Esperança: em 5 anos, novas medicações devem postergar os efeitos do Alzheimer – ViDA & Ação

Junto com Fibromialgia e Lúpus, a campanha Fevereiro Roxo promove a conscientização a respeito do Alzheimer, o tipo mais comum de demência no mundo e já considerada um dos principais desafios globais de saúde. À medida que a expectativa de vida mundial se tornou mais elevada, houve também aumento da prevalência de Alzheimer.

Atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas são acometidas por algum tipo de demência, como são conhecidas as doenças que afetam as atividades cerebrais e dificultam as funções cognitivas. A cada três segundos uma pessoa desenvolve algum tipo de demência e estima-se que o número de pessoas nesta condição triplique, passando para 152 milhões em 2050.

Ainda segundo a OMS, o Alzheimer é causa de 70% dos casos de demência mundial. De acordo com dados de 2019, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), cerca de dois milhões de brasileiros sofrem de alguma demência, dos quais, cerca de 40 a 60% são pessoas com a doença de Alzheimer (DA).

Os sinais envolvem perda de memória que prejudica a vida diária, desorientação, empobrecimento de julgamento e tomada de decisão, alterações de humor e de personalidade, além de abandono do trabalho e da realização de atividades sociais. O assunto é tão relevante que em 2020, a Doctoralia , uma das maiores plataformas de agendamento de consultas do mundo, teve mais de 74 mil pesquisas em seu site sobre o tema, sendo que a seção ” Pergunte ao Especialista ” contou com 82,4% dessas buscas.

Falar sobre o assunto é uma questão de saúde pública, assim como relembrar a população dos principais sintomas e tratamentos. Uma boa notícia é a perspectiva de que novas medicações mais eficazes no controle e tratamento do Alzheimer estejam disponíveis até 2025.

É importante lembrar que o Alzheimer é uma doença crônica, porém, estamos vivendo uma onda positiva em relação aos estudos e pesquisas de novas drogas para postergar os seus efeitos. A expectativa é que nos próximos cinco anos, os pacientes terão mais opções de tratamentos, que vão atuar diretamente em mecanismo de progressão”, explica o neurologista Diogo Haddad, coordenador do Núcleo de Memória da Unidade Campo Belo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Enquanto isso, o diagnóstico precoce ainda continua sendo fundamental para o tratamento da doença. Para isso, a família tem um papel fundamental, pois são as pessoas próximas que costumam perceber os sintomas, como perda de memória recente, disfunção e alteração na linguagem e mudanças comportamentais.

Geralmente, o diagnóstico acontece acima dos 70 anos, mas os sinais já começam a aparecer 10 anos antes, de uma forma discreta que ainda não afeta a vida da pessoa. O diagnóstico precoce vai ajudar a estimular a área afetada”, diz o neurologista.

O Alzheimer é um transtorno acomete o sistema nervoso, pela morte dos neurônios e, consequentemente, compromete a memória, a capacidade de linguagem e o comportamento do paciente. A doença não tem cura, porém, o diagnóstico precoce e a reabilitação neuropsicológica são fundamentais para diminuição da progressão da enfermidade e para proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes e seus familiares.

Segundo o neurologista Willians Lorenzatto, assessor médico do Grupo FQM, a doença é inteiramente ligada à idade e à genética. “O Alzheimer é uma doença idade-dependente e seu risco aumenta em familiares, o que indica que a genética está fortemente relacionada a ela. Aproximadamente 40% dos pacientes possuem, no seu histórico, um antecedente familiar, especialmente em famílias longevas”, afirma.

Já o neurologista Diogo Haddad afirma que o fator genético dificilmente é o responsável pelo Alzheimer, ou seja, familiares de pessoas com a doença não estão necessariamente predispostos a contraírem a patologia. Porém, o Alzheimer não tem uma causa apenas definida. Entre os fatores de risco estão a falta de atividade intelectual e física, tabagismo, obesidade e diabetes, situações que podem ser controladas ao longo da vida. Por isso, a recomendação dos especialistas é que as pessoas mantenham os estímulos cerebrais ativos, realizando atividades intelectuais durante toda a vida.

