Datafolha expõe desgaste do STF e polarização sobre ministros

Pesquisa Datafolha mostra um retrato ambíguo da imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à crise provocada pelo caso Banco Master. Segundo o levantamento, 75% dos brasileiros dizem que os ministros do STF têm poder demais, mas 71% afirmam que a corte é essencial para proteger a democracia.

O instituto ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril, em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026.

Os números indicam que o desgaste da corte não eliminou a percepção de sua relevância institucional. Ao mesmo tempo em que o Supremo é visto como necessário, a maioria dos entrevistados relata perda de confiança no tribunal e enxerga excesso de poder nas mãos dos ministros.

Desgaste geral do STF e efeito do caso Master

De acordo com a pesquisa, 75% afirmam que as pessoas acreditam menos no STF hoje do que no passado. O tema aparece diretamente ligado à crise aberta pelo caso Banco Master, que passou a atingir a imagem pública de integrantes da corte.

Nessa frente, 55% dos brasileiros disseram ter conhecimento das suspeitas de ligação de ministros com o caso e afirmaram acreditar que há magistrados envolvidos. Outros 4% disseram não acreditar nessa hipótese e 10% responderam que não sabem. Já 30% declararam não ter tomado conhecimento do tema.

A percepção varia conforme o perfil político do entrevistado. Entre os que declaram intenção de voto em Lula, 42% dizem acreditar no envolvimento de ministros no caso Master. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, esse índice sobe para 70%.

Moraes lidera conhecimento público

O levantamento também mediu pela primeira vez o grau de conhecimento e a avaliação individual dos ministros do STF. Alexandre de Moraes aparece com folga como o nome mais conhecido da corte: 89% dos entrevistados dizem conhecê-lo, ao menos de ouvir falar.

Cármen Lúcia surge em seguida, com 68%, e Gilmar Mendes aparece com 62%. Na pergunta espontânea, em que o entrevistado cita nomes sem receber uma lista, Moraes também lidera com larga vantagem, lembrado por 39% dos respondentes. Cármen foi citada por 10% e Flávio Dino, por 8%.

Segundo a própria pesquisa, seis dos 10 ministros são conhecidos por mais da metade da população. Entre os menos conhecidos estão ministros mais recentes na corte, como Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Cristiano Zanin.

Mendonça e Cármen lideram avaliação

No ranking de imagem, André Mendonça aparece com o melhor índice de avaliação calculado pelo Datafolha, que considera a diferença entre menções positivas e negativas. Entre os que dizem conhecê-lo, 39% avaliam seu desempenho como ótimo ou bom, e 13% como ruim ou péssimo, o que resulta em índice 26.

Cármen Lúcia vem na sequência, com 42% de ótimo ou bom e 25% de ruim ou péssimo, chegando a índice 17. Luiz Fux aparece logo depois entre os mais bem avaliados, segundo a pesquisa.

Na outra ponta, Dias Toffoli tem o pior resultado. Entre os que dizem conhecê-lo, 19% o avaliam como ótimo ou bom, e 35% como ruim ou péssimo, o que leva a um índice negativo de 16 pontos. Gilmar Mendes também aparece entre os piores colocados.

Mesmo sendo o ministro mais conhecido, Moraes tem saldo negativo. Segundo o levantamento, 33% o classificam como ótimo ou bom, enquanto 41% o consideram ruim ou péssimo, resultando em índice de menos 8.

Supremo sob pressão política

Os dados mostram que a crise de imagem do STF atravessa diferentes campos ao mesmo tempo: confiança institucional, percepção de excesso de poder, associação com o caso Master e avaliação individual dos ministros. O resultado também reforça a centralidade do Supremo no debate político de 2026.

As perguntas sobre a corte e sobre cada ministro foram feitas pela primeira vez pelo Datafolha, o que impede comparação direta com levantamentos anteriores. Ainda assim, o retrato atual aponta um tribunal sob forte pressão pública, mas que segue visto por ampla maioria como peça central da democracia brasileira.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/datafolha-stf-abril/