O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã no domingo (17), dois meses e meio após o início dos ataques contra o país islâmico. A declaração ocorreu em meio ao impasse nas negociações de paz e no mesmo dia em que um drone caiu perto de uma instalação nuclear nos Emirados Árabes Unidos. O conflito começou em 28 de fevereiro e, mesmo após mais de um mês de trégua, segue sem perspectiva clara de solução.
“Para o Irã, o tempo está acabando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. Enviados dos dois países não conversam diretamente desde uma reunião no Paquistão, em meados de abril.
Antes da nova ameaça do presidente dos Estados Unidos, Teerã já havia enviado um alerta a Washington. “O presidente dos Estados Unidos deveria saber que, se […] o Irã for agredido novamente, os recursos e o Exército de seu país serão confrontados com cenários inéditos, ofensivos, surpreendentes e perturbadores”, declarou o porta-voz das Forças Armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi.

O vice-presidente do Parlamento iraniano, Hamidreza Hajibabaei, também elevou o tom e afirmou que, se instalações petrolíferas do país forem atacadas, o Irã responderá atingindo estruturas petrolíferas na região. A guerra já provocou o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passavam cerca de 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos.
O conflito também arrastou Israel e Líbano para uma crise paralela. Teerã, principal apoiador do Hezbollah, exige um cessar-fogo duradouro no Líbano para assinar a paz com Trump. Um oficial militar israelense afirmou que o grupo libanês lançou cerca de 200 projéteis contra Israel e suas tropas no fim de semana, apesar da prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, novos ataques israelenses no sul do país deixaram cinco mortos, entre eles duas crianças. Um ataque com míssil israelense no leste do Líbano também matou um comandante da Jihad Islâmica e sua filha de 17 anos, informou a agência estatal libanesa.
Desde o início da guerra, mais de 2.900 pessoas morreram no Líbano, incluindo 400 desde o começo da trégua em 17 de abril, segundo autoridades locais.
Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em 8 de abril, mas as negociações estagnaram. A imprensa iraniana afirmou neste domingo que os Estados Unidos não fizeram concessões concretas na última resposta à agenda proposta por Teerã. A agência Fars informou que Washington exigiu que o Irã mantivesse apenas uma instalação nuclear em funcionamento e transferisse sua reserva de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos.
“Os Estados Unidos, sem fazer concessões tangíveis, pretendem obter concessões que não conseguiram durante a guerra, o que levará a um impasse nas negociações”, afirmou a agência Mehr. No mesmo dia, um ataque com drone provocou incêndio perto de uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos, sem vítimas ou aumento de radiação. A Arábia Saudita também anunciou ter interceptado três drones vindos do Iraque.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-restara-nada-trump-volta-a-ameacar-aniquilar-o-ira-se-pais-rejeitar-acordo-pelo-fim-da-guerra/