O especialista explica que os sintomas iniciais da doença são comumente confundidos durante o processo natural do envelhecimento. Por isso, é importante que os familiares fiquem atentos às queixas e sinais de perda de memória e de interesse pelas atividades cotidianas.

A alteração mais importante e inicial é a da memória, seguida de transtornos de outras esferas cognitivas superiores, como cálculo, escrita, leitura, fala, marcha e alterações psiquiátricas”, completa.  Alucinações, delírios e mudanças repentinas de humor também podem ser comuns em pessoas com DA.

O Mal de Alzheimer pode comprometer a coordenação, equilíbrio e até mesmo as funções vitais. O quadro é progressivo e, por isso, vai piorando com o passar do tempo, até que a pessoa se torne integralmente dependente de cuidados de terceiros.

A doença é variável entre os acometidos, até o paciente ficar dependente totalmente, pode demorar de oito a 15 anos. O que mata são as complicações causadas por infecções, pneumonia, escaras e desnutrição”, esclarece Dr. Lorenzatto.

Apesar de não haver cura, os tratamentos com acompanhamento médico podem amenizar os sintomas e retardar a evolução da doença, principalmente quando detectada em sua fase inicial. Para tal, o diagnóstico e tratamento devem ser realizados por um geriatra ou neurologista.

De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), cerca de 80% das pessoas têm preocupação em relação ao possível desenvolvimento de demência em algum momento da vida. Essa enfermidade também impacta economicamente o mundo: 1 trilhão de dólares por ano. Os números expressivos, explicado pelo aumento do envelhecimento da população, geram preocupação e interesse dos cientistas em como frear a doença. 

A falta da memória pode ser causada por diversas doenças ou déficits cognitivos. A maioria delas ocorrem por conta do envelhecimento, que teve seu índice elevado na população mundial nos últimos anos, como explica Dr. Diogo Haddad. Segundo o especialista, as doenças da memória podem variar de leve a grave, mas todas têm origem em problemas nas estruturas neurológicas do indivíduo, que dificultam o armazenamento e as lembranças.

A forma grave da perda da memória pode estar associada a doenças progressivas e degenerativas, como quadros de demência como por exemplo na Doença de Alzheimer. Já as imediatas podem ser resultados do que chamamos de transtornos de humor, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, e até alterações hormonais”, diz o neurologista.

A neuropsicóloga do Núcleo de Memória, Priscilla Brandi Gomes Godoy, explica que ao menor sinal dos sintomas é fundamental que o paciente seja encaminhado para um especialista. “Existem vários tipos de demências e doenças que geram perda de memória e que podem ser confundidas com Alzheimer. Procurar um profissional para realizar os exames é fundamental para a detecção precoce da doença”, afirma.

Por conta de todas as suas facetas e possibilidades de causa, o tratamento com equipe multidisciplinar é essencial para avaliar o problema. “Uma avaliação neurológica comportamental, aliada a exames, principalmemte a partir dos 60 anos, é importante, pois por meio de tratamentos inovadores com foco na qualidade de vida de pacientes, podemos trabalhar em todas as vertentes, da prevenção até a reabilitação”, complementa.

Você já fez um check-up da sua memória? É nela que estão as habilidades motoras, sensitivas e intelectuais, e toda forma de condicionamento do ser humano. Enquanto a atividade física, um bom sono, alimentação balanceada, estudar, ler e praticar atividades que estimulam o cérebro fortalecem a memória, traumas e pancadas na cabeça, depressão, isolamento social, estresse e o envelhecimento a prejudicam.

Quando começam a ocorrer episódios de perda frequente e rotineira da memória, impactando na qualidade de vida, é necessária uma avaliação médica para investigar o problema. Apesar de todo o avanço da ciência e da medicina ainda não se sabe como exatamente funciona a memória, mas há indícios de que muitas doenças podem provocar sua perda.

