Marcos Pontes pode deixar governo: “Falta de consideração”

Ministro astronauta disse que o corte de 92% em recursos destinados à Ciência são “equivocados e ilógicos”

Foto: Carolina Antunes/Presidência da República

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, sinalizou neste domingo (10) que pode estar próximo de deixar o governo Bolsonaro ao criticar publicamente o corte nos recursos destinados à sua pasta.

O governo Bolsonaro, através do Ministério da Economia, havia solicitado ao Congresso corte de 92% dos recursos destinados, em 2021, a bolsas e apoio à pesquisa. Os parlamentares acataram e aprovaram o projeto, nesta quinta-feira (7).

“Falta de consideração. Os cortes de recursos sobre o pequeno orçamento de Ciência do Brasil são equivocados e ilógicos. Ainda mais quando são feitos sem ouvir a Comunidade. Científica e Setor Produtivo. Isso precisa ser corrigido urgentemente”, disparou o ministro astronauta em postagem no Twitter.

Na sexta-feira (8), durante evento em Campinas (SP), que contou com a presença de Bolsonaro, Pontes deu entrevista à Folha de S. Paulo em que afirmou que pensou em, de fato, deixar o governo.

“Ontem foi um dia bastante tenso. Eu estava tentando entender o que estava acontecendo. Vamos enviar mensagens oficiais para a Economia e para a Junta de Orçamento para que exista reposição imediata desse recurso”, declarou.

Paralisação

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) divulgou uma nota, neste sábado (9), em que denuncia o corte de recursos destinados à Ciência promovido pelo governo Bolsonaro e convoca cientistas, pesquisadores e sociedade civil no geral para um dia de paralisação e mobilização contra a medida.

A ciência ficará com somente R$ 55 milhões, o que representa 8% do previsto inicialmente. Parte do recurso retirado, cerca de R$ 63 milhões, será destinado à produção de radiofármacos.

Sem a verba, bolsas poderão ser perdidas, além da suspensão do Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um dos mais importantes do Brasil.

“Essa manobra vai contra ao que foi aprovado no Congresso Nacional, pela Lei Complementar 177/2021, o qual prevê que os recursos do FNDCT sejam destinados, para sua devida finalidade, para financiar o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que já está respirando por aparelhos devido as asfixias orçamentárias dos últimos anos”, diz a ANPG.

“Nesse cenário, estão sob ameaças além de bolsas, a execução de projetos científicos importantes para o desenvolvimento nacional, como o pagamento de projetos da Chamada Universal, recomposição dos Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, Pós-Doutorado Júnior, Ciência na Escola e Reator Multipropósito brasileiro e a Rede Vírus (uma iniciativa com projetos que combatem viroses emergentes, como a covid-19)”, prossegue a entidade.

A paralisação de cientistas e pós-graduandos está marcada para o dia 20 de outubro e foi batizada de Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Ciência.

Revista Fórum