Como é fazer um cruzeiro da Disney sem levar nenhuma criança

…) aquece seu coração de alguma forma, essa é uma viagem que te marcará.

Fiquei três dias a bordo do Disney Dream, junto com minha namorada. Não imaginei que uma viagem do tipo combinaria com um casal sem filhos. Mas dá, sim, para se divertir um bocado, porque é um cruzeiro que tem muito mais do que apenas encontros com personagens. Quase tive uma overdose de entretenimento.

. Na Millenium Falcon, finge pilotar a nave mais célebre de (o que pode ser usado para causar inveja em alguns pais). O Oceaneer ainda tem um berçário para bebês a partir de seis meses, um refeitório e uma área lúdica, Oceaneer Lab, para atividades mais educativas.

O Dream tem funcionários de mais de 60 nacionalidades. Então, mesmo crianças que não dominam o inglês conseguirão se comunicar com os recreadores do Oceaneer. Sim, o português está incluso nos idiomas do clube infantil, podem ficar tranquilos.

18 Dec 2018 – 16h12

  • Na falta de cassino, tipo de negócio que não combina com a filosofia Disney, o bingo vive cheio. Mas deixe para depois e comece visitando o Rainforest já no primeiro dia, antes que todos a bordo descubram essa joia escondida dentro do Senses Spa. O recinto tem espreguiçadeiras aquecidas e chuveiros com jatos d’água de diferentes temperaturas e intensidade, formando sessões de aromaterapia que simulam desde as intensas tempestades tropicais até as gélidas chuvas siberianas.

    O spa tem também banheiras de hidromassagem, com vista para o mar, e sauna, também com vista. Dentro dela, a música zen dá a sensação de que você está a centenas de milhas náuticas da rave infantil de crianças saltitantes turbinadas de açúcar que se deliciam, gritam, pulam e dançam por quase todo o navio. É o tipo de lugar no qual a gente pensará no futuro, quando estiver em algum momento estressante, de volta à vida normal. Ah, dica preciosa: como o Rainforest tem lotação limitada, é melhor reservar com antecedência (US$ 16 o passe de um dia). 

    , , e . As obras enfeitam um bocado as escadarias, o que me levou a querer usar mais os degraus do que os elevadores (e não a necessidade de queimar as calorias de pizzas e sorvetes).

    . Não é uma comparação gratuita, já que Remy, o protagonista do filme gourmet da Pixar, é a inspiração do nome — uma raríssima oportunidade para um rato batizar um restaurante fino e a gente achar de bom tom.

    O outro vizinho chique do Meridian é o Palo, que homenageia Veneza e a cozinha do Vêneto. As vieiras grelhadas com purê de raiz de aipo são o destaque da casa. Em tempo, “palo” é “poste” em italiano. Como os postes coloridos nos canais de Veneza são uma bela marca local, temos aqui outra rara possibilidade onomástica: um poste batizar um restaurante fino e a gente achar bacana.

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    Tanto o Remy quanto o Palo funcionam mediante reserva e não estão inclusos no pacote do cruzeiro. O jantar no Remy sai por US$ 125 por pessoa. No Palo, US$ 40 a boca. Mas tudo bem se você pular os dois e ficar apenas nos restaurantes “populares”. Dá para comer feliz sem gastar uma pataca a mais. O Royal Palace, inspirado na Cinderela e outras princesas, tem cardápio e decoração afrancesados e açucarados. Já o Animator’s Palate homenageia os profissionais da animação, com pincéis, rolos de filmes e objetos de pesquisa e modelagem espalhados nesse grande “estúdio”. Sentadas em cadeiras do Mickey, as famílias se surpreendem quando as janelas para um fundo do mar decorativo ganham vida: nessas telas digitais, a turma de Nemo e Dory surge para interagir com as crianças. Destaque para a tartaruga Crush e seus olhos de quem terá fome em breve. É um momento legal, porque não é um vídeo programado, Crush realmente conversa com as pessoas. É a mesma tecnologia do Turtle Talk, atração do Epcot Center em que Crush faz um “talk show” com a molecadinha.

