A impressão que Gilmar Mendes teria ficado de Vorcaro após conhecê-lo

A tentativa do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, de exercer pressão nos gabinetes do Supremo Tribunal Federal não apenas fracassou no que diz respeito ao ministro Gilmar Mendes, como também resultou em uma saia justa nos bastidores da Corte. O encontro presencial entre o empresário e o decano do STF deixou marcas extremamente negativas e provocou uma forte reação de indignação por parte do magistrado.

Segundo revelado pela jornalista Daniela Lima, do portal Uol, a audiência presencial entre ambos causou um profundo incômodo em Gilmar. O choque começou no momento em que Vorcaro adentrou o gabinete, trajando seu estilo ostentação característico: cabelo fixado com gel para trás, terno em tom “azul caneta” bem ajustado ao corpo, calças curtas e sapatos sofisticados usados sem meias. A estética exuberante do empresário causou rejeição imediata no ministro.

A insatisfação com a postura e a abordagem do visitante foi tamanha que Gilmar Mendes fez questão de passar uma severa reprimenda no interlocutor responsável por intermediar o agendamento da visita. Sem esconder a contrariedade com a postura do convidado, o magistrado teria disparado uma frase categórica ao seu contato logo após o término da reunião:

“Nunca mais faça isso, não o encaminhe mais… Ele parece mais um bicheiro do que um banqueiro.”

A revelação dos bastidores vem à tona no momento em que setores da oposição e das redes sociais tentavam construir uma narrativa para desgastar a imagem de Gilmar Mendes, explorando politicamente o simples fato de o ministro ter recebido o financeiro em seu gabinete. No entanto, a estratégia de criar uma “armadilha” reputacional contra o magistrado desmoronou rapidamente diante da realidade dos fatos e do andamento do processo no tribunal.

O objetivo central da audiência solicitada por Vorcaro era sensibilizar o STF em favor de uma tese jurídica bilionária ligada ao setor sucroalcooleiro. A disputa em jogo carrega um impacto financeiro astronômico para as cofres públicos, com estimativas da Advocacia-Geral da União (AGU) indicando potenciais prejuízos e indenizações de até R$ 145 bilhões para a União caso as teses do setor prevalecessem de forma ampla.

Mesmo sob a ostensiva pressão exercida pelo então dono do Banco Master, Gilmar Mendes manteve a independência e não cedeu aos apelos do empresário. Quando a matéria foi submetida ao julgamento da Segunda Turma do Supremo, o decano proferiu seu voto de forma abertamente contrária aos interesses de Vorcaro, alinhando-se à posição do ministro André Mendonça na defesa do erário.

Apesar da postura firme de Gilmar, a causa acabou sendo decidida favoravelmente aos interesses representados pelo ex-banqueiro por um placar apertado de 3 votos a 2, consolidado pelos votos dos ministros Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin. Contudo, a atuação e o desfecho do episódio deixaram claro que o lobby de Vorcaro encontrou uma barreira no gabinete de Gilmar Mendes, resultando em uma portas fechadas e numa reprimenda memorável no auxiliar.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/gilmar-mendes-vorcaro-apos-conhecer/