eleitores votassem contra a proibição. Ao invés de impedir o uso, os órgãos sugeriram instar as pessoas a levantar suas coberturas faciais quando solicitadas e confirmar suas identidades aos funcionários do governo.

Os responsáveis pela proposta afirmam que o objetivo seria impedir que manifestantes violentos usem máscaras.

Muçulmanos se queixam

Grupos islâmicos condenaram o referendo. “É um ataque claro à comunidade muçulmana da Suíça”, disse a líder de um grupo feminista islâmico, Ines Al Shikh. “O objetivo é estigmatizar e marginalizar ainda mais os muçulmanos”.

Grupos hoteleiros e profissionais de turismo também se opuseram à proibição, ao alegar que a medida reduziria o número de visitantes dos países árabes.

Os islâmicos representam cerca de 5% da população da Suíça, de 8,6 milhões de habitantes. A maioria tem raízes na Turquia, na Bósnia e no Kosovo. Com o resultado, a Suíça segue a França, que proibiu o uso da burca em 2011.

Outros países, como Áustria, Bélgica, Bulgária, Dinamarca e Holanda também implementaram a proibição total ou parcial do uso de coberturas faciais em público.

Fonte: areferencia.com/europa/na-suica-referendo-aprova-proibicao-de-veus-que-cubram-o-rosto-em-publico