Câncer de ovário: como identificar e tratar o mais grave tumor ginecológico

As consultas anuais ao ginecologista são compromissos que as mulheres deveriam seguir com regularidade, independentemente de haver ou não sintomas ou desconfortos. Isso porque muitas doenças são silenciosas, como o câncer de ovário, segundo tipo de neoplasia ginecológica, atrás apenas do câncer de colo do útero.

Cerca de 75% dos diagnósticos deste tipo de doença são feitos tardiamente, quando já afetou outros órgãos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020 foram registrados cerca de 6.600 novos casos – o equivalente a 3% do total de neoplasias estimadas em mulheres – e mais de 4 mil mortes decorrentes da doença.

Estes números podem aumentar, devido à crise sanitária que vivemos. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), aproximadamente 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer em razão do afastamento das pessoas dos serviços de saúde.

O Dia Mundial do Câncer de Ovário (8 de maio) para alertar as mulheres sobre sintomas, tratamento e prevenção. Trata-se de um tumor ginecológico de difícil diagnóstico. Por este motivo, apresenta as menores taxas de cura, visto que geralmente é descoberto em estágio avançado. Profissionais de saúde falam da importância da conscientização sobre a doença e os cuidados necessários para que o câncer de ovário seja diagnosticado o mais precocemente possível.

Considerado o mais grave câncer ginecológico, a doença tem maior incidência após os 50 anos de idade e o diagnóstico precoce ainda permanece um desafio. Alguns fatores de risco também estão associados ao câncer de ovário, como histórico familiar e reposição hormonal na menopausa, entre outros.

Os sintomas são vagos e mal definidos e, ainda na fase inicial, podem não se mostrar presentes. Para isso, exames preventivos e consultas periódicas ao ginecologista são indispensáveis. “A suspeita de neoplasia de ovário se dá com o inchaço abdominal contínuo, sem melhora, a perda de apetite, dor na região pélvica e o aumento na necessidade de urinar”, explica Daniela Amaral, oncologista do Grupo CON – Oncologia, Hematologia e Centro de Infusão.

Segundo ela, alguns exames, como ultrassonografia transvaginal e a dosagem de CA 125 no sangue, são muito solicitados pelos médicos em busca do diagnóstico precoce da doença, mas não se mostraram eficazes como método de rastreio. Esses exames não reduziram as estatísticas de mortalidade, mesmo realizados anualmente em mulheres sem sintomas e sem histórico familiar.

“A ultrassonografia pélvica ou transvaginal se mostrou útil apenas para diagnosticar a doença já existente e, na maioria das vezes, já avançada”, completa a Dra. Daniela. Segundo ela, reconhecer os primeiros sinais da doença pode levar a um diagnóstico em fase inicial, aumentando bastante a probabilidade de sobrevivência.

“Identificar de maneira precoce o câncer de ovário é um grande desafio para os médicos. É muito importante que a paciente faça o acompanhamento regular com o ginecologista”, sinaliza a Dra. Daniela. Vale ressaltar ainda que o exame Papanicolau não detecta o câncer de ovário, já que é específico para detectar o câncer do colo do útero

Após a confirmação do diagnóstico, como tratar?

Uma vez confirmado o câncer de ovário, diversas opções de tratamento poderão ser indicadas, conforme o estágio da doença e as condições clínicas da paciente. Quando detectado no início, geralmente a cirurgia é menos agressiva e com mais chances de cura. 

É importante destacar que toda paciente com alguma massa suspeita deve ser submetida a uma abordagem cirúrgica, realizada por um cirurgião oncológico experiente. A partir daí, será estabelecido o diagnóstico definitivo, a extensão da doença e o tratamento”, explica Dra Daniela.

A qualidade da cirurgia e da quimioterapia são grandes diferenciais no tratamento do câncer de ovário, explica Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião oncológico.

Em alguns casos, a partir do câncer de ovário, pode haver a disseminação da doença pela cavidade abdominal. Quando a doença sai de seu órgão de origem, se espalhando pelo peritônio, que é a membrana de revestimento interno do abdome, temos a Carcinomatose Peritoneal”, explica o especialista.

Tratamento pode incluir cirurgia e quimioterapia

Antigamente, esta era uma situação sem qualquer expectativa de cura para o paciente, levando a complicações fatais, como a obstrução intestinal. Hoje, com as técnicas existentes, profissionais em constante capacitação e hospitais de referência para o tratamento da carcinomatose peritoneal, o prognóstico pode ser bem diferente.

