Alguns dos maiores clubes do país iniciaram nesta quinta-feira (17) uma campanha em defesa das casas de apostas. Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Palmeiras, São Paulo e Santos estão entre os que divulgaram o manifesto “O fim do futebol brasileiro”, reação às discussões do governo Lula sobre novas restrições ao setor.
O manifesto contra o fim das BETs foi assinado por Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Santos, Palmeiras e Cruzeiro, além da Federação Paulista de Futebol e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Além dos seus site, alguns clubes também publicaram o texto nos seus perfis nas redes sociais.
A movimentação ocorre um dia depois de Lula afirmar que sua “disposição pessoal é acabar com as bets”. O presidente, porém, disse que pretende ouvir a sociedade e avaliar as consequências antes de decidir.
O governo estuda uma medida que pode atingir principalmente os cassinos online e impor novas limitações às apostas esportivas. Nenhuma proibição geral foi anunciada até agora.
A maior parte do manifesto publicado pelos clubes concentra-se nas consequências financeiras de eventuais restrições, apesar de reonhecerem, lateralmente, que as apostas provocam impactos sociais, sobretudo entre pessoas vulneráveis.
A razão aparece nos contratos. Treze dos 20 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras master, e os dirigentes estimam em cerca de R$ 1 bilhão a receita vinculada ao setor. Segundo o manifesto, uma redução abrupta desses recursos afetaria centros de treinamento, categorias de base, futebol feminino e clubes menores.
O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO
O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das… pic.twitter.com/sJ4CxqmEhO
— Flamengo (@Flamengo) September 17, 2026
De Temer à explosão do mercado
A relação do futebol brasileiro com as bets é relativamente recente. As apostas esportivas de quota fixa foram legalizadas em dezembro de 2018, no governo Michel Temer, pela Lei 13.756. A norma determinava que o Executivo regulamentasse a atividade em até quatro anos.
A regulamentação não foi concluída durante o governo Jair Bolsonaro. O prazo expirou em dezembro de 2022, período em que o mercado se expandiu sem regras específicas de funcionamento. Em audiência no Senado, representante do Ministério da Fazenda afirmou que o segmento havia crescido fortemente entre 2018 e 2022 nesse ambiente ainda não regulamentado.
O governo Lula retomou o processo em 2023. A Lei 14.790 regulamentou as apostas de quota fixa e incluiu os jogos online. Desde janeiro de 2025, empresas que operam nacionalmente precisam de autorização federal e utilizam domínios terminados em .bet.br.
O custo fora dos estádios
A receita que passou a financiar o futebol convive com um problema de saúde pública. O Ministério da Saúde afirma que o transtorno do jogo pode provocar ansiedade, depressão, culpa, isolamento, dificuldades financeiras e conflitos familiares. O problema é reconhecido como transtorno de comportamento aditivo.
Até agosto, mais de 1 milhão de pessoas haviam solicitado a autoexclusão das plataformas autorizadas. Entre elas, 35% apontaram perda de controle sobre o jogo e 11,82% citaram dificuldades financeiras. O SUS passou a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais ligados a problemas com apostas.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/clubes-bets-regulacao/


