Consciência negra: literatura ajuda a contar história do racismo estrutural no Brasil – ViDA & Ação

No mês em que lembramos o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), Ler Faz Bem selecionou recomendações de leituras que ajudam a contar a história do racismo estrutural no Brasil, do passado até os dias de hoje. Um deles é o livro que revela bastidores da luta contra a escravidão – A Redenção de Antônio Bento é a primeira biografia de um dos maiores abolicionistas brasileiros.

De impressionante atualidade, a obra mostra a saga do humanista Antônio Bento, da metade do século XIX, que lutou contra a escravidão, o racismo, a falta de assistência aos menos favorecidos, a corrupção no sistema político, a mídia corrompida e a injustiça social.

O livro reúne 300 referências bibliográficas e é o resultado de 10 anos de pesquisas sobre a história desta personalidade que lutou contra a escravidão, o racismo, a falta de assistência aos menos favorecidos, a corrupção no sistema político, a mídia corrompida e a injustiça social. A obra é uma homenagem ao herói e também esclarece diversas controvérsias sobre a vida de Antônio Bento. 

Luiz Antônio Muniz de Souza e Castro, bisneto direto do biografado, e a professora Débora Fiuza de Figueiredo Orsi realizaram uma pesquisa profunda e criteriosa com fontes primárias. Enriqueceu a produção a viúva de Antônio Bento, dona Benedicta Amélia, que criou o pai do autor e se constituiu na ponte de gerações ao transmitir esses registros históricos

Com endosso do sociólogo e político Florestan Fernandes (1920 – 1995), o lançamento relata a luta contra a escravidão de uma São Paulo na qual prevaleciam os interesses dos escravagistas.

Somente Antônio Bento perfilha uma diretriz redentorista, condenando amargamente o engolfamento do passado no presente, através (sic) do tratamento discriminativo e preconceituoso do negro e do mulato. Em consequência, o mito floresceu sem contestação, até que os próprios negros ganharam condições materiais e intelectuais para erguer o seu protesto. Um protesto que ficou ignorado pelo meio social ambiente, mas que teve enorme significação histórica, humana e política. De fato, até hoje, constitui a única manifestação autêntica de populismo, de afirmação do povo humilde como gente de sua autoliberação.”(Florestan Fernandes – A Redenção de Antônio Bento, pág. 26)

Os bastidores da organização dos Caifazes, movimento abolicionista paulistano, também são destaque na obra, já que Antônio Bento assumiu a liderança da ação após a morte do poeta Luís Gama. O volume é rico em fotos, memórias e documentos da vida do juiz considerado “o John Brown brasileiro” por um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Nabuco.

As principais referências da obra são da imprensa, como o jornal A Redempção, de 1887 a 1899, reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A Redenção de Antônio Bento é uma obra atemporal que provoca reflexão sobre os dias atuais. Uma verdadeira homenagem ao herói que também esclarece vários pontos controversos sobre sua vida.

Sinopse: Para contar a vida e obra de Antônio Bento (1843 – 1898), os autores mergulharam em pesquisa profunda e criteriosa, em fontes primárias, – trabalho de uma década!-, dando luz a um verdadeiro herói nacional pouco reconhecido, mas que, justamente por isso, concedeu aos autores a chance de levar aos leitores os bastidores da luta contra a escravidão, o comando da Ordem dos Caifazes, a Hospedaria dos Negros – em contraponto à Hospedaria dos Imigrantes -, o Quilombo do Jabaquara, o jornal abolicionista A Redempção, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e tantos outros fatos da época. 

Sobre os autores: Luiz Antônio Muniz de Souza nasceu em São Paulo, é economista, bacharel em Direito e empresário. Débora Fiuza de Figueiredo Orsi, paulista, é professora de Língua Portuguesa, editora, redatora e revisora.

