Eustresse e distresse: o lado bom e o lado ruim do estresse – ViDA & Ação

A pandemia vem provocando impactos emocionais e preocupa toda a comunidade de profissionais ligados à saúde mental. Em 2020, o Brasil se consolidou como o país mais ansioso do mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase 20 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade, o que inclui transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, estresse pós-traumático e ataques de pânico.

Um dos fatores que pode influenciar essa estatística é o estresse. Segundo Liora Bels, especialista em bem-estar do Freeletics, aplicativo de exercícios físicos e estilo de vida com uso de inteligência artificial, quando o estresse é positivo, recebe o nome de eustresse, e se dá diante de situações gratificantes como passar em um concurso, acompanhar o nascimento de um filho ou assumir um novo trabalho. Quando ele é negativo, é chamado de distresse, e ocorre quando as pessoas passam por problemas, desafios, pressões e ameaças.

“Todo mundo se estressa. Talvez o gatilho seja uma reunião com o chefe, uma nova rotina que a pessoa está começando, ou algo importante que está para acontecer”, explica Liora. “Algumas pessoas lidam bem com o estresse, mas outras se sentem sufocadas, não suportam a pressão e têm dificuldades para enfrentá-lo”, alerta.

Desde 2015, o CVV (Centro de Valorização da Vida) promove, em âmbito nacional, o Setembro Amarelo, campanha voltada a salvar vidas, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção do suicídio. Com o objetivo de ajudar a aliviar o estresse e trazer equilíbrio às situações do dia a dia, a especialista do Freeletics listou algumas estratégias para lidar com situações difíceis de maneiras positivas.

Para Liora, lidar com circunstâncias difíceis pode ser estressante por si só, mas é possível aprender a enfrentar os efeitos do estresse. Como? Com técnicas de atenção plena e meditação. “A atenção plena é uma ferramenta poderosa que pode ser praticada tanto para os esportes, quanto para o dia a dia. Trata-se da ideia de estar totalmente presente no momento, ou, em outras palavras, permitir-se apenas ser”, explica.

Na prática, atenção plena e meditação prezam por permitir-se ficar a sós com os próprios pensamentos — todos eles, até mesmo os negativos. E, quando os pensamentos negativos surgem, é preciso identificá-los, aceitar as coisas que não podem ser mudadas e focar no que é possível fazer. “Essa simples mudança de foco pode auxiliar a pessoa a desenvolver a habilidade de lidar com as situações, e isso pode aliviar o estresse e melhorar o bem-estar de maneiras incríveis”, completa a especialista.

Liora explica que atenção plena e meditação podem intimidar no começo, mas, na verdade, não são tão complicadas. “A chave para começar bem é reservar tempo para si. Nós nos prendemos tanto na vida diária que geralmente esquecemos de fazer um intervalo, passar um tempo a sós e simplesmente relaxar. O relaxamento rejuvenesce tanto o corpo quanto a mente e ajuda a lidar com situações difíceis de uma forma positiva”, pontua. Por isso, ela aconselha: tirar ao menos 5-10 minutos do dia e fazer um exercício de respiração quadrada, ou uma caminhada curta com meditação guiada, fará bem ao corpo e à mente.

Além de praticar a atenção plena regularmente, qualquer forma de atividade física pode ser uma maneira poderosa para colaborar no alívio do estresse e melhorar o humor. “Na verdade, as duas se complementam muito bem. Os exercícios levam à liberação de maior quantidade de dopamina, serotonina e endorfinas, mais conhecidas como hormônios da felicidade”, explica Liora.

Esses hormônios contribuem para a sensação de bem-estar e euforia, reduzindo sensivelmente o nível do hormônio do estresse, o cortisol – mesmo no longo prazo. Isso possibilita uma maior resiliência contra o estresse e traz mais confiança, otimismo, força e felicidade. “O estresse é simplesmente parte da vida, e às vezes sai do controle. A chave é aprender a gerenciá-lo, lidando com as frustrações e melhorando o foco”, conclui.

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Fonte: www.vidaeacao.com.br/eustresse-e-distresse-o-lado-bom-e-o-lado-ruim-do-estresse