O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (16/12), a ata referente à reunião de dezembro. O colegiado enxerga cenário externo ainda incerto, mesmo após os Estados Unidos baixarem a guarda em tarifas e cita “esmorecimento” no esforço de reformas estruturais que contribuam para a “disciplina fiscal” do governo. O documento cita ainda que o colegiado não hesitará numa retomada do ciclo de alta da Selic.
“O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, diz trecho da ata.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato de Galípolo à frente do BC.
A ata do Copom seguiu o mesmo nível de dureza no tom expresso no comunicado que anunciou, na última quarta-feira (10/12), a manutenção da Selic em 15%. Em determinado trecho do documento, o Copom reforçou a interpretação de que o cenário atual “requer” a Selic em níveis mais elevados por “período bastante prolongado”, afastando esperança de redução do índice em breve.
Em outro ponto da ata, os membros do Copom citam haver necessidade de moderar a concessão do crédito, uma vez que o governo federal tem adotado medidas para expansão do mesmo, e de rigor no controle dos gastos públicos.
“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia (…) Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, explica.
A conjuntura enxergada pelo Copom é de risco externo, mesmo após a redução de algumas tarifas pelos Estados Unidos, o que se reflete na economia global.
“O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”, diz trecho da ata.
Arrefecimento
Quanto aos aspectos internos, o Copom entende que a inflação apresenta arrefecimento e isto tem relação com a política monetária mais rigorosa, ou seja, com o patamar mais elevado da Selic. O colegiado, por outro lado, vê o mercado de trabalho ainda muito ativo.
“A inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual.”
Selic em 15% ao ano
Na ata, o comitê explica os motivos que levaram ao fim do ciclo de altas na taxa básica de juros, a Selic. A taxa foi mantida em 15% ao ano, pela quarta vez consecutiva.
O ciclo de aperto monetário teve início em setembro do ano passado, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a Selic, que passou dos então 10,50% ao ano para 10,75% ao ano.
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A Selic está no patamar mais elevado em quase 20 anos. Conforme dados da série histórica, a taxa de juros é a maior desde julho de 2006, época do fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Calendário das reuniões do Copom em 2026
27 e 28 de janeiro
17 e 18 de março
28 e 29 de abril
16 e 17 junho
4 e 5 de agosto
15 e 16 de setembro
3 e 4 de novembro
8 e 9 de dezembro.
Em atualização.
Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/economia-br/ata-do-copom-selic


