O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (18) que pretende exigir que fabricantes dividam alguns imunizantes infantis em cinco doses separadas, administradas em intervalos de seis meses. Segundo ele, a mudança provocaria uma “redução maciça” nos casos de autismo. Trump, porém, não apresentou evidências científicas para sustentar a afirmação nem informou quais vacinas seriam atingidas pela medida, segundo a Reuters.
A declaração retoma uma tese rejeitada há décadas pela comunidade científica. Uma revisão publicada pela Organização Mundial da Saúde neste mês, baseada em estudos divulgados entre 2010 e 2025, concluiu que as pesquisas de maior qualidade não encontram relação causal entre vacinas e transtorno do espectro autista. Estudos que sugeriram alguma associação apresentavam baixa força de evidência e elevado risco de viés.
“Vamos recomendar que sejam aplicadas cinco doses. E que sejam administradas em intervalos de seis meses, para que uma pequena quantidade da vacina seja injetada no corpo”, afirmou Trump durante anúncio no Salão Oval. Não foi apresentada demonstração de que esse esquema teria qualquer efeito sobre a incidência de autismo.
Trump: We’re also going to be demanding the drug companies make their doses in 20%. shots. So you have shot 1, shot 2, shot 3, shot 4, shot 5, so instead of having. A massive dose of 82 or 88 different vaccines pumped into your arm, we’ll take out certain vaccines that people are… pic.twitter.com/xiRXI8wWRG
— Acyn (@Acyn) September 18, 2026
A nova declaração amplia uma política iniciada pelo governo no mês passado. Trump já havia determinado a redução do número de vacinas recomendadas universalmente para crianças e defendido a separação da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Especialistas criticaram a medida por contrariar evidências acumuladas sobre segurança e eficácia da vacinação infantil.
A agenda encontra apoio dentro do próprio governo. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., conhecido pelo histórico de ativismo antivacina, promove há anos alegações sobre uma suposta relação entre imunizantes e autismo. Nesta sexta, Kennedy nomeou o neurologista pediátrico John Gaitanis para presidir o Comitê Interagências de Coordenação do Autismo, órgão federal que aconselha o governo sobre políticas relacionadas à condição.
A mudança ocorre enquanto os Estados Unidos enfrentam queda da cobertura vacinal e novos surtos de doenças preveníveis. Apesar da ofensiva política da Casa Branca, a evidência científica disponível continua apontando na direção oposta à defendida por Trump: vacinas infantis não causam autismo, e não há demonstração de que fracioná-las em cinco aplicações reduza diagnósticos da condição.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-diz-que-vai-fracionar-vacinas-infantis-para-reduzir-o-autismo/


