Mário Frias propõe “encontro ao vivo” com Flávio Dino após ser intimado pelo ministro

Após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedir explicações à Câmara dos Deputados sobre a viagem do parlamentar Mário Frias (PL-SP) aos Estados Unidos e ao Bahrein, o deputado publicou uma resposta ao magistrado em sua rede social X, nesta quinta-feira (21), sugerindo um “encontro ao vivo” entre os dois. 

“Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito. Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Motta. Chegarei ao Brasil dia 25 de maio, desde já me colocando a disposição de Vossa Excelencia, para inclusive um encontro ao vivo, ocasião em que será uma ótima oportunidade para prestar todos os esclarecimentos que desejar”, afirmou o deputado.

https://x.com/mfriasoficial/status/2057458118703845523?s=48

O pedido de Dino à Câmara ocorreu após um oficial de Justiça da Corte não conseguir notificar o deputado para prestar esclarecimentos sobre o envio de emendas parlamentares à uma ONG ligada à produção do filme do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), envolvido também no escândalo do Banco Master. 

Na decisão, o ministro pede que Hugo Motta, presidente da Casa Legislativa, forneça, em um prazo de 48 horas, informações sobre prazo, custos e pagamentos referentes à “missão internacional” que Frias afirma estar cumprindo. 

Em entrevista ao SBT News, o deputado afirmou que esteve no Bahrein para “propor investimentos no Brasil” e que agora está nos EUA para fazer uma “prospecção de um investimento em segurança pública”

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O drible do endereço fantasma e as “missões” clandestinas

A paciência do STF esgotou-se após uma sucessão de manobras e desencontros que expuseram a tática de evasão do parlamentar. A revelação mais escandalosa veio à tona nesta terça-feira (19): o endereço residencial fornecido oficialmente pela Câmara dos Deputados ao Supremo para que Mário Frias recebesse a intimação simplesmente não pertence ao deputado há dois anos.

Ao procurarem o gabinete de Frias em Brasília para tentar notificá-lo pessoalmente, oficiais de Justiça foram informados pelos funcionários de que o chefe estava fora do país e que “não havia qualquer previsão de data para o seu retorno”. Diante do drible, o mandado foi devolvido a Flávio Dino sem cumprimento.

A justificativa de Frias para o sumiço é uma suposta agenda institucional. Ele viajou na semana passada para o Bahrein, em uma visita organizada pela embaixada do país, sob o pretexto de “fortalecer as relações bilaterais” com o Brasil. No entanto, o roteiro do parlamentar esconde uma ilegalidade administrativa: a Câmara confirmou que Mário Frias apresentou dois pedidos de missão internacional “sem ônus” para o Erário, o primeiro para o Bahrein (de 12 a 18 de maio) e o segundo para Dallas, nos EUA (de 19 a 21 de maio).

Triangulação financeira: emendas para a própria produtora

O “sumiço” estratégico de Mário Frias começou a ser desenhado no dia 21 de março, quando Flávio Dino determinou que ele se manifestasse em cinco dias sobre uma ação protocolada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar pede a apuração rigorosa de um esquema de favorecimento com dinheiro público. Frias, que assina como produtor executivo de Dark Horse, teria destinado R$ 2 milhões de suas emendas para o Instituto Conhecer Brasil.

A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, que vem a ser ninguém menos do que a dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro. Os investigadores suspeitam que o repasse foi uma manobra de autossustento para inflar os cofres do projeto cinematográfico com dinheiro do contribuinte.

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Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mario-frias-encontro-ao-vivo-flavio-dino-apos-ser-intimado/