Ficha Técnica:Título: A Redenção de Antônio BentoAutores: Luiz Antônio Muniz de Souza e Castro e Débora Fiuza de Figueiredo OrsiEditora: Reality BooksPáginas: 456Preço: R$136,00Link de venda:  www.antoniobento.com e https://amzn.to/2XOyjig

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Para entender melhor a história da América Latina, a escravidão e os seus efeitos para a sociedade, no mês da Consciência Negra, a Tocalivros Social, junto com a Linha da Cultura do Metrô de São Paulo, traz gratuitamente o audiolivro A Autobiografia do Poeta-Escravo, de Juan Francisco Manzano. O poeta afro-cubano aprendeu a ler e a escrever por conta própria, em um ambiente em que os escravizados que buscavam a alfabetização eram punidos e até assassinados.

Este foi o único registro de um ex-escravizado latino-americano em uma autobiografia em cativeiro e o único registro de sua experiência dessas condições. Um dos poucos relatos dessa longa e terrível história de escravidão das Américas, já que os escravagistas não tinham interesse de registrar seus horrores e, os escravizados, as condições necessárias para fazê-lo.A narração é do ator Eduardo Silva – o eterno Bongo do Castelo Ra Tim Bum. Atuando desde 1978 em novelas, programas infantis e educativos, Eduardo foi vencedor de prêmios por seus longas e curtas-metragens, no teatro fez 12 peças infantis ganhando 15 prêmios e 25 espetáculos adultos nos quais ganhou 4 prêmios.

Publicada no Brasil pela primeira vez e transformada em audiolivros pela Tocalivros, essa impactante autobiografia está disponível gratuitamente como o livro do mês de novembro para que todos possam da voz a narrativa negra. Para acessar, basta clicar no link com o voucher POETAESCRAVO, baixe gratuitamente o audiolivro. Veja ainda no Instagram.

O romance “O Abrigo de Kulê”, lançamento da escritora Juliana Valentim, traz temas atemporais como questões raciais e sororidade – a solidariedade feminina. Ambientado nos anos 40, o romance da escritora brasiliense, Juliana Valentim, aborda temas como amor e solidariedade, ultrapassando as barreiras do tempo

O trabalho escravo nas fazendas brasileiras na década de 40 é o tema central do lançamento O Abrigo de Kulê. A obra narra a história de Gabriel, um caixeiro viajante contador de histórias, e Maria, uma jovem que ama os livros e sonha em conhecer o mundo. Juntos, eles traçam um caminho em busca da liberdade.

O livro coloca em discussão assuntos que atravessam décadas e permanecem vivos até os dias atuais. Fala de amor, coragem e sororidade, a solidariedade feminina que nasce em tempos desafiadores. A narrativa é construída de forma leve e cheia de fantasia, fazendo o leitor passear por paisagens e costumes do interior do Brasil.

Assim como os protagonistas da obra, no alto dos seus 20 anos, o enredo se revela ao público jovem com uma sucessão de acontecimentos marcantes que transitam pela paixão, decepção, saudade, liberdade, encanto e desencanto.

A capa é um trabalho da desenhista Elaine Lyra, com ilustração digital da Flávia Hashimoto. “Imaginei uma capa que abordasse essa busca pela liberdade de forma lúdica. Por isso, trouxemos o desenho da jovem aprisionada, mas com lindas asas coloridas. É uma imagem que diz muito”, afirma a autora.

Juliana Valentim é jornalista de formação e possui um sólido trabalho nas redes sociais. Em seu perfil literário “Palavras que Dançam”, escreve diariamente textos curtos e fragmentos poéticos. Autora de dois livros anteriores, de crônicas e poesias, ela agora se aventura nas páginas do seu primeiro romance.

“Gerenciar um perfil literário na internet me fez conhecer melhor o meu o leitor. O que eu mais gosto de fazer na vida é escrever um texto e ver como ele chega nas pessoas. Sou eu em cada palavra, viajando por casas e corações que jamais conheceria, não fosse pela poesia”, diz a escritora.

Despediram-se, então, com uma inquietação na alma. Sentiam vontade de viver demasiadamente, até o talo da vida.As peles queimavam feito uma febre faminta de tudo. Sentiam vontade de engolir o mundo. (O Abrigo de Kulê, p. 20)

Na escrita fluida, Juliana Valentim convida a todos a embarcarem nessa narrativa que enaltece a juventude e mostra que a liberdade é um direito pelo qual se deve lutar, sempre!