Com o advento da peritoniectomia (cirurgia citorredutora), que é a retirada cirúrgica dos tumores, e a quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC), que é a aplicação de quimioterapia quente diretamente na cavidade abdominal do paciente após a cirurgia citorredutora, alguns pacientes chegam à cura da carcinomatose. Outros, podem ser beneficiados com sobrevidas muito mais longas.

Para a realização destas técnicas com o melhor aproveitamento, é necessário formação e conhecimento, pois podem ser necessárias ressecções extensas peritoneais, colorretais, de apêndice e de demais órgãos que eventualmente tenham sido afetados”, alerta o Dr. Arnaldo.

Fernando Maluf tira dúvidas sobre o câncer de ovário

Para ajudar a tirar algumas dúvidas sobre o câncer de ovário, o oncologista Fernando Maluf, do Hospital Beneficência Portuguesa, listou alguns mitos e verdades que ainda envolvem o câncer de ovário:

1. O exame preventivo, o Papanicolau, detecta o câncer de ovário?Não, este exame é indicado para diagnosticar câncer de colo de útero e infecção por HPV, que, aliás, é uma das causas deste tipo de câncer. Para iniciar o diagnóstico do câncer de ovário, é necessário fazer um exame de imagem (ultrassom transvaginal e/ou ressonância magnética), o qual mostra imagens do órgão e indica para o médico a necessidade ou não de biópsia – este é o exame que realmente vai comprovar se o tumor é maligno ou benigno. O ginecologista vai orientar a paciente, mas, caso a biopsia tenha o resultado positivo para carcinoma, deverá ser encaminhada ao oncologista e ao cirurgião oncológico e iniciar o tratamento o quanto antes.

2. Ovário policístico pode virar câncer de ovário?Não, cisto no ovário é uma massa benigna a qual não evolui para câncer de ovário, porém, uma das complicações para a mulher é desenvolver a síndrome do ovário policístico, o que pode afetar a qualidade de vida, se não tratada adequadamente pelo ginecologista.

3. Posso engravidar mesmo depois da descoberta do câncer de ovário?Depende do tratamento indicado para a paciente. Em muitos casos, a quimioterapia e a cirurgia, principalmente, impedem a gravidez, porém o oncologista deve ser comunicado, caso haja o desejo da mulher em ter filhos para pensarem na melhor alternativa.

4. Cólica e dor durante as relações sexuais são sintomas da doença?Depende. Como este tipo de câncer tem sintomas perceptíveis somente quando em estágio mais avançado, alguns sinais podem sinalizar o médico que deva pesquisar mais sobre a queixa da paciente para descartar doenças como endometriose e o próprio câncer. Outros sintomas também são citados pelas pacientes, como a fadiga, flatulência, aumento na vontade e urgência em urinar, constipação, massa palpável no abdômen, aumento de líquido no peritônio, entre outros. É importante manter o peso na faixa ideal e sempre monitorar sua saúde, mesmo sem sintomas aparentes, pois esta atitude pode salvar vidas!

5. Como é o tratamento?Como a maioria dos diagnósticos são feitos em estágios mais avançados, os tratamentos disponíveis incluem a quimioterapia e a cirurgia. Há outras medicações chegando ao mercado, como a terapia oral, que estão trazendo novas perspectivas para o tratamento do câncer de ovário – conhecido como o tipo de câncer ginecológico com a menor taxa de sobrevida entre as pacientes, cerca de 45%. Segundo o Inca, a estimativa para este ano é de 6.650 casos e teve registro de 3.879 óbitos em 2017(1).

6. Não fumo nem bebo e pratico exercícios regularmente, mas, mesmo assim, tive o diagnóstico de câncer de ovário – por quê?Ter hábitos saudáveis na alimentação e ter uma rotina de exercícios regulares são duas atitudes que ajudam a manter o organismo saudável, além das consultas com seu médico de confiança anualmente. Entretanto, há casos de pacientes oncológicos que, mesmo tendo um estilo de vida mais saudável, descobrem a doença. Por isso, uma investigação genética é indicada para descartar a possibilidade de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, indicação também que deve ser estendida para mulheres jovens, já que a doença tem prevalência em mulheres acima dos 45 anos.

Com Assessorias

Fonte: www.vidaeacao.com.br/cancer-de-ovario-quando-a