Lula, em entrevista, afirma que prioridades são as vacinas e o auxílio emergencial, não as eleições

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Reprodução

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, em longa entrevista concedida na quinta-feira (1º) ao jornalista Reinaldo Azevedo, em seu programa, O É da Coisa, da Rede Bandeirantes, abordou uma série de temas relacionados à atual conjuntura política e econômica do país. Destacamos os principais.

CANDIDATURA EM 2022 E OUTROS PRESIDENCIÁVEIS

Lula afirmou que em 2021 não pensará em candidatura à Presidência da República, diante da decisão judicial que, ao anular a competência da Justiça Federal de Curitiba (PR) nas condenações que sofreu, inclusive em segunda instância, tornou o líder petista elegível novamente. Os processos foram transferidos para a Justiça Federal de Brasília. Segundo ele, as prioridades este ano serão outras, como o combate a pandemia e o enfrentamento da crise econômica e social.

Indagado sobre o Manifesto pela Democracia, assinado por seis nomes considerados presidenciáveis no próximo ano (Dória, Ciro, Mandetta, Huck, Amoêdo e Eduardo Leite), Lula ressaltou a iniciativa e disse que se fosse consultado apoiaria, pois apoia qualquer movimento em defesa do estado democrático de direito ameaçado permanentemente por Bolsonaro.

VACINAS E APOIO EMERGENCIAL

Segundo Lula, a prioridades do momento são o combate ao coronavírus, a vacinação da população e a garantia de apoio emergencial a quem perdeu renda com a pandemia, bem como os micro, pequenos e médios empresários.

“Se o auxílio emergencial não for de R$600,00 e se não tiver vacina para todos, o Brasil não vai sair da crise”, afirmou Lula.

“Esta crise é uma guerra da natureza contra a humanidade. É uma guerra que espalhou pelo planeta inteiro. Não tem país rico, país pobre. A única solução para ela é a vacina. E a gente ainda não sabe se a vacina serve para todas as cepas”, argumentou.

CRISE ECONÔMICA E DÍVIDA

O ex-presidente criticou a política econômica conduzida por Bolsonaro e Guedes, especialmente no que se refere à condução da questão da dívida pública/PIB, relacionando uma série de outros países desenvolvidos cuja relação do endividamento com o Produto Interno Bruto é muito maior que a do Brasil. A atual política, segundo ele, não dá ao país condições de promover políticas sociais e investimentos públicos.

BOLSONARO E A PANDEMIA

Sobre o comportamento do presidente no combate ao coronavírus, Lula mandou um recado direto: “Cala a boca, Bolsonaro, deixa os cientistas e médicos falarem!”

O ex-presidente mandou outro recado a Bolsonaro: “quando é que você vai assumir a responsabilidade, parar de brincar e governar o país? Fecha a boca, Bolsonaro. Deixa os médicos falar por você. Da mesma forma que você não sabe falar sobre economia, não fale sobre saúde. Deixa o pessoal do SUS, deixa o seu ministro falar, os governadores, os prefeitos”, pediu.

“Eu queria expressar a minha solidariedade aos 12 milhões de casos no Brasil e os 320 mil mortos. Somente ontem [quarta], morreram quase 4 mil pessoas. Queria expressar minha solidariedade às famílias dos mortos e ao pessoal da saúde. Nós estamos vivendo um genocídio praticado pela irresponsabilidade de um único homem. Que brinca com a saúde, que inventa remédio”, lamentou Lula.

BOLSONARO E A POLÍTICA EXTERNA

Lula também criticou o afastamento do governo Bolsonaro do cenário geopolítico internacional. “Lamentavelmente, a gente tem um presidente que não consegue conversar com outros presidentes. Ele jogou todas as fichas no [Donald] Trump. Ele colocou um ministro das Relações Exteriores, que eu nunca vi ninguém mais bruto, mais ignorante e menos diplomático”, disse.

“Ele tirou o cara [Ernesto Araújo] e colocou alguém que nunca foi embaixador [Carlos Alberto França]. Esse cara não tem cacife para ser ministro de um país do tamanho do Brasil. Ele poderia ter escolhido um embaixador conservador, um embaixador liberal, mas escolheu alguém só porque é próximo da família Bolsonaro”, sentenciou.

CORRUPÇÃO E IMPEACHMENT DE DILMA

Às perguntas que lhe foram dirigidas sobre a corrupção em seu governo e na Petrobrás, Lula preferiu falar da seriedade dos dirigentes do PT que foram indicados para a direção da empresa, atribuindo os problemas aos servidores de carreira que ocuparam cargos de direção na empresa.

O ex-presidente voltou a fazer ataques à Operação Lava-Jato que, segundo ele, “teve um objetivo exclusivamente político” e trouxe prejuízos ao país e às empresas que foram envolvidas nas investigações.

Em relação ao governo Dilma e ao impeachment, Lula apontou “pautas-bombas” que teriam sido colocadas na agenda do Parlamento pelo ex-presidente Eduardo Cunha (MDB) e que inviabilizaram o segundo mandato da ex-presidente, bem como “as pedaladas fiscais” que, segundo ele, foram usadas por todos ex-presidentes, inclusive ele.

RELAÇÃO COM DEMAIS FORÇAS POLÍTICAS

Perguntado pelo jornalista sobre a “tendência hegemonista” do PT na relação com os demais partidos aliados, inclusive do campo progressista, Lula disse que essa visão “se deve ao fato do PT ser um grande partido”, mas destacou algumas alianças importantes feitas por ele o partido quando esteve no poder, não com Michel Temer e Eduardo Cunha, a quem não citou, mas com o ex-vice-presidente José de Alencar, já falecido, então do Partido Liberal, representante do empresariado nacional.

PRIVATIZAÇÕES

Por fim, questionado sobre a sua posição em relação à privatização das empresas que continuam estatais, como a Petrobrás e a Eletrobrás, ameaçadas de alienação no governo Bolsonaro, Lula argumentou que, mesmo em setores estratégicos, essas empresas, como também a Caixa Econômica Federal, “podem se tornar empresas de economia mista”, abrindo-se para o mercado de ações. Esse seria seu modelo ideal.

Fonte: horadopovo.com.br/lula-em-entrevista-afirma-que-prioridades-sao-as-vacinas-e-o-auxilio-emergencial-nao-as-eleicoes