    O menu do Animator’s Palate é praticamente o itinerário que Marlin faz para encontrar seu pequeno peixe-palhaço em , com pratos dos dois lados do Pacífico. Outro detalhe bacana dos restaurantes do cruzeiro é que eles funcionam em rotação. A cada dia você come em um diferente, mas os garçons te acompanham, assim dá para desenvolver a intimidade e melhorar ainda mais o serviço.

    . Quando sentei debaixo das gaivotas de olhos apertados, tranquilo por minha comida não correr risco de ser roubada pelas aves, pois elas felizmente são de plástico, dei de cara com a vista lá do alto, no deck 11. Era Castaway Cay, a ilha privativa da Disney nas Bahamas.

    A empresa arrendou do governo das Bahamas uma ilhota de 4 km2, mais ou menos a área de Copacabana, e a transformou em uma espécie de parque aquático na natureza. Então lá está você na Disney, só que no meio do Caribe. A areia e os coqueiros são de verdade, as arraias que nadam ao seu lado são de verdade, assim como a água quentinha do mar. Mas os bares e restaurantes locais são o mais puro creme de arquitetura fictícia Disney. Cabanas e estruturas que remetem a arquipélagos caribenhos e polinésios, só que de mentirinha. Os “habitantes” da ilha são funcionários da companhia. E você não pode, em hipótese alguma, ultrapassar os limites marcados por cordas e boias na praia e no mar. Sabe aquela caminhadinha até a ponta da praia? Não rola. O que pode te fazer pensar se está no . É um lugar onde o real e o imaginário se misturam de um jeito que não se vê nos parques. Lindo, divertido e um tanto inquietante.

    Você pode seguir filosofando. Ou então pensar menos e relaxar mais. Tem a praia família, com toboágua e uma divertida caça ao tesouro submarina, e tem a praia dos adultos, silêncio total, delícia necessária. Alugue uma bicicleta e explore as trilhas tranquilas ou fique boiando no mar, que o que tem de transparente tem de tranquilo.

    e são duas espirituosas saladas de personagens de eras diferentes interagindo entre si — dos clássicos dos anos 30 aos astros da Pixar. Então tome Branca de Neve, Pateta, Woody, Gênio, Rafiki e grande elenco nesses musicais cheios de luz e efeitos visuais. Mas sem dúvida o carro-chefe é , baseada na recente adaptação para o cinema. Um showzaço no meio do mar. 

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    8 Mar 2019 – 18h03

  • O Disney Dream faz o trajeto Flórida-Bahamas, parando na capital, Nassau e/ou em Castaway Cay. Há roteiros de três, quatro e cinco noites. Se puder, faça pelo menos quatro. São tantas atividades a bordo que você vai querer tempo para curtir tudo o que quiser e ainda pegar umas praias.

    Eles saem o ano todo, mas é bom se organizar com antecedência, pois lotam. Porto Canaveral, o ponto de partida, fica a cerca de 80 km de Orlando. Chegue na véspera e, se ficar no Walt Disney World Resort, você tem direito ao transporte nos ônibus temáticos circulares entre o complexo e o terminal da Disney. Um cruzeiro custa a partir de US$ 1500, o que dá direito a quase tudo, exceção feita a bebidas alcoólicas, restaurantes mais chiques e mimos como o spa.

    Atualmente, a Disney tem quatro navios (mais a caminho, eles garantem). O Disney Magic sai de Miami e Nova York e tem diversos roteiros pelo Caribe e Canadá. Ele também tem rotas no Canal da Mancha e nos mares do Norte, Tirreno e Mediterrâneo, passando por quase todos os países litorâneos da Europa Ocidental. O Disney Wonder explora a costa oeste da América do Norte, do Alasca até a Baja California, e o Caribe, partindo do Golfo do México. Por fim, o Disney Fantasy tem roteiros semelhantes ao Dream, mas também vai ao Caribe central, com paradas na Jamaica e nas Ilhas Virgens, entre outros.

    Mais informações no site da Disney Cruise

    Deluxe Family, uma das categorias de cabine do Disney Dream

    Deluxe Family, uma das categorias de cabine do Disney Dream (Disney Cruise Line/Divulgação)

    Fonte: viagemeturismo.abril.com.br/materias/como-e-fazer-um-cruzeiro-da-disney-sem-levar-nenhuma-crianca