Vacina não é carro nem roupa para ter grife: vacina boa é vacina no braço – ViDA & Ação

“Vacina boa é vacina no braço”, me diz a maioria dos renomados especialistas que recebemos com grande honra e reverência no #PapodePandemia, série de lives que promovemos pelo Portal ViDA & Ação desde junho de 2020. No entanto, esta não parece ser a realidade das pessoas que estão escolhendo com qual imunizante querem se ver livres do risco de pegar uma doença tão grave quando a Covid-19.

Vacina não é carro nem roupa pra ter grife ou preferência. Quando éramos crianças, nunca procuramos saber qual era a marca das vacinas que tomávamos. Nem nos dávamos ao luxo de escolher qual delas queríamos tomar no posto de saúde. Tomávamos e pronto. E até bem pouco tempo era assim. Acreditávamos na ciência. Confiávamos nos médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde a quem entregávamos nossos braços ou nossas bocas (no caso das vacinas por gotinhas) para receber as doses. Não havia a danosa epidemia de negacionismo que vem tomando conta do país, liderada por seu mandatário. Mas bastou começar a corrida pela vacina em todo o mundo que por aqui muitos brasileiros passaram a aderir à ‘modinha’ de escolher com que vacina vão para o chamado “novo normal”.

Dia desses, no salão de cabeleireiro, cuja dona me deixava bem clara sua preferência política, ouvi que ela só queria fazer a vacina da Pfizer porque a Cooronavac “só tinha 30% de eficiência” – mais uma fake news que inventaram para tentar desqualificar o imunizante que foi o primeiro – e durante um bom tempo i único- disponível em nosso país. E isso graças ao esforço do Governo de São Paulo, já que nosso presidente desdenhava da “vachina” porque era fabricada na China e trazida ao Brasil por seu arqui-inimigo João Doria.

Tentei argumentar com a simpática e falante cabeleireira, mas não teve jeito. Negacionista é assim: acredita e pronto. E detalhe: ela tem uma doença autoimune e já deveria estar vacinada, mas se recusou a ir ao posto de saúde durante o período das comorbidades porque soube que não encontraria sua “vacina de estimação” por lá. A mesma, ironicamente, que seu mito e o general subserviente que comandava a Saúde enrolaram pra comprar.

Nas últimas semanas, a pitoresca peregrinação dos brasileiros que se recusam a aceitar “qualquer vacina” vem dominando as redes sociais. A suposta recusa da atriz Fernanda Torres de receber a Astrazeneca, por conta do receio dos efeitos colaterais que poderia causar, provocou uma grande polêmica. Dias depois, ela se justificou, tomando a Astrazeneca e levantando a bandeira contra os negacionistas. E o pior é que toda essa polêmica acontece – pasmem – enquanto nossa cobertura vacinal não consegue avançar em mais de 11% – nesse ritmo, levaremos 5 anos para encerrar a campanha de vacinação contra a Covid-19. E ainda tem gente escolhendo!

Escolha da Pfizer em xepa da vacina domina redes sociais e imprensa

Críticas em relação à preferência dos usuários em tomar a vacina da Pfizer em doses remanescentes das vacinas contra a Covid-19, na famosa ‘xepa’, dominaram o debate no Twitter nos últimos 10 dias. É o que mostra um novo levantamento realizado pela Knewin para entender o sentimento dos brasileiros sobre temas amplamente debatidos na mídia. A análise foi feita pela ferramenta Knewin Social que identificou 853.594 publicações no Twitter entre 6 de junho e 16 de junho de 2021.

No debate, aparecem recomendações de usuários para as pessoas se informarem nos postos de saúde próximos às suas casas para não perderem a oportunidade de se vacinar e críticas às pessoas que recusam vacinas da “xepa” por não ser da farmacêutica Pfizer. Muitos usuários também comemoraram a vacinação de parentes e por terem conseguido se vacinar.

Já na imprensa, de janeiro a maio, a pauta sobre a xepa da vacina acumulou o total de 2.033 matérias. De abril a maio o aumento foi de 47,15% na quantidade de matérias publicadas. “Tendo em vista os comentários nas mídias sociais e o crescimento no número de notícias, a tendência é que o interesse das redações jornalísticas permaneça”, afirma Lucas Nazário, CEO da Knewin.

O levantamento analisou que os termos mais comentados na mídia social, foram: “Vacina” (458 mil tuítes), vacinação (171 mil tuítes). Já entre as hashtags mais utilizadas aparecem: #covaxin (18 mil tuítes), #vacinaparatodos (17 mil tuítes) e #covid19 (14 mil tuítes).

Prefeito do Rio apela: “O importante é tomar as duas doses”

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de 51 anos, que é torcedor apaixonado pela Portela, escolheu a quadra da escola de coração para tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Paes recebeu a dose do imunizante pelas mãos do secretário de Saúde Daniel Soranz, e contou com a companhia da portelense Tia Surica. Após ser vacinado, o prefeito falou sobre a importância da vacinação e ressaltou que todas as vacinas em oferecimento são eficazes.

“O mais importante nesse momento é todo mundo vir se vacinar, seja a CoronaVac, Astrazeneca ou Pfizer. O importante é tomar as duas doses, tomar os cuidados poque agora a gente começa a ter uma luz no fim do túnel. A expectativa é que em breve vamos voltar a ter uma vida normal, mas nesse momento ainda não é vida normal. Pra mim, é uma alegria enorme, acho que é o sentimento que todo mundo tem ao tomar a vacina, a voltar a viver uma vida normal, voltar a abraçar, a confraternizar e é claro, voltar a ter carnaval”, disse o prefeito.

Ainda na quadra da Portela, o prefeito fez questão de mandar um recado para os governadores do Maranhão, onde a vacinação está em ritmo acelerado, e de São Paulo, João Doria. “Estamos avaliando ainda as antecipações. Fiz um desafio ao governador João Doria, ao governador Flávio Dino que está adiantado, e o governador Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) já entrou na briga também. Agora vamos mostrar que carioca malandro da Portela não perde pra ninguém!”, enfatizou.

Com assessorias da Knewin e Portela

Fonte: www.vidaeacao.com.br/vacina-nao-e-carro-nem-roupa-para-ter-grife-vacina-boa-e-vacina-no-braco