Um olhar especial sobre a Covid-19 e o crescimento da fome

Há dezesseis anos seguidos, o Prêmio Piauí de Inclusão Social tem revelado um aspecto extraordinariamente presente no espírito de nossa gente
José Osmando de Araújo 
Jornalista 

Há dezesseis anos seguidos, o Prêmio Piauí de Inclusão Social tem revelado um aspecto extraordinariamente presente no espírito de nossa gente, que é a sua imensa capacidade de ter um olhar positivo para o outro, enxergando as dificuldades por que outras pessoas passam, e exibindo de forma espontânea a sua solidariedade. E nesse dar as mãos, revelando-se, de maneira intensa, uma capacidade significativa de ousar e empreender, ao colocar em prática atitudes salvadoras, reparadoras e construtivas.   

Mais de uma centena de belas práticas coletivas ou individuais de fraternidade já foram mostradas ao longo de quase duas décadas em que o prêmio é realizado. Formidáveis e alentadoras maneiras de se conseguir avanços no terreno da educação, das práticas esportivas, da educação ambiental, de soluções urbanísticas, do amparo à saúde das pessoas, da atenção e dedicação à música, à dança, às artes de modo em geral. Quanta dor já foi aliviada ou sanada graças a esses inúmeros exercícios de solidariedade postos em prática por homens e mulheres descobertos e focados pelas contínuas produções jornalísticas que o prêmio foi buscar por todo esse território do Piauí.

Prêmio Piauí de Inclusão Social terá edição voltada para Covid e fome 

Prêmio Piauí de Inclusão Social terá edição voltada para Covid e fome 

Nesta semana, quando dá a largada para realizar a sua 17ª edição, o Prêmio Piauí de Inclusão Social, uma parceria vitoriosa do Grupo Meio Norte de Comunicação com o Governo do Estado, põe todo o seu olhar em duas questões que a muitos afetam e a todos inquietam: o processo evolutivo da fome entre seres humanos mergulhadas na linha de miséria econômica e social, e a pandemia da Covid-19, essa moléstia sem limites, que já matou mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo e que apenas no Brasil já ceifou mais de 460 mil vidas.

Se achamos que 2020 seria um ano difícil-  e assim foi, talvez até mais do que previsto-, chegamos ao sexto mês de 2021 com o terrível sentimento de que estamos longe de fazer a tão sonhada travessia para a tranquilidade, pois ainda estamos todos imersos na insegurança, na incerteza. E se a pandemia do Coronavírus, por suas contínuas e variadas formas de ataque, já constituía por si só uma situação de profunda dramaticidade, por suas crescentes mortes, por seus milhões e milhões de contaminados e sequelados, trouxe ainda consigo a trágica constatação de fazer aumentar o número de famílias submetidas à fome.

E nesses milhares de brasileiros empurrados para os subterrâneos da pobreza extrema, tem-se a cruel verificação, conforme apontam os estudos de respeitados institutos de pesquisas econômicas e sociais, de que são mulheres e crianças- por serem mais vulneráveis-, as que mais são duramente atingidas por esse estado de desgraça.

Razão, então, para que nosso foco, nesta décima sétima etapa do Inclusão, esteja voltado para as inciativas de empresas, cooperativas e associações, organizações governamentais, organizações não-governamentais e empreendedores individuais, que estejam fazendo a diferença com seu trabalho para melhorar o atendimento contra a Covid-19 e para socorrer aqueles e aquelas vitimados por esse vergonhoso fantasma da fome.

Em um país de graves distorções sociais, de imensas disparidades e acentuada injustiça, em que se observa claramente, ao menos, indiferença e miopia em relação à proteção dos mais vulneráveis, é de algum modo esperanço sabermos que há no espírito de nosso povo um desejo de praticar fraternidade.

Melhor seria, é claro, que ao lado dessa disposição humanística da nossa gente, tivéssemos as nossas duas Casas Legislativas nacionais, a Câmara e o Senado, comprometidas na aplicação dos princípios preconizados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos ( ONU, 1948), de que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade.”

É visível que as pessoas do povo entendem essa mensagem e não apenas sonham em vê-la concretizada, mas atuam para que as desigualdades no seu entorno, na sua vizinhança, entre os seus conhecidos e muitas vezes entre pessoas que nem conhecem, não se acentuem, mas ao contrário diminuam.

E será a partir dessa próxima quinta-feira, e daí todas as semanas, até Novembro, que essas pessoas fraternas do Piauí terão a oportunidade de mais uma vez manifestar, com suas práticas, o seu amor ao próximo.