Solução do governo para explosão de casos de Covid é manter o apagão de dados no Ministério – Hora do Povo

Fila para testagem de Covid na UPA da Tijuca,, no Rio de Janeiro – Foto: Reprodução/Twitter

O apagão de dados do Ministério da Saúde, que já perdura há 30 dias deixou à deriva a notificação de novos casos de Covid-19 no país e não reflete a realidade da pandemia no Brasil, que é de explosão de novos infectados sobrecarregando as Unidades Básicas de Saúde e prontos-socorros em busca de atendimento.

Por mais que a explosão de novos casos, ainda não tenha levado a superlotação de leitos de UTI e enfermaria por todo país, graças ao avanço da vacinação, com sintomas menos graves, a população tem buscado as UPAs e UBSs, para atendimento e após o tratamento é continuado de casa, e com isso, essas unidades estão superlotadas, profissionais sobrecarregados e horas e horas de espera para um atendimento.

No dia 10 de dezembro, o Ministério da Saúde sofreu um ataque cibernético que comprometeu alguns sistemas, como o e-SUS Notifica, o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI), o ConecteSUS e funcionalidades como a emissão do Certificado Nacional de Vacinação Covid-19 e da Carteira Nacional de Vacinação Digital, que ficaram temporariamente indisponíveis.

O ataque cibernético também prejudicou a atualização do boletim diário com a situação epidemiológica da doença. Nas últimas semanas, vários estados enfrentaram dificuldades para atualizar os dados referentes aos casos e mortes, devido à instabilidade dos sistemas, incluindo o e-SUS Notifica.

A dificuldade de atualização das informações refletiu na queda dos índices do balanço diário da pandemia divulgado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e pelo Ministério da Saúde.

Logo nos primeiros dias após o ataque, por exemplo, o número de óbitos pela doença ficou bem abaixo do padrão que vinha sendo registrado (em torno de 150 mortes por dia). No dia 11 de dezembro, foram computadas 53 mortes e, no dia seguinte, 86. O mesmo aconteceu com o número de casos: da média de 7 mil infecções diárias, o número diário caiu para 3.355, no dia 11 de dezembro, e para 1.688 no dia seguinte.

Os balanços diários da doença no país permaneceram com defasagens em relação a diferentes estados ao longo de dezembro e no início de 2022.

Segundo a Saúde, na última semana foram restabelecidas as plataformas e-SUS Notifica, SI-PNI e ConecteSUS, possibilitando a inclusão de dados por estados e munícipios. Em relação aos registros de casos e de mortes pela Covid-19 no país no período de instabilidade dos sistemas, o ministério informou que os dados lançados após o dia 10 de dezembro ainda não constam nas plataformas.

“Entretanto, todas as informações podem ser registradas pelos gestores locais e, assim que a integração de dados for restabelecida, os registros poderão ser acessados pelos usuários. A pasta reforça, ainda, que os dados não foram comprometidos e não houve perda de dados durante o incidente de segurança. Esclarece também que tem um fluxo de backup consolidado”, diz a nota.

O virologista Fernando Spilki, pesquisador da Universidade Feevale, do Rio Grande do Sul, afirma que as instabilidades dos sistemas impediram a atualização dos dados por parte de serviços públicos e privados nas últimas semanas.

“Houve efetivamente muita dificuldade de inserção dos dados principalmente por laboratórios da rede privada. Recentemente, houve relatos de dificuldade para inserção de dados de diagnóstico de pessoas internadas. Além disso, há um notável problema na inserção de dados das secretarias estaduais de saúde relativas à vacinação para alguns estados”, afirma.

Enquanto o governo não normaliza a situação dos sistemas de notificações, as políticas públicas para solucionar os problemas atuais gerados pela pandemia, como a superlotação das unidades de atenção básica e enfermarias ficam sem solução, pois ficam desconhecidos.

imagem11-01-2022-01-01-29
imagem11-01-2022-01-01-29
Fila em UBS de São Paulo para atendimento de Covid-19

Hospitais das redes particular e pública da cidade de São Paulo têm registrado movimentação intensa de pacientes com suspeita de Covid-19 e H3N2 após festas de fim de ano e o avanço da transmissão comunitária da variante ômicron.

No Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, estava lotado no começo da tarde de hoje. O tempo de espera para fazer um teste de Covid superava uma hora. Pacientes com diferentes sintomas se misturavam na recepção e do lado de fora da unidade.

O movimento também era grande na UBS (Unidade Básica de Saúde) Jardim Paranapanema, no Jardim Ângela, na zona sul. A procura de pacientes com complicações respiratórias começou a se intensificar na segunda metade de dezembro. “As pessoas começaram a afrouxar um pouco os cuidados”, afirmou o gerente da unidade, James Braga, que atribui isso ao avanço da vacinação contra a covid no Brasil. A médica Edma de Mello relatou que, no começo do mês passado, atendia na UBS até 30 pacientes com síndromes respiratórias por dia. Ao longo de dezembro, a demanda superou 60 pacientes.

No Rio de Janeiro, as filas para testagem se formaram por toda a capital. Na Tijuca, usuários da Unidade de Pronto Atendimento fizeram fila na porta da unidade de saúde nesse domingo (09), para serem atendidos. Segundo moradores, grande parte das pessoas que estavam na fila eram pacientes que resolveram fazer teste para saberem se tem Covid-19. Com o aumento na taxa de confirmação de casos positivos de Covid-19 para 43%, na cidade e da circulação da variante Ômicron, várias pessoas com sintomas suspeitos estão procurando unidades de atenção primária para realizarem testes rápidos de antígeno e RT-PCR.

Fila em Unidade de Saúde no centro do Rio de Janeiro para testagem do coronavírus

Em Belo Horizonte, os convênios estão longe de garantir assistência rápida nos prontos-socorros. Assim como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital, os hospitais privados estão lotados de pacientes com sintomas respiratórios. Em diversas instituições, a espera por uma consulta ultrapassa três horas. Na rede pública, chega há 6 horas.

Belo Horizonte vive uma situação mais crítica. Enquanto São Paulo não enfrente problemas de lotação de leitos, atualmente a ocupação está em 32%, segundo o Painel da Covid do município, mas na capital mineira a situação é diferente. Cerca de 75% de todas as enfermarias dedicadas ao tratamento de pacientes com a covid-19 estão ocupadas. Todas as vagas disponíveis na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) estão preenchidas.

Em meio ao aumento da taxa de transmissão da Covid-19 no Distrito Federal e diante de uma alta recente de casos da doença, unidades de saúde da capital têm ficado lotadas de pessoas com sintomas gripais, em busca de tratamento e testes para detecção do coronavírus.

Pacientes relatam demora no atendimento e dificuldades para fazer os exames. Segundo a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), “o aumento dos casos de síndrome gripal registrados em todo Brasil e no Distrito Federal tem contribuído para um aumento na demanda dos hospitais da rede.”

Segundo a SES-DF, Brasília tinha em estoque, até o fim do mês passado, mais de 800 mil testes disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e nos postos do Aeroporto de Brasília e da Rodoviária do Plano Piloto.

Fonte: horadopovo.com.br/solucao-do-governo-para-explosao-de-casos-de-covid-e-manter-o-apagao-de-dados-no-ministerio-da-saude