A imagem que muitos consideravam improvável tornou-se pública nesta terça-feira (14). O governo dos EUA, por meio do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas, o chamado ICE, divulgou a “mugshot”, a tradicional foto de identificação policial, do ex-deputado federal e ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. O registro oficial marca a derrocada do ex-parlamentar em solo norte-americano, onde tentava se refugiar da Justiça brasileira.
A foto aparece no site oficial do departamento de imigração ao lado de dados pessoais como sexo, idade, raça e a unidade específica onde o brasileiro está custodiado. No sistema, o nome do ex-diretor da inteligência brasileira aparece acompanhado da sigla “NMN” (no middle name), indicando a ausência de nome do meio nos registros consulares.
Prisão em Orlando e situação irregular
Ramagem foi localizado e detido nesta segunda-feira (13) em Orlando, na Flórida. Segundo informações preliminares, ele foi imediatamente encaminhado para um centro de detenção na cidade. Embora o sistema do ICE aponte que a prisão ocorreu por questões estritamente migratórias, visto que ele se encontrava em situação irregular no país, o contexto de sua detenção é muito mais profundo e envolveria uma complexa teia de cooperação internacional.
As autoridades brasileiras foram formalmente notificadas da captura por volta das 12h (horário de Brasília). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a ação é resultado direto do esforço conjunto entre Brasil e EUA.
“A prisão é fruto da cooperação internacional no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira”, afirmou Rodrigues, ressaltando que o ex-deputado já não gozava de status legal em território norte-americano.
O caminho da condenação
A fuga de Alexandre Ramagem para os EUA ocorreu após ele ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos de prisão. O ex-diretor da Abin foi apontado como peça crucial na trama que visava uma tentativa de golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, utilizando-se da estrutura de inteligência do governo para monitorar adversários e fomentar a ruptura democrática.
Atualmente, o governo brasileiro, por meio da Polícia Federal e do Ministério das Relações Exteriores, aguarda detalhes sobre o trâmite processual nos EUA para dar início ao processo de extradição ou deportação. O sistema de detentos da agência norte-americana já disponibiliza, inclusive, informações de contato para familiares, sinalizando que o rito de custódia segue os protocolos padrão para estrangeiros aguardando remoção.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/foto-preso-ice-mugshot-ramagem/