Podem e devem procurar atendimento em um núcleo especializado em memória aqueles que sofrem de Doença de Alzheimer, Declínio Cognitivo Vascular, Declínio Cognitivo Pós-Traumatismo Craniano, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Distúrbios de Humor, Sídrome de Burnout, Dislexia e Declínio Cognitivo associado a Neoplasias, e aqueles que passam por Tratamento Quimioterápico ou Radioterápico.

Com o objetivo de propor atendimento que vai desde a prevenção, diagnóstico até a reabilitação cognitiva, é que o Hospital Alemão Oswaldo Cruz agora conta com um Núcleo da Memória, na Unidade Campo Belo. No espaço, os pacientes passam por uma avaliação cognitiva, que é realizada por uma equipe de especialistas multidisciplinar, formada por neurologistas, geriatras, neuropiscólogos, terapeutas ocupacionas e fisioterapeutas. O serviço também oferece ensino em Neurologia Cognitiva e Doenças Comportamentais, com programas de prevenção primária e secundária do declínio cognitivo.

Durante essa avaliação, são realizados testes de memória, de linguagem, além de testes físicos. Em seguida, o paciente recebe o diagnóstico do neurologista e, se for o caso, é encaminhado para reabilitação neuropsicológica, onde passará por diversos processos e atividades cognitivas para o fortalecimento dos neurônios. O plano de reabilitação, além de prever atividades que estimulem a função que está sendo degenerada, vai incluir atividades e estratégias compensatórias, para apoiar o paciente e família a se adaptarem a nova rotina.

A psiquiatra membro da Doctoralia, Gabriela Giovanini Borges, esclarece algumas das principais dúvidas em torno da doença. Uma delas é se Alzheimer provoca incontinência urinária. “Não. E a incontinência só ocorre nas fases mais avançadas da demência, quando os idosos perdem o controle dos esfíncteres”, conta.

A especialista também explica que a pessoa acometida pelo Alzheimer deixa de fazer as atividades porque simplesmente começa a esquecer as suas habilidades. “É muito comum que as síndromes demenciais iniciem com alterações comportamentais, como problemas de concentração, insônia e apatia. O idoso passa a ter dificuldades em executar tarefas simples do cotidiano e pode ficar mais isolado, entristecido ou até mesmo mais agitado e com dificuldade para dormir”, conta.

Geralmente, o Alzheimer acomete pessoas com idade avançada, antecedentes familiares de demência, presença do gene APOE-e4 e de trissomia do cromossomo 21, e estima-se que 50% ou mais de pessoas com síndrome de Down desenvolverão a doença. “Há outro grupo que pode apresentar Alzheimer devido a um histórico de traumatismo craniano, hipertensão, diabetes, colesterol alto ou qualquer problema cardiovascular”, explica a médica.

A especialista também esclarece que, no envelhecimento normal, há diminuição da velocidade com que o idoso se locomove, raciocina e aprende as coisas. Já na demência, ele vai desaprendendo atividades, como resolução de problemas, e apresenta perda motora e na linguagem. “Importante salientar que nem todo idoso terá Alzheimer. Tudo vai depender dos fatores de risco, qualidade de vida que esse idoso teve e o quanto ele se mantém ativo”, ressalta.

Aqueles com queixa de memória devem procurar um médico para investigação. “São realizados diversos exames de sangue para excluir outras doenças que possam mimetizar a demência. A ressonância nuclear magnética de encéfalo pode mostrar áreas de redução volumétrica, mas não é um diagnóstico definitivo. Já o tratamento depende do estágio da doença. Para evitar o desenvolvimento de comorbidades, o ideal é que haja um acompanhamento multidisciplinar, com psiquiatra, neurologista, fisioterapeuta e nutricionista”, afirma Gabriela.

