'Kit covid' deve provocar geração de bactérias resistentes a medicamentos, diz OMS

São Paulo – A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou nesta quinta-feira (18) alerta de que o uso indiscriminado de medicamentos como cloroquina, ivermectina e azitromicina para tratar sintomas de covid-19 deverá levar a um aumento de doenças resistentes a estes medicamentos, que agem contra parasitas e bactérias, mas não funcionam contra vírus de nenhum tipo. Mesmo cientificamente comprovada sua ineficácia contra o coronavírus, no Brasil, eles foram largamente adotados por parte da população, ao serem por .

“Ao longo desta pandemia, vimos o uso de antimicrobianos aumentar a níveis sem precedentes, com consequências potencialmente graves nos próximos anos”, informa a entidade. Diferentes países da região já notificaram o aumento de infecções resistentes. “Antimicrobianos também têm sido mal utilizados fora dos ambientes hospitalares. Drogas como ivermectina, azitromicina e cloroquina foram amplamente utilizadas como tratamentos não comprovados, mesmo depois de fortes evidências de que não traziam benefícios”, completa a Opas.

Resistentes

Estes medicamentos, antibióticos e antiparasitários, são essenciais para conter doenças que circulam de forma endêmica. Ao serem utilizados sem necessidade, tal como estimulado amplamente pelo presidente e seus seguidores, perdem eficácia para o que deveriam ser aplicados: o combate a bactérias e parasitas. “Bactérias podem desenvolver resistência e tornar esses medicamentos ineficazes com o tempo. Na verdade, é exatamente isso que estamos vendo: devido ao uso excessivo e indevido de antibióticos e outros antimicrobianos, corremos o risco de perder os medicamentos de que dependemos para tratar infecções comuns”, explica a Opas.

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— OPAS/OMS Brasil (@OPASOMSBrasil) Ação urgente

Como saída para uma futura crise que pode ter já sido desencadeada pelo uso destes medicamentos durante a pandemia, a Opas cobra fiscalização rigorosa, para que as pessoas não possam comprá-los sem receita médica. Os especialistas também pedem iniciativas para o desenvolvimento de novos medicamentos. “Assim como fomos capazes de canalizar nossa capacidade coletiva para desenvolver diagnósticos e vacinas para em tempo recorde, precisamos de compromisso e colaboração para desenvolver novos antimicrobianos a preços acessíveis.”

Parte da ação proposta pela entidade também envolve a Semana Mundial de Conscientização sobre Antimicrobianos, na próxima semana. “Embora possa levar meses ou anos até que vejamos o impacto do uso indevido e excessivo, não podemos esperar para agir. Vamos começar hoje. É algo mais relevante do que nunca no contexto da covid-19. Precisamos que todos os países trabalhem juntos”, finalizam.

Balanço da covid-19

A pandemia em boa parte do mundo e no Brasil, que é o segundo país com mais mortes pelo vírus . Hoje, no último período de 24 horas monitorado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (), foram 293 vítimas, totalizando 613.144 oficialmente registradas. Também foram notificados 12.301 novos casos. Sem contar a ampla subnotificação, 21.989.962 brasileiros já contraíram a doença. Cerca de 64% dos brasileiros estão imunizados com duas doses e 81% tomaram ao menos a primeira, segundo o Ministério da Saúde.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2021/11/kit-covid-provocar-geracao-bacterias-resistentes-oms