Na segunda-feira (30), o PSD confirmou o nome do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como seu pré-candidato à Presidência da República. Durante sua fala na coletiva de imprensa, Caiado tentou se mostrar como um candidato de centro, mas o que deixou claro é que será linha auxiliar da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Além disso, Caiado afirmou que, caso seja eleito, sua primeira medida será a anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para todos os envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro.
Diante de tal cenário, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) resgatou uma intervenção sua na CPI do MST, realizada em 2023. Na ocasião, o convidado era o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um desafeto histórico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o qual Caiado acusa de ter conexões com o narcotráfico.
Em sua fala, Sâmia Bomfim desmonta as acusações de Caiado contra o MST e ainda revela conexões do ex-governador de Goiás com pessoas vinculadas ao narcotráfico:
“O governador [Caiado] acusou o Movimento Sem Terra (MST) de ter relações com narcotraficantes, porém, esqueceu de dizer que tem relações íntimas com o senhor Alexandre Medley (Funari Negrão), que foi um dos principais doadores de sua campanha e que, no ano de 2000, foi indiciado na CPI do Narcotráfico após ser flagrado operando refino de cocaína […] e aí ele vai lá e acusa o MST de ser narcotraficante […] Ele acusa o MST de uma série de barbaridades, mas esqueceu de dizer que o seu tio, Antônio Ramos Caiado, está na lista suja do trabalho escravo, porque foram encontrados quatro trabalhadores em situação análoga à escravidão dentro de sua carvoaria […] E que seu primo Enivai, que atua no ramo da mineração, responde a uma série de inquéritos por depredação ambiental, por desrespeito aos direitos humanos e que você, quando foi deputado, atuou na flexibilização do licenciamento ambiental para agradar seus familiares.”
Posteriormente, Sâmia Bomfim relembra a conexão histórica de Caiado com o assassinato de Chico Mendes:
“Esqueceu de dizer que, quando Chico Mendes foi assassinado – o Chico Mendes que todo mundo conhece, que dá nome ao nosso instituto ICMBio -, foi assassinado a mando da UDR (União Democrática Ruralista). Você sabe quem era o presidente da UDR nessa época? O governador que falou com a gente, o senhor Caiado.”
A deputada continua:
“Um estudo da ONU, senhor governador, mostra que Goiânia é a cidade com a maior concentração de renda da América Latina” – neste momento, parlamentares da direita e extrema direita aplaudem, pensando ser a concentração de renda algo positivo. A deputada retoma a fala e explica o conceito: “Talvez os deputados não saibam o conceito de concentração de renda. Significa que poucos têm muito dinheiro e muitos não têm quase nada de dinheiro. Isso significa desigualdade social, injustiça, e é contra isso que os movimentos sociais e a esquerda, e o marxismo, que o senhor diz tanto odiar, combatem, e é por isso que existem os movimentos sociais, porque há sujeitos que são filhos, netos, irmãos e familiares de latifundiários que executam trabalho escravo, que desrespeitam o meio ambiente, que são chefes de facções de milícias rurais, que assassinam lideranças como Chico Mendes e que enchem a boca para falar mal de um trabalhador que entra no movimento social para lutar por reforma agrária.”
https://x.com/samiabomfim/status/2038984083632439711
Caiado confirma que será linha auxiliar de Flávio na eleição e promete anistiar Bolsonaro
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, teve o seu nome confirmado nesta segunda-feira (30) como pré-candidato do PSD à Presidência da República. Durante a sua fala na coletiva de imprensa, Caiado confirmou a crítica feita por Eduardo Leite — que perdeu a disputa interna e foi preterido pelo PSD — de que a escolha pelo ex-governador de Goiás era reforçar o “radicalismo”, visto que Caiado mirou o seu discurso em atacar o PT e prometer anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Logo na abertura de seu discurso, Caiado prometeu que, caso seja eleito, seu primeiro ato será a anistia ampla, geral e irrestrita para todos os golpistas do 8 de janeiro e fez questão de frisar: “inclusive para o ex-presidente” Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
“O meu primeiro ato [como presidente eleito] vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita. Replicando aquilo que Juscelino Kubitschek soube fazer com muita maestria a todos aqueles que, rebelados com verdadeira tentativa de golpe, onde ele disse ‘me deixe trabalhar’. Vamos realmente pacificar o Brasil. Eu vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente.”
Em outro momento, Caiado afirmou que o principal desafio não é apenas ganhar a eleição, mas sim evitar que o PT volte a governar:
“O desafio não é ganhar eleição do PT apenas. Isso é fácil, no segundo turno, sem dúvida alguma, ele [Lula] estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país. Ele não é opção em Goiás, não é em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.”
Nas últimas pesquisas, Ronaldo Caiado tem pontuado entre 1% e 3% das intenções de voto, ficando empatado com Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
https://x.com/GloboNews/status/2038709865795690919
Eduardo Leite diz que escolha do PSD por Caiado “fortalece o radicalismo”
Em vídeo publicado nas suas redes sociais, Eduardo Leite fez duas críticas ao PSD e afirmou que, ao escolher Caiado para ser o seu nome para disputar o Palácio do Planalto, “fortalece a polarização radical”.
“[…] Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão, mas isso não significa ausência de convicção […] existe no Brasil […] o desejo por uma política que não precisa gritar para ser ouvida, que não precisa dividir para existir, que não trate quem pensa diferente como inimigo.”
Posteriormente, Eduardo Leite critica diretamente a decisão do PSD e afirma que ela mantém a “polarização radicalizada”:
“O Brasil está cansado, muito cansado de uma disputa que aprisiona o debate entre os extremos e, com toda franqueza, a decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país. Eu acredito em um outro caminho […] eu acredito num centro liberal […] que olhe para o futuro e que não fique olhando para os conflitos do passado.”
https://x.com/EduardoLeite_/status/2038610893349478834
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/o-dia-em-que-samia-bomfim-desmascarou-ronaldo-caiado/

