Pesquisas para o governo de MG: a disputa entre Patrus e Cleitinho em seis institutos

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece na liderança das intenções de voto para o governo de Minas Gerais em todos os levantamentos divulgados ao longo de setembro.

No 2º turno, a diferença em relação a Patrus Ananias (PT) chega a encolher para a margem de erro na Real Time Big Data.

Pesquisas do AtlasIntel, Datafolha, Quaest, DATATEMPO e Real Time Big Data divulgadas em setembro mostram retratos distintos da disputa pelo Palácio da Liberdade. Os levantamentos foram realizados em períodos diferentes, com metodologias, amostras e margens de erro próprias. Por isso, seus percentuais não representam uma média da corrida eleitoral.

A Fórum acompanha a disputa eleitoral e as pesquisas para o governo de Minas ao longo da campanha. Os registros oficiais dos levantamentos podem ser consultados no sistema de pesquisas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pesquisas para governo de Minas: compare os resultados

Instituto Divulgação Cleitinho no 1º turno Patrus no 1º turno Kalil no 1º turno Cleitinho no 2º turno (vs. Patrus) Patrus no 2º turno (vs. Cleitinho)
AtlasIntel 3/9 41% 30% 9,2% 53,4% 39,3%
Datafolha 12/9 37% 13% 11% 59% 24%
Quaest 9/9 32% 11% 11% 51% 26%
DATATEMPO 17/9 33,7% 13,6% 9,8% 54% 20%
Real Time Big Data 8/9 38% 29% 12% 43% 41%

AtlasIntel: Cleitinho tem 41% e Patrus, 30%

A pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de setembro registra Cleitinho com 41% das intenções de voto no primeiro turno e Patrus Ananias com 30%. Alexandre Kalil (PDT) aparece com 9,2%, Mateus Simões (PSD) com 4,1%, Gabriel Azevedo (MDB) com 3,8% e Flávio Roscoe (PL) com 2,5%.

Em uma simulação de segundo turno entre Cleitinho e Patrus, o senador registra 53,4% e o petista, 39,3%. Contra Kalil, Cleitinho aparece com 53,3% e o pedetista, 35,5%. O instituto ouviu 1.804 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no TSE sob o número MG-04217/2026.

Datafolha: Cleitinho tem 37% e Patrus, 13%

O Datafolha divulgado em 12 de setembro registra Cleitinho com 37% das intenções de voto e Patrus Ananias com 13%. Kalil aparece com 11%, em empate técnico com Patrus. Mateus Simões, Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe registram 4% cada.

No segundo turno entre Cleitinho e Patrus, o senador marca 59% e o petista, 24%. Contra Kalil, Cleitinho tem 54% e o pedetista, 29%. A diferença está fora da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto ouviu 1.204 eleitores em 42 municípios mineiros entre 8 e 10 de setembro. A pesquisa está registrada no TSE sob o número MG-03894/2026.

Quaest: Cleitinho tem 32% e Patrus e Kalil empatam com 11%

A Quaest divulgada em 9 de setembro aponta Cleitinho com 32% e Patrus Ananias e Alexandre Kalil empatados com 11% cada no primeiro turno. Mateus Simões registra 8%, enquanto Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe aparecem com 3% cada.

No segundo turno, Cleitinho aparece com 51% contra 26% de Patrus. Contra Kalil, o senador tem 49% e o pedetista, 27%. A pesquisa ouviu presencialmente 1.200 eleitores entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. O registro no TSE é MG-03561/2026.

DATATEMPO: Cleitinho tem 33,7% e Patrus, 13,6%

A rodada do DATATEMPO divulgada em 14 de setembro aponta Cleitinho com 33,7% das intenções de voto e Patrus Ananias com 13,6%. Kalil aparece com 9,8%, Mateus Simões com 5,1%, Gabriel Azevedo com 3,2% e Flávio Roscoe com 2,9%.

O instituto não divulgou simulação de segundo turno nesta rodada. Foram entrevistadas 1.200 pessoas por telefone entre 9 e 12 de setembro. A margem é de três pontos percentuais e o levantamento está registrado sob o número MG-04302/2026.

Real Time Big Data: Cleitinho tem 38% e Patrus, 29%

Na pesquisa do Real Time Big Data divulgada em 8 de setembro, Cleitinho registra 38% das intenções de voto e Patrus Ananias, 29%. Kalil aparece com 12%, Mateus Simões com 5%, Gabriel Azevedo com 3% e Flávio Roscoe com 2%.

Em um eventual segundo turno, Cleitinho e Patrus aparecem em empate técnico: 43% a 41%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre 5 e 7 de setembro, por telefone e internet. O registro no TSE é MG-03811/2026.

Distâncias variam entre os levantamentos

No primeiro turno, a diferença numérica entre Cleitinho e Patrus varia de 8 pontos percentuais no Real Time Big Data a 24 pontos no Datafolha. A Quaest registra 21 pontos de distância; o DATATEMPO, 20,1 pontos; e o AtlasIntel, 11 pontos.

Nos confrontos de segundo turno, AtlasIntel e Quaest apresentam diferenças entre Cleitinho e Patrus fora das respectivas margens de erro, mas com vantagem confortável para o senador. O Datafolha registra a maior distância (59% a 24%). O Real Time Big Data, porém, aponta empate técnico entre os dois, com apenas dois pontos de diferença.

Cenário ainda aberto

Apesar da liderança consistente de Cleitinho em todos os levantamentos, a disputa apresenta variáveis que podem alterar o quadro até outubro. Pesquisa DATATEMPO mostra que 22,7% dos eleitores ainda não definiram o voto e mais da metade não consegue citar espontaneamente nenhum candidato, indicando que a eleição ainda não está consolidada na memória do eleitorado mineiro.

A definição do campo político também segue em aberto. Flávio Roscoe (PL) tem se apresentado como o “único candidato genuinamente de direita” e questiona a posição de Cleitinho, afirmando que o senador “ora se aproxima da direita, ora da esquerda”. Cleitinho ainda não fechou aliança formal com o campo bolsonarista no estado, espaço ocupado por Roscoe.

À esquerda, a divisão entre Patrus Ananias, que tem o apoio do presidente Lula, e Alexandre Kalil, que construiu trajetória própria como ex-prefeito de Belo Horizonte, pode ser decisiva em um eventual segundo turno contra Cleitinho. Nos levantamentos em que aparecem tecnicamente empatados, a transferência de votos de um para o outro será determinante.

A avaliação do governo Mateus Simões também pode influenciar o pleito. O Datafolha mostra que 20% dos eleitores consideram a gestão “ótima ou boa”, 41% a avaliam como “regular” e 18% como “ruim ou péssima”. Já o Real Time Big Data aponta 56% de aprovação ao governo estadual e 28% de desaprovação.

As diferenças metodológicas entre os institutos — tamanho da amostra, forma de coleta (presencial, telefônica ou online), margem de erro (de 2 a 3 pontos percentuais) e período de realização — significam que esses dados não devem ser tratados como uma média simples nem comparados diretamente. A eleição para o governo de Minas Gerais ainda tem espaço considerável para movimentações até o pleito de outubro.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pesquisas-governo-mg-setembro/