Além dos tratamentos que ajudam a atrasar a progressão da doença, algumas iniciativas também podem proporcionar mais qualidade de vida às pessoas. “Os estudos sugerem que atividades físicas, sociais e cognitivas também podem ajudar. Controlar os fatores cardiovasculares, como hipertensão e diabetes, e desenvolver novas tarefas são essenciais para prevenir a demência”, ressalta a especialista.

Gabriela também afirma que, com o progresso da doença, o cuidado exigido da família pode resultar em estresse emocional. “Alguns dados mostram que o risco de depressão aumenta para os cuidadores à medida que a demência progride. Por isso, é importante o fortalecimento de laços entre todas as partes envolvidas, com o intuito de oferecer o melhor cuidado para todos”, finaliza.

Mais informações – Para que o enfrentamento da doença seja mais ameno, o Portal Fale Abertamente, que está no ar desde 2018, possui uma área exclusiva para falar sobre o Alzheimer. No site, também é possível encontrar diversas informações, inclusive com dicas de como ajudar um paciente diagnosticado e a indicação de tratamentos gratuitos ou acessíveis. A plataforma pode ser acessada por meio do link.

Por Cristiano Caveião*

O Alzheimer é uma doença progressiva que ocasiona a destruição da memória e de outras funções mentais importantes. Ocorre a degeneração e morte das células.Trata-se de uma doença com evolução, apenas ocorre a perda de algumas funções de cerebrais que estão relacionadas com a memória, habilidades linguísticas e de pensamento. Até mesmo a capacidade do autocuidado. Comumente, sua progressão pode ocorrer entre oito a 12 anos.É crônica e não possui cura, contudo podem ser utilizados medicamentos para tratar os sintomas, como a agressividade. Além disso, o Alzheimer pode evoluir para outra condição, como a demência. É mais comum na população idosa, contudo, as pessoas mais jovens também podem ter a doença, neste caso é chamado de Alzheimer precoce.Os seus sintomas são separados em quatro fases, pois cada uma apresenta quadros clínicos diferentes.A primeira fase, de forma geral, também é quando se apresenta os primeiros sintomas do Alzheimer. O paciente pode demonstrar comprometimento da memória; dificuldade de aprendizagem; perder-se em familiares familiares; dificuldade para a tomada de decisões; perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas; mudanças de humor; mudanças da personalidade e mudanças nas habilidades visuais e espaciais.Já na segunda fase apresenta dificuldade na fala; não consegue mais morar sozinho; presença de alucinações; pode perder-se dentro de casa; repete com frequência as mesmas perguntas; pode tornar-se agressivo; problemas de coordenação motora, que geram dificuldade para realizar tarefas simples e constantes.

Na terceira fase pode apresentar incontinência urinária e fecal; dificuldade para alimentação e deglutição; comportamento impróprio em público; resistência para realização das atividades e deficiência motora.Uma quarta fase chamada de fase terminal, pode apresentar mutismo; não reconhecer familiares, amigos ou objetos; restrição de leito pela dificuldade de movimento e presença de constantes.O Alzheimer ainda não tem cura, contudo existem alguns tratamentos que são eficazes e podem prolongar a vida e o bem-estar do paciente. Existem estudos com resultados promissores que independente sucesso na reversão da doença em testes com animais.Existem algumas atitudes que podemos seguir para ajudar a evitar o aparecimento da doença no futuro. É necessário melhorar os hábitos alimentares; praticar atividade física; estimular o cérebro com atividades; evitar exposição ao alumínio, tabaco, álcool, obesidade, diabetes, hipertensão, são fatores que podem ser controlados e consequentemente auxiliar no aparecimento ou o retardo do aparecimento da doença.

Cristiano Caveião é professor do curso de Tecnologia em Gerontologia – Cuidado ao Idoso do Centro Universitário Internacional Uninter

Com Assessorias

Fonte: www.vidaeacao.com.br/esperanca-em-5-anos-novas-medicacoes-para-postergar-os-efeitos-do-alzheimer