FICHA TÉCNICA:Título: O Abrigo de KulêAutora: Juliana ValentimEditora: All PrintPáginas: 204Preço: R$ 32,00 Links de pré-venda: https://amzn.to/2RtPUsn

Sinopse:  O ano é 1940. A cidade, uma dessas onde os velhos espiam pelas janelas com seus olhos cheios de memórias, onde as crianças brincam pelas ruas, com seus pés nus, e meninas sem luxo se enfeitam para ver a festa na praça. Maria, uma moça que ama os livros e sonha em ver o mundo, encontra Gabriel, um caixeiro-viajante vendedor de brinquedos. O que eles não sabiam, na beleza inocente da juventude, é que o destino tem seus caprichos. O que eles não sabiam, é que a liberdade é o bem mais precioso de quem vive. E é por ela que se luta, todos os dias! 

Sobre a autora:Juliana Valentim é brasiliense de nascença, jornalista de formação e escritora porque a paixão pelas palavras é o que faz sua alma vibrar. Desde sempre! É autora de dois livros, de crônicas e poesias, e agora se aventura na narrativa do seu primeiro romance. Gerencia um perfil de textos curtos nas redes sociais, @palavrasquedancam, e escreve também em seu site www.palavrasquedancam.com.br.

A antropóloga Luana Malheiro lançou em setembro o livro “Tornar-se mulher usuária de crack: cultura e política sobre drogas”, publicação da Editora Telha, resultado da sua pesquisa que acompanhou, por 3 anos, 20 mulheres em situação de rua e usuárias de crack. A obra busca apresentar como as violências raciais e de gênero podem ser a verdadeira porta de entrada do uso compulsivo de crack, levando-nos a refletir que a saída para resolver o problema da droga está inteiramente ligada com a resolução de desigualdades raciais, econômicas e de gênero.A cultura de uso de crack no contexto das ruas é um fenômeno que tem gerado inúmeros debates e opiniões em nossa sociedade. A mídia tem sido responsável por noticiar de forma alarmante o grande mal que destruiria o nosso futuro: o crack. Alçado a grande mazela dos nossos tempos, o crack passou a ser descrito como o responsável pelo consciente caminho para a morte, de inúmeros usuários e usuárias”, explica a autora.A partir da pesquisa apresentada neste livro, Luana Malheiro conclui que a política de drogas, tal como se apresenta na atualidade, reforça opressões de raça, gênero e classe constituindo uma arena marcada pela injustiça social na vida das mulheres. A resposta a essas opressões aparecem na pesquisa a partir da construção do campo do feminismo antiproibicionista que tem organizado politicamente mulheres afetadas pela guerra às drogas.Sobre a autora:Luana Malheiro é Bacharel em Ciências Sociais com concentração em Antropologia pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA (FFCH/UFBA), Especialista em Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Mental pelo Instituto De Saúde Coletiva da UFBA (ISC/UFBA), mestra em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFBA (PPGA/UFBA) e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA (PPGCS/UFBA). É membro fundadora da Rede LatinoAmericana e Caribenha de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD), da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA) e do Movimento Brasileiro da Redução de Danos (MBRD). Atualmente é articuladora política na Secretaria Executiva da Plataforma Brasileira de Políticas Sobre Drogas (PBPD) e conselheira da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD).Ficha técnica:Autora: Luana MalheiroTítulo: Tornar-se mulher usuária de crack: cultura e política sobre drogasEditora: TelhaNúmero de páginas: 372Preço: R﹩65,00Pré-venda: http://www.editoratelha.com.brOnde encontrar: Amazon, Americanas, Blooks Livraria, Livraria da EdUERJ, Livraria Leonardo Da Vinci, Magazine Luiza, Mercado Livre, Shoptime e Submarino

Fonte: www.vidaeacao.com.br/consciencia-negra-literatura-ajuda-a-contar-historia-do-racismo-estrutural-no-brasil